

População lotou reunião da Câmara de Cambuí nesta terça-feira — Foto: Reprodução EPTV
Depois do vazamento, um grupo de moradores criou um manifesto público repudiando o projeto. Foram quase 400 assinaturas pela internet, além de um abaixo assinado de mais de 10 páginas.
“Acho que isso é a demonstração clara do que é a democracia. Nós vivemos em uma democracia e a gente tende a achar que a política é feita bem longe de nós, está lá em Brasília ou está na câmara. E muito pelo contrário, a política é feita por nós o tempo todo. Nós, cidadãos e cidadãs, a gente pode estar presente, fazer um manifesto. Tem várias vias democráticas para demonstrar e exercer os nossos direitos”, diz a professora Dafne Araújo.
Com a pressão popular, o projeto sequer entrou em votação. Nesta quarta-feira (18), o vice-presidente da câmara, Iago Felipe Lima protocolou outro projeto de lei, desta vez para reduzir os salários do legislativo em 40%.
“E o projeto foi protocolado graças à mobilização da população, que antes do início da sessão estive conversando com os presentes aqui no plenário e eles clamaram pela redução do salário. Será apresentado no plenário na próxima reunião, no dia 1º [de outubro] e seguirá todo o trâmite normal de comissões e votações aqui dentro da casa”, afirma o vereador.
O que dizem os envolvidos
Em contato com a EPTV Sul de Minas, afiliada da Rede Globo, o vereador Rafael Santos Lambert emitiu uma nota repudiando o que chamou de “ataques” e afirmou que o áudio estava fora de contexto. Disse ainda que assinou o projeto apenas por ser presidente da casa e que, se precisasse votar, seria contra o aumento (leia a nota na íntegra abaixo).
A EPTV tentou contato com o vereador Luiz Paulo Nepomucenia, mas não obteve retorno.
Já a Câmara Municipal de Cambuí afirmou que os projetos “foram retirados de pauta e foram definitivamente arquivados, sendo que não há nenhum outro projeto tramitando com o mesmo conteúdo”.

Câmara de Cambuí — Foto: Reprodução EPTV
Veja na íntegra a nota enviada pelo vereador Rafael Santos Lambert:
Eu, Rafael Santos Lambert, venho à público repudiar os ataques que são desferidos a minha pessoa, com vazamento de áudio totalmente fora de contexto. Sou pai de família, trabalhador e todos os meus atos são e sempre foram transparentes. Assinei o Projeto de Lei por ser o Presidente e se tratar de obrigação institucional, assim como meus companheiros de Mesa o fizeram. Minha postura sempre visou prestigiar o colegiado e sempre penso na Instituição Câmara. Por questões de ordem regimental nem votaria, sendo que somente votaria em caso de empate, que, aliás, como é de conhecimento de todos, desempataria contra o projeto. Esses tempos nos fazem refletir o quanto podemos ser injustos ao compartilhar deliberadamente uma informação sem procurar saber sua origem de autenticidade. Comigo ninguém veio falar ou questionar sobre a veracidade do conteúdo; mas denegrir a minha imagem alguns fizeram. Estou à disposição para qualquer esclarecimento.
PS: Em relação à população, em nenhum momento me referi a ela. O que falei no áudio em questão é que meia dúzia de pessoas mau intencionadas usaram o projeto para denegrir, injuriar e ameaçar a Câmara e seus vereadores. Neste sentido apresentamos aos mesmos a lei e suas implicações o que fez com quem eles retirassem tais manifestações nas mídias sociais.
Reprodução EPTV Sul de Minas
