

Um menino de 1 ano 8 meses e morreu na madrugada sábado (16/03), após receber os primeiros atendimentos no hospital municipal Santo Antônio na cidade de Cristais (MG). A criança foi levada pelos pais ao hospital na noite de sexta-feira (15/03). Após quase três horas de avaliação, a equipe cristalense, segundo a mãe da vítima, transferiu o bebê para Alfenas. Entretanto, a criança não resistiu e morreu ao dar entrada no hospital Alzira Velano. Ao DCB a mãe da criança disse que a médica do hospital universitário não deu muitos detalhes, mas declarou: “seu filho chegou morto aqui”. Indignada, a família procurou o Ministério Público em Campo Belo (Cristais pertence à comarca) e denunciou o caso. Uma exumação no corpo do menino deve ser pedida pela justiça. O Secretário de Saúde de Cristais disse que irá se manifestar somente na esfera judicial.
Já o hospital de Alfenas confirmou que a criança chegou praticamente em óbito naquela unidade. “Antes de sair do transporte ele apresentou uma parada cardiorespiratória, foi reanimado, mas em seguida veio a óbito”.
Os pais acreditam em negligência do hospital de Cristais, considerando que, há um mês, acumularam idas e vindas ao hospital com a criança e a equipe médica sempre dizia que “não era nada grave,” declarou a mãe do pequeno Pedro Lucas, Luana Silva do Nascimento.
Luana diz que há um mês aproximadamente começou a procurar atendimento médico ao filho na sua cidade de origem (Cristais). Ela acumula receitas médicas (todas ministradas) e os exames solicitados. “Ele estava gripado. No primeiro raio-x feito ainda no ano passado já indicava água no pulmão, no entanto, os médicos nunca nos apontaram a gravidade do caso. Diziam ser começo de pneumonia, mas nada grave. Prescreviam xarope. Retornava e era sempre o mesmo diagnóstico”, relatou a mãe do menino sepultado no sábado em Cristais.
O único problema do garoto, segundo a mãe, era febre alta. “Procurava o hospital e aplicavam diporona na veia. Abaixava a temperatura do meu bebê e davam alta. Na semana que ele morreu, eu o levei ao hospital, o médico de plantão olhou o raio-x e eu perguntei se não era nada grave. Ele me garantiu que não tinha gravidade naquele exame de imagem. Apenas disse que pediria um novo hemograma. Repetimos e ele adiantou que se o hemograma apresentasse alterado novamente, ele indicava internação”, contou a mãe ao DCB.
No dia seguinte o exame indicou uma alteração considerável, de acordo com a mãe da criança. Pedro era considerado um menino ativo, saudável, brincalhão e carinhoso, por isso a mãe nunca imaginou que o quadro evoluísse tanto. “Durante o dia foi minha sogra que o levou ao hospital (estávamos trabalhando e o médico anterior disse que não seria nada grave) e a médica, apesar de ter constatado a alteração no hemograma, não o internou e mandou meu filho pra casa, por volta das 15 h30 da tarde de sexta-feira (15/03)”, detalhou a mãe.
Diante da recusa da profissional, a sogra de Luana voltou com o neto pra casa. Deram banho na criança e ofereceram-lhe o jantar. Os remédios foram ministrados e os pais colocaram a criança pra dormir. Momentos que Luana conta emocionada. “Ele nos chamou e disse: – mamãe tá dodói, mostrando-me a garganta. Então eu respondi: – filho, mas fé que papai do céu vai te curar. Você acredita? Ele me respondeu: – Tá! Eu perguntei novamente o que ele tinha na garganta, pois o levaria ao médico naquela hora. Dei a medicação indicada e ele brincou alguns minutos comigo e o pai dele. Nos beijou, disse que nos amava (mamãe eu te amo!) e dormiu. Como ele sempre nos beijava, nós consideramos normal aquela situação”, contou Luana emocionada ao site.
De acordo com ela, por volta das 22h40 a tensão tomou conta da família novamente. “Ele tossiu, nós pedimos que ele acordasse. Meu marido fez massagem e nós corremos com ele pro hospital, a pé mesmo. Ele estava respirando na porta do hospital. Nós entramos com ele vivo e a partir do momento que entraram com meu filho no hospital em Cristais não o vi mais acordado”, relembrou emocionada a mãe de Pedro.
Ainda segundo ela, eles viram o momento em que entubaram a criança. “Meu sogro abriu a porta desesperado para ver o que estava acontecendo e chamaram a polícia pra ele. Eu perguntava as enfermeiras que passavam pelo local e a única resposta que tivemos é que a médica estava tentando estabiliza-lo”, citou Luana.
Ela acredita em negligência. “Foi. Pra mim, mãe, que está passando o filho a um mês no hospital, toda medicação prescrita foi ministrada. Toda a medicação ainda está aqui em casa. Fizemos raio-x, hemograma. Como mãe, eles tinham que nos passar o diagnóstico correto. Eu procuraria outros recursos. Meu filho poderia estar vivo. Foram vários médicos. Nenhum nos deu uma posição precisa”, indignou-se.
Ainda conforme as declarações da mãe, eles chegaram no hospital de Cristais às 23 horas e saíram pra Alfenas às 02h30. “Falta de responsabilidade do hospital. Cristais não têm aparelhos que poderiam salvar a vida de uma criança. Deveriam ter encaminhado pra Campo Belo ou qualquer outra cidade mais perto e com mais recursos., mas não esperar tanto tempo! Cristais não tem recursos e não podem segurar pacientes em estado grave. Não quero dinheiro, quero respostas, quero justiça!”, afirma a mãe do pequeno Pedro Lucas.
►Outro lado
O Secretário de Saúde de Cristais, Afonso Aguiar, disse ao DCB que o óbito foi em Alfenas. Ao ser questionado sobre o tratamento anterior no hospital cristalense, o gestor não quis se manifestar e acrescentou que só fala em juízo.
De acordo com a jornalista responsável pela assessoria de imprensa do hospital Alzira Velano, Soloni Viana, o menino chegou às 4h22 na instituição em Alfenas. Ao entrar no hospital (saindo do transporte) teve uma parada cardiorespiratória. “Foi realizado um atendimento urgentíssimo no mesmo local para ressuscitar a criança e encaminha-la ao UTI. Teve um sucesso parcial. Voltou a respirar, mas em 5 minutos veio a óbito. Óbito registrado às 5h01. Ele já chegou praticamente morto. Morreu na porta do hospital”, pontuou a jornalista.
Receitas:
A receita que a mãe guarda em sua documentação comprava que na sexta-feira (15h30), a criança passou pelo hospital acompanhada da avó.
