A Polícia Civil de Lavras (MG) investiga se o assassinato de Lídia Acsa da Silva, de apenas 2 anos, foi premeditado. A menina foi morta esfaqueada pela própria mãe, Sabrina da Silva de 29 anos, que confessou o crime após ter procurado a polícia na noite de domingo (13/11/2016).
Segundo as investigações, a mãe devia pagar pensão para a filha, mas não estava pagando e chegou a ter um mandado de prisão em aberto devido à dívida. No entanto, dois dias antes do crime, ela participou de uma audiência em que pagou parte do valor e parcelou o restante. “Há informações que ainda estão sendo apuradas, porque as investigações prosseguem, de que ela teria, poucos dias antes do crime, confirmado que o marido tinha conseguido, como ela disse, um presente para ela, que seria essa decisão de que ela deveria pagar pensão. E que alguns dias depois, ela disse que ia conseguir um presente de volta para ele. Então a partir dessa informação que nos chegou, as investigações vão prosseguir para verificar se houve uma premeditação, se dias antes do crime, ela já planejava fazer esse homicídio, atentar contra a vida da própria filha”, explicou o delegado Marcelo Viela Guerra.
Revoltados, moradores do bairro Fonte Verde, onde o crime aconteceu, destruíram a casa onde Sabrina morava, o que causou prejuízos também ao pai da criança. A depredação também está sendo investigada. “Nós já temos os nomes de algumas pessoas e vamos buscar o nome do máximo possível de envolvidos para responsabilizá-los, até mesmo porque as pessoas, nesse afã de fazer justiça com as próprias mãos, acabaram afetando o pai da menina, o ex-marido da [mãe], que também é proprietário da casa. Então ele, além de ter tido a filha assassinada, perdeu o imóvel”, completou o delegado.
O crime
Uma criança de dois anos de idade foi assassinada no início da noite deste domingo (13/11) no bairro Fonte Verde em Lavras (MG). De acordo com a mãe da criança, o crime teria sido cometido por criminosos que tentaram assalta-la e mataram a menina com um golpe de faca no pescoço. Devido à gravidade do estado de saúde da criança, a mesma foi conduzida por militares à Unidade Regional de Pronto Atendimento (URPA), porém, a pequena não resistiu e morreu a caminho do atendimento médico. Segundo a polícia, ao relatar o caso, a mulher ainda tentou despistar, mas aos 45 minutos da madrugada desta segunda-feira (14/11/2016) ela assumiu ter cometido o crime por desavenças com o pai da criança. A mulher será indiciada por homicídio qualificado.
A criança de dois anos, identificada como Lídia, só não foi decapitada porque a cabeça ficou presa ao corpo pela coluna vertebral. O crime bárbaro aconteceu na rua Ibrahin da Silva, no bairro Fonte Verde e a Polícia Civil pretende esclarecer o homicídio ainda nesta noite.

Criança de 2 anos foi morta pela mãe na noite de domingo (13) em Lavras (Foto: Eduardo Cicarelli / Jornal de Lavras)
Conforme a PM, foi a mãe da criança quem acionou a polícia dizendo que ela e a filha haviam sido assaltadas na rua e que a filha estava ferida. De acordo com a Polícia Civil, em depoimento, a mulher afirmava que o crime teria sido cometido pelo assaltante, mas caiu em contradição ao ser questionada pelos policiais.
Dois delegados ficaram responsáveis pelo casos e trabalharam nele até a madrugada. Rafael Arruda (foto), da Delegacia de Homicídios e Tráfico de Drogas, e Alexandre Rezende Vieira, da Delegacia de Furtos e Roubos, estavam de plantão no domingo na Depol de Lavras, quando ocorreu o homicídio. Eles desvendaram o crime cerca de 6 horas após ter sido cometido: a mãe, Sabrina Silva de 29 anos, confessou ter matado a criança.
A princípio a mãe apresentou versão de que havia saído com a criança para ir à casa de uma amiga e que, no caminho, foi assaltada por um ladrão que pediu seu celular e R$ 200. Ela disse que não tinha e, segundo sua versão, o assaltante disse que não a machucaria, mas machucaria sua filha, para ele ter tempo de fugir. Ela continuou a versão dizendo que o suposto agressor cortou o pescoço da menina com uma faca, fugiu e ela voltou para sua casa com a filha gravemente ferida. Chegando em casa telefonou para seus familiares e a polícia foi acionada.
De acordo com os delegados foram encontraram inúmeras contradições na versão da mãe, dentre elas, que a perícia refez o trajeto apontado por ela e não encontrou sangue no caminho que a mãe disse ter percorrido de volta até sua casa. Também foi encontrada na residência, uma faca que aparentemente foi usada e limpa, mas que ainda tinha resquícios de material parecido com sangue. Foi encontrada, ainda, uma toalhinha também suja com material semelhante a sangue, abrindo a suspeita de que esta toalha foi utilizada para limpar a faca.
Outro ponto controverso foi o fato da perícia ter constatado que havia três cortes no pescoço da garota, dando indício de que o autor hesitou nas duas primeiras tentativas, o que levantou a suspeita de que o assassino tinha proximidade emocional com a vítima, e não conseguiu cortar seu pescoço na primeira vez.
Velório
Durante o velório da criança, os parentes estavam inconformados. Os moradores revoltados destruíram a casa onde morava a mulher. Os familiares da criança só conseguiram tirar os móveis com a ajuda da polícia.
