


Por causa da pandemia do novo coronavírus, escolas estaduais permanecem fechadas; aulas agora, só à distância — Foto: Pedro Triginelli/G1
“Tenho alunos com 10 anos que não sabem ler ou escrever. Como este aluno vai avançar para o sexto ano, se não conseguiu adquirir nem o conteúdo básico, que seriam das séries iniciais, que é a alfabetização?”
O desabafo é da professora Fernanda*, que dá aulas em uma escola estadual da Região Nordeste de Belo Horizonte. A preocupação dela e de outros educadores ganhou um capítulo a mais quando o Governo de Minas instituiu, após dois meses sem aulas, o ensino à distância na última segunda-feira (18), por causa da pandemia do novo coronavírus. “Meus alunos não vão dar conta”, afirmou.
O Regime de Estudo Não Presencial foi apontado pelo Governo do estado como a alternativa para manter as atividades dos alunos enquanto durar a pandemia. Ao lançar o programa cinco dias antes do início do funcionamento, a Secretária de Estado de Educação, Júlia Sant’anna, enfatizou que a estratégia é suavizar os efeitos do distanciamento social na vida das famílias e fazer com que a rotina de aprendizado seja garantida neste momento. Mas a realidade, segundo Fernanda, é bem diferente. Muitos alunos vão para escola para se alimentar, pois não têm o que comer em casa. “Numa sala com 23 alunos, se cinco tiverem acesso à internet, a um computador para fazer as atividades é muito”, lamentou a professora.
Assim como outros professores da rede estadual, Fernanda não recebeu pagamento do 13º de 2019, nem o salário do mês de maio, mas precisou se adaptar ao modelo de ensino à distância que ela diz ter sido imposto pelo Governo. Segundo a professora, ela só foi avisada no dia do lançamento, sem ter recebido qualquer treinamento ou preparação para a condução das atividades.
“Meu trabalho agora é preencher tabelas, é maquiar. Hoje, acordei ás sete da manhã, assisti as teleaulas. E meu aluno que não assistiu? Vou tirar dúvida de quem? Vou preparar atividade para quem?”, questionou.
A professora teme que a maior parte dos alunos ainda desconheça o processo de aula à distância. “A única coisa que pediram [direção da escola] é que, quem tiver meio de acesso com alunos, deve ligar pra família. Como é que vou avisar? Não dá para passar de casa em casa, para avisar que as aulas são online. (…) Me preocupo, porque vão tocar de qualquer jeito”, concluiu. Ainda de acordo com a pasta, o “papel dos professores é de conhecer as ferramentas e os conteúdos dos Planos de Estudos Tutorados (PETs), para dar o suporte e orientação aos alunos, conforme organização de cada escola”. As orientações estão disponíveis na página da SEE.
Sobre o pagamento de salários, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou, nesta quarta-feira, que a primeira parcela será paga no dia 22 de maio e a segunda, no dia 27. E que também vai quitar o 13º de 15% dos servidores públicos que ainda não receberam o valor total. Vale lembrar que os vencimentos dos servidores da Saúde e da Segurança Pública já foram pagos, integralmente, no dia 15 de maio.
Fonte: G1/EPTV Sul de Minas
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