

▶️ Seu mundo teve uma reviravolta em maio de 2024; ela faz um alerta – “plantonista obstetra precisa estar presente.”
A dor da perda gestacional é uma das mais difíceis de enfrentar, mas também é capaz de revelar a força e a fé de muitas mulheres. Esse é o caso de Maria Fernanda, moradora de Campo Belo (MG), que viu sua vida mudar completamente após perder o filho aos 9 meses de gestação. Maria Fernanda, tem 22 anos. “Não fui a primeira e não serei a última, mas espero trazer esperança e que muitas mulheres se sintam abraçadas por mim com a revelação da minha triste experiência,” conta emocionada a mãe do anjo Ibrahim.

▶️ História
Segundo Maria Fernanda, no domingo 19 de maio de 2024, com 38 semanas de gestação, ela apresentou uma dor abdominal e procurou atendimento no Pronto Socorro da Santa Casa de Campo Belo. O plantonista estava de sobreaviso, e prescrevia por telefone. “A enfermeira ligou pro médico, descreveu o meu quadro e ele prescreveu Buscopan e disse que na 2ª eu seria avaliada. Já na noite do referido dia eu senti uma dor estranha, mas como tinha consulta no dia seguinte, aguardei”, relembrou.
Na terça-feira, 21 de maio, Maria Fernanda não foi à consulta de rotina. Ela seguiu direto para a maternidade da Santa Casa de campo Belo. Lá, esperou cerca de uma hora e meia até ser atendida, já que a obstetra estava em um procedimento de histerectomia (retirada do útero).
Assim que terminou a cirurgia, a médica solicitou um ultrassom para a gestante. O exame trouxe a notícia que fez o chão desaparecer sob seus pés:
— “Maria Fernanda, o seu bebê está sem batimentos cardíacos. Provavelmente, já não está mais vivo dentro da sua barriga. Mas vamos tentar retirá-lo e reanimá-lo”, disse a obstetra.
A médica, com muita sensibilidade, perguntou se Maria gostaria da presença de alguém durante o procedimento. Ela respondeu que queria o pai do bebê, mas sabia que ele não chegaria a tempo. “Fui levada ao bloco cirúrgico e acompanhei todo o processo. Perguntei como estava meu bebê e me disseram que ainda estavam tentando reanimá-lo”, relatou emocionada.
Quando recebeu a notícia da partida do filho, Maria Fernanda sentiu o chão desaparecer sob seus pés. “Meu filho era muito perfeito. Eu não conseguia me mover. Olhei para ele e vi seu nariz sangrar. Naquele momento, o tiraram dos meus braços e o levaram. O dia 21 se tornou a pior data da minha vida. Sei que não sou a única a passar por essa dor, mas acredito que Deus tem um propósito na vida de cada um. Hoje, o que me resta é a cicatriz da cesariana e uma dor imensa”, desabafa.
Para ela, alcançar a paz significou aprender a aceitar os desígnios divinos. “O Ibrahim só descansou quando aceitei que ele havia retornado para os braços do Senhor”, afirma Fernanda.
Ela compartilhou seu testemunho para fortalecer outras mães que já passaram por essa dolorosa experiência e, ao mesmo tempo, deixar um alerta: o plantonista obstetra precisa estar presente.”
▶️ O luto gestacional e neonatal
De acordo com especialistas, o luto gestacional e neonatal ainda é um tema pouco discutido na sociedade, mas afeta milhares de famílias todos os anos. No Brasil, estima-se que ocorrem mais de 20 mil casos de natimortalidade por ano, segundo dados do Ministério da Saúde.
Para muitos pais, a falta de informação e acolhimento pode tornar a dor ainda maior. Por isso, iniciativas de apoio e escuta são fundamentais para que as famílias encontrem conforto.
▶️ Transformando dor em acolhimento
Maria Fernanda decidiu transformar sua dor em propósito. Ela ela contou a sua história com Bruno Alvarenga, além de compartilhar sua história nas redes sociais, levando mensagens de esperança. “Eu entendi que não estou sozinha. E quero que outras mães também saibam disso. Somos mães de anjos, e nosso amor pelos filhos é eterno”, destaca.
Publicado por Diário Campo Belo – 19/8/2025
Vídeo – Bruno Alvarenga/Gerar Testemunho Doí
