
Um morador de Campo Belo (MG), de 41 anos, foi diagnosticado com leishmaniose visceral. A doença foi descoberta há um ano, mas Bruno Vieira Barcelete ainda sofre com as sequelas da doença. De acordo com ele, os médicos disseram que teria sido o primeiro caso em humano confirmado na cidade. Na quinta-feira, 31 de outubro, completaram-se 12 meses de alta médica (ele ficou 30 dias internado em Belo Horizonte). Ele contou ao DCB que foi contaminado durante o trabalho. Bruno e a companheira trabalham recolhendo reciclagem.

Mesmo em tratamento, o morador sofre em momentos de crise: febre alta, falta de apetite, fraqueza no corpo, plaqueta baixa.
A doença deixou sequelas. “Ele é um vírus que ao ser reativado consomem as vitaminas do corpo. Órgãos ficam inchados, principalmente o fígado”, detalhou Bruno.

▶️ Descoberta
No ano passado, antes de ser confirmada a doença, Bruno relata que em setembro de 2023 começaram os sintomas. Ele ficou três meses internado. No primeiro mês, com diagnóstico inconclusivo, Bruno foi encaminhado para infectologista. “Do total de internação, dois meses foram em Belo Horizonte”, relatou.
Além dos sintomas já mencionados, o morador ainda apresentou um quadro de anemia. “Ela poderia se transformar em falciforme. Tomei oito bolsas de sangue e quatro plaquetas. Além disso, aplicaram uma vacina importada dos Estados Unidos. Um processo dolorido. São 06 horas na máquina enquanto a medicação é administrada”, revelou.

Além do tratamento doloroso, o casal tem passado por dificuldades financeiras. Ele não consegue trabalhar, devido às sequelas e somente ela tem tido renda. Quem puder ajuda-los com cesta básica, o endereço é Rua Guarani, 22, São Benedito.

▶️ O outro lado
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, o paciente apresentou os primeiros sintomas no dia 07/09/23 e foi feita a notificação no dia 05/10/23, sendo o paciente encaminhado para tratamento no Hospital Eduardo de Menezes.
Na ficha de notificação, consta que recebeu tratamento com anfotericina, confirmação laboratorial, e evolução de caso consta como cura, com data do encerramento em 10/10/2023.
A pesquisa entomológica e testes em animais foi realuzada em um cão e foram negativos para leishmaniose. Com isso, o caso foi encerrado, ressaltando-se que não há como saber onde o paciente foi contaminado.
▶️ Doença
A leishmaniose visceral também é conhecida como calazar. Esse tipo de leishmaniose afeta os órgãos das vísceras, como o baço e o fígado, além da medula óssea. Os sintomas da leishmaniose visceral incluem febre, tosse, dor abdominal, anemia, perda de peso, diarreia, fraqueza, aumento do fígado e do baço, além de inchaço nos linfonodos.
De forma geral, a leishmaniose visceral pode atingir crianças até os dez anos de idade e é considerada a forma mais aguda da doença. Se seus sintomas não forem tratados, ela pode evoluir e causar o óbito dos pacientes.
De acordo com a Vigilancia Epidemiologica, o paciente recebeu tratamento e foi realizada pesquisa entomológica na residência dele. Na época não foi indentificado nenhum foco do mosquito palha. “Fizemos, inclusive, o teste em um cão dele que deu negativo”, afirmou Everton, chefe de endemias do município.
▶️ Mosquito-palha
Mosquito-palha é um inseto hematófago da família dos Psychodidae. É um dos principais vetores da leishmaniose visceral.
O mosquito-palha é um flebotomíneo cujo desenvolvimento das larvas depende de alimentação proveniente de matéria orgânica depositada no solo. Somente as fêmeas do mosquito-palha se alimentam de sangue, por isso são chamadas de hematófagas.
Após o acasalamento, as fêmeas do mosquito-palha se alimentam de sangue, pois é das substâncias presentes nele que as elas obtêm os nutrientes necessários para o desenvolvimento dos seus ovos, os quais depositará em ambientes de sombra, úmidos e ricos em matéria orgânica.
▶️ Como identificar o Mosquito-palha

O mosquito palha tem este nome devido a sua cor que lembra a tonalidade amarelada da palha. É um mosquito muito pequeno com longas asas. Ainda sobre as asas, elas possuem pequenos pelos bem característicos da espécie.
Normalmente é encontrado em locais úmidos, com pouca luz e com muita oferta de matéria orgânica (restos de folhas, dejetos etc.). E como dito anteriormente, a matéria orgânica é muito importante no ciclo de desenvolvimento do mosquito palha. Este ciclo contém quatro fases, que são:
Manter quintais, terrenos e criadouros de animais, como galinheiros por exemplo, sempre limpos é um dos primeiros cuidados que as pessoas devem ter. Após o acasalamento, as fêmeas do mosquito-palha, um dos principais vetores da leishmaniose visceral canina depositam seus ovos, especialmente em substratos úmidos e ricos em matéria orgânica, tais como: fezes de animais, folhas secas, frutos em decomposição e até lixo doméstico.
Os animais domésticos, em especial os cães, estão entre as principais fontes de alimento da fêmea do mosquito-palha, e é por isso que o uso de repelentes tópicos como o Vectra 3D é altamente recomendado.


Publicado por Diário Campo Belo
01/11/2024 – 09h04
