

Um homem, de 44 anos, foi preso por suspeita de injúria racial contra uma funcionária do bar de um clube social, em Campo Belo (MG). A vítima, de 41 anos, estava trabalhando no momento das ofensas. A confusão teria começado por causa de uma comanda.

De acordo com a funcionária, uma amiga do acusado foi ao bar usar a ficha e lhe foi explicado que o expediente havia sido encerrado, mas o consumo poderia ser feito outro dia. “Logo em seguida, ele veio exigindo o consumo. Ele se recusou entender a minha explicação. Queria o dinheiro dele ou a sua porção. Expliquei que o expediente da cozinha estava encerrado, mas essa ficha poderia ser consumida no dia seguinte,” relembrou a funcionária agredida.
Começaram então as agressões verbais, segundo a vítima. “Ele batia no balcão e gritava: – babaca, otária, cretina. Você tem que me servir, sua assalariada. Quem você pensa que é sua negrinha do cabelo duro!” contou a funcionária.

Ela disse que travou. “Fiquei sem reação. Falta de ar e tremia, semelhante à síndrome do pânico”.
De acordo com ela, além de outras duas funcionárias, um policial civil, que estava passado no local, assistiram a cena. “Chamamos o segurança e ele (agressor) foi retirado do local. A princípio, resistiu. Ao fechar a porta de blindex do Clube, ele e deu voadora no vidro,” acrescentou a funcionária agredida.
Ela ainda completou que o policial civil o abordou e disse que ele estava errado. “Totalmente transtornado, queria voltar ao bar. Não conseguiram contê-lo e chamaram a Polícia Militar,” citou.
Na delegacia, segundo a funcionária, o suspeito continuou transtornado. “Ele rezou. Disse que não havia cometido às ofensas, que nunca havia ido ao clube, totalmente sem nexo”, acrescentou.
A vítima se sente em conflito. “Nunca pensei em vivenciar tal situação. Estou tentando entender o que o levou a tal atitude. Achei que nem existia mais a questão de preconceito. Sentimento de insegurança, inferioridade”, disse.

Conforme Dr. Matheus Nascimento, delegado que cuida do caso, o homem ainda tentou resistir à prisão, mas foi contido. Segundo ele, a ocorrência foi registrada na madrugada de sábado, dia 20 de janeiro. O crime de injúria, conforme o policial civil, se equiparou ao racismo e é inafiançável. O delegado de plantão ratificou o flagrante. Porém, na audiência de custódia foi concedida liberdade provisória ao suspeito.

O presidente do Campo Belo Country Club, Reginaldo Baia lamentou o episódio.
A lei 14.532/2023, publicada em janeiro do ano passado, equipara a injúria racial ao crime de racismo. Com isso, a pena tornou-se mais severa com reclusão de dois a cinco anos, além de multa. O crime não cabe fiança e é imprescritível.
