

Há cinco tipos de violência: psicológica, sexual, patrimonial, física e a moral. “Quando ele difama a mulher pra outras pessoas. Muitas vezes é necessário a mulher identificar o tipo de violência e não deixar ao ponto extremo, onde não se consegue mais ajuda”, enumerou a advogada Andreia Souza Moreira
A violência contra mulheres constitui-se em uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos, atingindo-as em seus direitos à vida, à saúde e à integridade física. O caso ocorrido no último final de semana em Campo Belo (MG) chocou a sociedade. Uma jovem, de 24 anos, foi brutalmente agredida pelo seu companheiro. Ela foi socorrida, levada para o hospital em estado grave e na noite de segunda feira (25/07) a transferiram para Divinópolis. Ela está intubada. A produção do DCB entrevistou duas das integrantes do Projeto “Não se Cale”, uma rede que oferece apoio as mulheres vítimas de relacionamento abusivo.
Dra Andreia Souza Moreira falou sobre o projeto e a delegada da mulher, Dra Jéssica Ribeiro, explicou sobre as medidas tomadas pela Polícia Civil no caso registrado na madrugada de sábado para domingo. O Projeto foi fundado em Campo Belo pelas advogadas Bianca da Silva Barros e Gabriela Albernaz junto com o então juiz de direito da Comarca, Dr. Leonardo Guimarães Moreira.
Conforme Dra. Andreia, o Projeto “Não se cale” está ativo em apoio as mulheres que sofrem qualquer tipo de violência doméstica. Essa estrutura oferece uma rede multidisciplinar composta por psicólogos, advogadas, assistente social. “A rede se estende a família e não somente a vítima. Os filhos, os pais, todos os envolvidos são amparados. A violência doméstica não é praticada somente contra as mulheres, mas contra a família, os filhos. O Projeto tem atuado para ajudar essas mulheres, a encoraja-las a não esperar uma mudança. Muitas mulheres não denunciam porque acreditam em uma mudança. Foi o que aconteceu no caso recente em Campo Belo. Conversamos com a vítima, mas a mesma acreditava em uma mudança, acreditava ser fatos isolados”, pontuou a advogada.
Para Dra. Andreia, a atitude tem que ser da mulher. “Se a mulher não mudar, o agressor não muda. A vítima tem que mudar essa chave e ter uma rede de apoio, seja da família ou do “Projeto Não se Cale”. Em Campo Belo há uma rede de apoio vasta: Executivo, Judiciário, Polícia Militar, Polícia Civil e Promotoria. Todos empenhados em apoiar as vítimas de violência doméstica”, esclareceu a integrante do projeto “Não se Cale”.
Para que a rede que a rede funcione é necessário a iniciativa da mulher. “Nós não denunciamos. Essa mulher será avaliada por profissionais (psicólogos) para que a mesma se encoraje e entenda o que está acontecendo, o seu sofrimento. Isso não é passageiro, não é bobeira, não irá ter mudanças sem que ela tenha um passo a mais. Quando ela decidir por esse passo estaremos dispostos e preparados para ajudá-la”, acrescentou.
De acordo com a Dra. Andreia, o acesso mais fácil ao Projeto “Não se Cale” é através do Instagram: ProjetoNãoSeCale tem um link, o qual será acessado um Aplicativo de Mensagem. “Tudo que acontece no WhatSapp é sigiloso. Ninguém terá acesso as informações. Nele tem advogadas, psicólogas e assistente social. Quando a mulher se sentir segura e decidir denunciar nós iremos acompanha-las a delegacia e a Dra Jéssica Ribeiro (delegada da mulher) estará pronta para ouvi-la. Nesse caso entraremos com a rede de apoio completa”, citou.
A advogada elencou as situações em que a mulher consegue identificar se é vítima de relacionamento abusivo. Há cinco tipos de violência. “Apesar de silenciosa, é a mais utilizada, trata-se da psicológica. Ele monitora o celular da mulher, não permite a visita aos pais sem a sua presença, a priva de relacionamento com amigas. Ele sempre menospreza a mulher e a critica em todas as circunstâncias. Ele consegue gerar a dependência emocional. É a mais perigosa por ser silenciosa. A física deixa marcas, mas a psicológica não. Essa violência precisa ser barrada. É importante a mulher ter independência emocional. A mulher precisa ser respeitada, amada, cuidada, valorizada e não sofrer violência”, alertou.
As outras violências, segundo Andreia, são: violência sexual, patrimonial, física e a moral. “Quando ele difama a mulher pra outras pessoas. Muitas vezes é necessário a mulher identificar o tipo de violência e não deixar ao ponto extremo, onde não se consegue mais ajuda”, enumerou.
Investigação
A delegada da mulher, Dra Jessica Ribeiro, falou sobre a questão jurídica no caso da agressão a jovem de 24 anos ocorrida na madrugada de sábado para domingo. Quando o fato foi reportado a Polícia Civil todas as providências investigativas foram tomadas. “Verificamos o estado de saúde da vítima no hospital. Diligenciamos para identificar possíveis testemunhas, fizemos levantamento da vida pregressa do agressor. O médico legista já realizou o seu trabalho e a perícia criminal compareceu no local dos fatos. No mesmo dia conseguimos fazer a representação pela prisão preventiva dele. O Judiciário e o Ministério Público foram ágeis. A prisão dele foi efetuada pela Polícia Militar após a decretação da prisão preventiva dele. Tão logo as diligências sejam concluídas, o caso será encaminhado à justiça”, informou.
Segundo ela, é um caso de tentativa de feminicídio. “Aquele praticado no contexto de violência doméstica ou então quando o agressor tem um menosprezo pela condição da pessoa ser mulher”, ressaltou.
Dra. Jessica alertou as mulheres sobre a importância da denúncia. “Praticamente todos os órgãos públicos fazem parte do Projeto. É uma rede integrada e ativa na luta contra a violência doméstica para que as mulheres tenham aparato quando necessitarem de ajuda”, garantiu a delegada.

O Projeto Não se cale se pronunciou sobre o assunto.
