O dia do Correio. Representante do Sindicato em Minas Gerais fala sobre os desafios da categoria

Hoje dia 09 de outubro é o dia do Correio. Para este dia o Diário Campo Belo, conversou com o representante do Sindicato do Correio em Minas Gerais, Higor Mendes,  para falar sobre a realidade da categoria atualmente. Durante toda a conversa, o representante falou sobre privatizações, as greves e também sobre a realidade atual que o Correios passa não só em Minas como no Brasil.

Higor relatou ao DCB, que no  ano passado aconteceu a maior greve da história dos trabalhadores dos Correios, visto que é a única empresa pública que está nos 5570 municipios do estado.  Isso acontece mesmo com o  serviço sendo interrompido pela intransigência da empresa, em mais de 50 cláusulas que os trabalhadores perderam. Cláusulas estas que segundo ele são históricas. Pra empresa, segundo o sindicalista não representava quase nada. Mas para um trabalhador que precisava deixar seus filhos em ensinos especiais, ele afirma que sempre  estava negociando as  cláusulas do passado.  2/3 dos acordos coletivos, segundo o representante, estavam  sendo arrancados depois de 36 dias de greve.

O trabalhador dos Correios é uma equipe muito aguerrida, uma categoria que sempre brigou por melhorias e por entender qual o real motivo da presença social dos Correios na vida de cada cidadão brasileiro, conta o Sindicalista.

Higor também falou sobre os desafios, começando pela negociação com o patrão . “A greve é o ultimo mecanismo que nós temos com relação ao patrão, quando o patrão não quer negociar. Novamente estamos em campanha salarial e o patrão não quer negociar da mesma maneira” relatou o sindicalista. Isso acontece , de forma sistemática, pois você ataca os trabalhadores , retira os direitos e prepara o campo para a iniciativa privada, que segundo o representante nem é brasileira, sendo que uma multinacional que acaba comprando uma estatal.

O representante também conta que quando começou, sabia da responsabilidade que tem os Correios, para levar medicamentos, para ajuda da vacinação, no que destacou que mais de 300 trabalhadores perderam a vida para a Covid-19.

Sobre a negociação atual,  o representante explica que estão sendo negociados não privilégios, mas cláusulas históricas e que foram conquistadas por meio de muita luta, e que complementa o salário deles, que segundo ele, representa o pior salário das estatais, equivalendo  a 1.700 reais, no que de acordo com Higor,  se esperava que no mínimo tivesse um plano de saúde para atender a família, um ticket-refeição para poder se alimentar, e por isso a luta para que seja garantido os direitos que já eram consideradas dos trabalhadores.

Nesta pandemia, o representante explica que houve várias greves, o que significa a luta pelos direitos da mulher, o combate racial dentro da empresa, pelo Correio ser  uma empresa de mais de  100000 trabalhadores.

O governo segundo Higor, tem pressa em privatizar os Correios, por ser uma categoria aguerrida e de muita luta, mas ele afirma que não é a favor para que isso aconteça. “ Privatizar significa desprezar. Esse desprezo que é essa politica que o governo vem construindo, que faz com que o que é publico pareça ruim e privatizando vai melhorar. O país é uma potência em serviço postal, mas com a privatização poderá abarcar somente os principais estados do Brasil, no Sudeste e no sul do país ”, conta o Sindicalista.

Higor conta que eles sempre tentam ir ao encontro de outros trabalhadores para entender o “adoecimento” da categoria, no que ele afirma ser doenças psicossomáticas, pois acaba por vender uma força de trabalho e a empresa não está te pagando aquilo que é justo, e o que é pior, deixa uma sequela no trabalhador, seja psicológica ou física.  Um outro problema destacado pelo Sindicalista, são os cães soltos que atacam muitos trabalhadores da empresa, algumas vezes sendo vários soltos nas ruas.

O Sindicalista que  trabalha há praticamente 15 anos como carteiro,  destacou o concurso que em demissões foram de mais de 40000 funcionários e falou sobre as dificuldades atuais da categoria. “ Eu tenho que fazer hoje o que antes faziam 6 pessoas, porque muitos já saíram ou por aposentadoria ou pelo motivo de não aguentar estar mais no trabalho, não conseguindo se reorganizar. É importante a população entender, que o trabalhador dos Correios para exercer bem o seu papel, ele precisa estar bem psicologicamente, financeiramente, pois hoje eles tem que tentar se organizar pra comprar um botijão de gás, comprar um quilo de carne, e levar a vida do jeito que a gente pode, sem abrir mão de lutar pelos nossos direitos.  ”, destaca Higor.

Higor relembrou grandes feitos da estatal, que na criação do Banco Postal, os Correios conseguiu ter uma agência de Banco do Governo Federal, em todos os 5570 municipios graças as agencias dos Correios, onde através destas agências, 35 milhões de contas foram abertas e reitera que foi um marco histórico para aquelas que não tiveram acesso algum em um banco.

O Sindicalista também levantou a questão dos microempreendedores, que constituem aí 80 % do povo brasileiro, usam as estruturas dos Correios para obter a sua margem de lucro mesmo que mínima, fazendo toda a interligação do país.

Ele destacou que a estatal tem como vantagem destacou também que qualquer produto que é destinado a venda,em qualquer lugar do país, acontece pois sabem que pode ser entregue pela própria categoria com o produto chegando ao , o fato de que quem utiliza dos serviços dos Correios sabe que o produto chega ao local sem estar danificado e também com o rastreamento feito desde o momento da saída do local de origem ao da chegada, com um custo mais baixo que outras concorrentes.

Quando perguntado sobre as situações em outros estados e também em outros países , Higor destaca que muito se fala que o Correio na França e na Alemanha é privado, e que no Brasil há monopólio, somente de cartas e telegramas, encomendas não há monopólio e sim livre concorrência. A melhor opção é os Correios porque o preço é 3 vezes mais barato que da concorrência. Além disso falou sobre a diversidade de situações nos estados. “ No Brasil você encontra desde as baixas temperaturas, no Rio grande do Sul, até as altas temperaturas, e em todos estes lugares o Correio está lá” destacou o trabalhador da estatal que existe desde o ano de 1663.

 

 

 

 

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