
Moradores de Campo Belo se reuniram na frente da residência de uma mulher acusada de praticar injúria racial para protestar contra a atitude da mesma. A manifestação foi na noite de quinta-feira (04//03) .O conteúdo dos áudios ofensivos foi gravado por uma pessoa ainda não identificada (que trocava mensagens com a acusada) e foram vazados em grupos de aplicativos de mensagem. Textos com a foto da acusada também foram expostos. Eles também faziam alusão ao racismo. O conteúdo dos áudios causou indignação: macaco, preto, fedido (a) consta no material que viralizou na rede. Ela ainda fala de forma pejorativa de moradores (as) do bairro onde reside e faz piadas com a cor da pele e da parte íntima de mulheres negras. “Essa raça de macaco quando não ‘caga’ na entrada, ‘caga’ na saída”, consta em alguns textos que teria sido feito no celular da acusada. Logo após a repercussão negativa, ela (acusada) própria divulgou em redes sociais que o celular havia sido roubado e clonado. Na quinta-feira (04/03) postou um vídeo pedindo desculpas e alegando problemas de saúde.
A polícia militar esteve no local. Antes da chegada deles, pedras foram atiradas contra os moradores e alguns reagiram. Os manifestantes mostraram os áudios da mulher aos policiais. Um morador, que também é negro, disse ao militar Dias que desejava fazer uma representação formal contra a atitude da mulher. “Senti-me muito ofendido. Sou negro, sou morador do bairro e quero respeito. Estou fazendo isso para que haja justiça. Todos somos iguais”, desabafou o Silvestre – que seguiu para o quartel da PM e formalizou denuncia.
Segundo o delegado plantonista, dr. Alessandro Gambogi, foi instaurado procedimento e a conduzida foi liberada pois não houve vítima na delegacia para oferecer representação criminal. “Aparentemente a mulher tem graves problemas mentais. Agora o procedimento será encaminhado à Delegada responsável para continuidade das investigações, pois as vítimas têm prazo de 6 meses para representação”, explicou o delegado. O policial acrescentou que a investigação definirá o crime cometido pela investigada. “Irá se apurar se o delito praticado pela investigada será o de injúria racial ou discriminação racial, sendo necessário maiores investigações. Outra coisa, não havia situação flagrancial”, citou Alessandro.
A mulher foi retirada da residência por policiais militares. Moradores de diferentes bairros da cidade se juntaram ao grupo. Evani é uma delas. “Somos uma cor só perante Deus. As palavras usadas por ela são ofensivas, nos machucaram. Ela nos desrespeitou”, frisou.
Evani considerou ousada a atitude da mulher ao insinuar que já havia sido acusada de racismo e nada lhe acontecera. “Ela disse que até perante o juiz já chamou uma pessoa de macaca e não houve punição. Ela disse que trabalha na área da saúde? E se for uma pessoa negra? Não deixaremos impune esta situação”, se posicionou.
Ingredi também se manifestou. “Como negra me senti ofendida. Queremos mostrar a ela que que negros tem voz. Ela cometeu um crime e tem que haver punição. Fizemos essa manifestação pacífica para mostrar a ela que a população campobelense merece respeito!”, Estamos aqui e queremos um pedido de desculpas”!





