Vereador que votou favorável ao Projeto Popular não tentará reeleição

Fim de legislatura e o vereador José Maria Junior (DEM) conversou com o DCB e descreveu à sua experiência legislativa durante o seu primeiro mandato eletivo. Ele não é candidato à reeleição, mas fez questão de apresentar uma prestação de contas à população de Campo Belo sobre á sua atuação parlamentar. José Maria é um dos três vereadores da Câmara que votou a favor do Projeto de Iniciativa Popular que propôs à redução e o número de cadeiras na Casa Legislativa, mas que foi rejeitado pela maioria (12 dos 15 vereadores). Foi eleito pelo PDT e atualmente está filiado Democratas.
O vereador, que irá se dedicar à vida acadêmica (doutorado) inicia a entrevista contando que em 2016 teve uma ampla reflexão sobre mudanças no cenário de ordem pessoal. Ele sentiu a necessidade de contribuir com a população de Campo Belo e ingresso em cargo eletivo. “Devolver aquilo que me foi investido pelo conhecimento, pela política, pela experiência. Oportunidade de ajudar a população e estar ao lado da minha família. Realizar um sonho da política eletiva municipal. Sempre fui técnico de governo e poderia contribuir pra administração pública”, explicou o vereador que não tentará à reeleição.
Para José Maria, o voto é um contrato de prestação de serviço. “A pessoa espera que eu trabalhe 4 anos e este contrato se expira em 31 de dezembro de 2020”, entende o vereador.
O político acredita que cada projeto tenha tido à sua importância, mas ele destaca, principalmente, o Fórum Municipal da Juventude. “Meu 1º Projeto, mas queria ter avançado mais nesta pauta. A sensação é de razoabilidade, posso dormir tranquilo, mas poderia ter atuado mais. Às vezes faltou embate, pois nadar contra a maré é complicado. Não consegui descobrir a origem da força contrária. Cheguei a ser taxado de difícil. No entanto, a experiência de vereador foi ímpar em minha vida. Sou uma pessoa desconfiada. Trabalhei muito profissionalmente e isso assustou muitos”, descreveu o parlamentar.


Uma das atuações diretas do parlamentar foi a causa animal. O projeto de Zoonoses é uma das políticas implantadas no município e que não existia, segundo ele. “A causa animal praticamente não existia no município (4 anos atrás). Chegamos em meio à um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) proposto pelo Ministério Público. Canil duplicado, uma confusão geral. Hoje há uma mínima política pública quanto à causa animal. O projeto de Zoonoses consolidará essas obrigações. Há o prazo de um ano para adequações”, ressaltou o fiscalizador.
Dentre suas atuações, José Maria destaca a eletrificação da Comunidade do Bom Jardim; Projeto de Defesa da Violência contra a Mulher; Festividades Congado, Asfalto do Porto dos Mendes. Além das lutas, o vereador comenta sobre as derrotas. “Redução da Taxa de esgoto do Demae; Assistência às famílias que visitam o presídio; A questão mal resolvida dos garis (limpeza urbana). Alguns tivemos êxito e outros não. Poderíamos ter feito mais, sim”.
Fila Zero
O vereador avalia a saúde de Campo Belo em momentos “bons e ruins”. “A questão do Fila Zero faltou um trabalho de auditoria. Ele foi lançado em um momento complicado. Houve mudanças na configuração por surtos da dengue, pandemia, que atrapalha essa evolução do trabalho e carece de um acompanhamento melhor”, pontuou o vereador.


Projeto de Iniciativa Popular


Antes do Projeto Popular, existia um Projeto de autoria de José Maria, do vereador Mark Rodarte e Orlando Bernardes, que embora não fosse tão rigoroso (a redução era de 15 para 11, e salário semelhante ao de secretário) também foi rejeitado pelos outros vereadores. Há uma questão regimental que se precisa de ao menos 5 votos para ir à votação. A proposta foi morta no começo”.
Em seguida teve a votação do Projeto Popular, que embora tenha tido o voto favorável dele e do vereador Mark, também foi rejeitado. “Infelizmente, os vereadores que votaram contrários têm sido cobrados por isso hoje (campanha municipal). Não tive a chance de me manifestar, à época, pois a maioria já havia rejeitado. A nossa função é ouvir os anseios da população. Longe de demagogia, politicagem, esta era uma proposta aceitável sim. Isso se chama democracia”, analisou o vereador.

Eleição
O vereador irá se dedicar à carreira acadêmica e deixou a politica partidária. “Vou me dedicar ao doutorado. A cadeira de vereador é para representar e este contrato que eu faço à população é para quatro anos. Sempre 24 horas de disponibilidade e a privacidade é mínima. Tenho vontade de voltar. Em 2022 já terminei este projeto (estudo), sou lotado em Lavras, e, conseguindo este retorno. No ano de 2024 quem sabe estarei de volta. Apoio dois candidatos: à causa social e à causa animal. Nestes próximos quatro anos a cidade terá um caminho melhor. Espero que em 2024 volte para somar ainda mais”, finalizou.


Experiência profissional e acadêmica
O vereador, eleito em 2016, possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007); graduando em Direito pela Universidade Federal de Lavras (2020), especialista em Direito Sanitário pela Fiocruz (2010) e em Gestão da Educação Pública pela Universidade Federal de São Paulo (2019), e mestrado em Justiça Administrativa pela Universidade Federal Fluminense (2018). É servidor de carreira do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e ocupou cargos importantes dentro do governo federal, como no Ministério da Fazenda, Fundação Nacional de Saúde, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Planejamento, Casa da Moeda do Brasil e Autoridade Pública Olímpica. De 2017 a 2020 dedica-se a função de vereador pela cidade de Campo Belo – MG.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!