
Uma adolescente de 17 anos da cidade de Cristais (MG) alegou à mãe ter sido impedida de assistir aula na terça-feira (12/03) na Escola Estadual Doutor Oscar Bicalho, por estar usando uma calça com detalhes. A mãe da estudante, Juliana Aparecida Moreira, disse que a filha cursa o 3º ano do ensino médio e que a direção da escola pediu para que a mesma fosse trocar a calça ou não entraria na instituição com a determinada calça jeans. “Foi uma humilhação”, contou a mãe da jovem ao DCB. A polêmica tomou conta das redes sociais e outros pais denunciaram situações semelhantes. O DCB entrou em contato com a escola. Segundo a direção, houve um mal-entendido, e a aluna quis ir embora “por conta própria”. Ninguém a impediu de entrar na instituição. Eles não sabem ao certo o que aconteceu. A diretora disse ao DCB que só tomou conhecimento da polêmica no dia seguinte, na hora do fato ela não estava na escola. A mãe confirmou que foi a vice-diretora que barrou a estudante.
Antes de dar declarações ao site, Juliana postou o acontecimento em sua página no facebook (com a foto da calça que teria sido usada pela filha na terça-feira). A publicação viralizou e ela ganhou apoio da comunidade. Já são 66 compartilhamentos e mais de 172 comentários. Em alguns deles, pais reforçam a denúncia feita por Juliana.

141 curtidas, 172 comentários e 66 compartilhamentos. Este é o resultado até o momento da publicação de Juliana, segundo ela, em defesa dos direitos da filha. (Reprodução diariocampobelo)
A mãe da estudante disse que está revoltada com a situação e no dia em que teria sido impedida de assistir aula, a filha tinha avaliação. Ela acrescentou que são humildes e não têm condições pra comprar outra calça. “Em que país vivemos? Um país onde se obriga menores a estudar e o aluno vai à escola e é barrado na maior humilhação por causa de roupa e sem comunicar aos pais? Corremos atrás de direitos, aliás que direito? Agora o dever a gente tem que cumprir né?”, desabafou a mãe em rede social.
Segundo ela, a calça usada pela filha não era customizada. Tinha apenas um detalhe e pertence a própria mãe. “Sei da forma adequada pra ir à escola. A calça que ela usava era minha. Não estava inadequada, mesmo assim, disseram que era pra ela ir em casa e troca-la. Não moramos em Cristais e sim, na roça. Todos sabem disso. Minha revolta é porque ninguém me procurou para dar uma satisfação. Amanhã ela vai pra escola com a mesma calça e vai entrar”, adiantou Juliana.
E nesta quarta-feira (13/03) o pai da estudante que a levou pra escola. Ela não foi barrada, mas disseram, segundo a mãe, que eles tem um prazo pra que a calça seja substituída. “Até comprar outra ela pode usar a mesma calça ou a escola dará uma calça permitida para que a estudante use no ambiente escolar. Sempre fomos participativos na vida escolar de nossos filhos. Sempre compareci à reuniões escolares. Minha filha é aluna exemplar”, contou Juliana.
Juliana ainda disse que atendendo a um pedido da direção, a filha ligou para a mãe (Juliana) hoje e solicitou que a publicação sobre a denúncia não fosse divulgada. “Minha menina me ligou da escola (colocou no viva voz pra mostrar à direção que eu estava irredutível) e pediu para que eu não publicasse no jornal. Estou indignada. Só não tiro minha filha da escola, pois preciso dar um futuro melhor a ela”, desabafou Moreira.
Em momento algum, de acordo com a mãe, foi avisado aos pais sobre regras de vestimento na escola. “Não me oponho a usar uniforme ( é uma forma de identificar os alunos), apenas a maneira como foi feita. Comunicada aos alunos. Regras devem ser repassadas aos pais ou no ato da matrícula,” pontuou a mãe da adolescente envolvida na polêmica da calça.
Depois da publicação de Juliana, outras mães entraram em contato com o DCB e disseram que já passaram pela mesma situação. “Semana passada minha filha foi impedida de assistir aula, pois estava com calça singida. Ela perdeu 5 aulas e teve que ficar na biblioteca. Liguei na escola, mas fui ignorada. Brigar sozinha não tem jeito. Se eles querem esta disciplina, eles tem que ofertar. Nem todos os alunos têm condições de adquirir. Semana passada tinha uma menina com um bordado de flor e também foi impedida de entrar. Agora disseram que irão padronizar: terá que ser calça azul ou preta. Será que todos terão condições? É escola pública. É revoltante a situação!”, acrescentou Neide, mãe de outra aluna da escola.
►Outro lado
O DCB encontrou em contato com a escola Osmar Bicalho. Segundo a diretora, ela não estava no local no momento em que teria ocorrido a polêmica com a filha de Juliana.Mesmo assim, ela se dispôs a adquirir uma calça para a aluna (ela – a diretora – é madrinha de Juliana). Emocionada, a diretora disse que dá à sua vida pela escola e o que aconteceu com a estudante do 3º ano do ensino médio foi um mal-entendido.A menina não teria sido barrada. Ligou pra mãe e depois foi embora.

A direção disse que conversou a com a aluna nesta quarta-feira e com o pai dela e o mal-entendido fora esclarecido. (Foto: Internet)
Segundo a direção, todas as medidas tomadas na escola são para melhorias no universo escolar e resguardadas pelo colegiado. A direção esclareceu que o conselho de pais e mestres da escola estadual decidiu, que os alunos não poderiam frequentar as aulas com shorts e bermudas acima do joelho ou calças customizadas. “A iniciativa de uniformizar a escola foi aprovada pelo conselho. Não foi uma medida arbitrária e o aluno que não tem condições de adquirir o uniforme, o mesmo é fornecido pela escola”.
A direção ainda disse que a aluna não sofreu nenhum tipo de constrangimento hoje e a situação foi explicada ao pai, que teria entendido a real situação. “Ela não foi mandada embora”, garantiu diretora.

3 Comments
É vdd msm me barraram na entrada da escola,não queria deixar eu entrar e ameaçou chamar o conselho tutelar pra mim.
*JUSTIÇA*
O problema é que o povo quer ter direito sem cumprir os deveres….querem uma educação igual uma escola particular mas com as regras de um puteiro….não tem dinheiro para comprar calça mas todos os alunos tem celular de mais de 700$. Nao entendem que um uniforme padrão é para a própria segurança dos alunos…Aí ajuda a polícia a identificar quem é aluno e quem não é…os pais deveriam educar os filhos e ensinar que regras (e leis) são para serem cumpridas, mas é mais fácil falar mal da escola e funcionários do que educar e ensinar o que é certo.
Pela fotografia que consta na matéria, a calça é inadequada, concordo que devam ter regras e limites para as roupas principalmente das meninas que querem adotar trajes inadequados, para se manterem na moda, mas essa calça que está na matéria não é nem de longe um traje adequado e hoje está difícil achar calças tradicionais, tudo tem detalhes e são rasgadas, eu tenho a maior dificuldade em achar roupas tradicionais sem detalhes ou sem manchas, para este mundo contemporâneo As manchas são chamadas de calça lavada, Eu particularmente, não gosto de calças com detalhe nenhum, mas não acha nenhum!!!!
Escola pública não pode exigir uniforme se a mesma não fornecê-lo.
A escola exagerou !!!!