Atualização
A audiência estava marcada para esta segunda-feira (17/12). Segundo a vítima, mesmo machucado, ele compareceu ao fórum. Entretanto, os dois acusados não compareceram à audiência no fórum da Comarca. O promotor acatou a denúncia e encaminhou a vítima ao exame de corpo delito e abrirá um inquérito policial. Eles (agressores) serão indiciados por lesão corporal grave. “Todos no fórum ficaram comovidos com a minha situação. Ficaram indignados. Juiz, escrivã, promotor. Agora é aguardar o processo. Se eu não tivesse procurado o MP, o caso seria arquivado “, acrescentou Sérgio.

Após mais de uma semana do crime, Sérgio ainda carrega na face as marcas das agressões. (Foto: diariocampobelo)
O que era para ser uma noite de diversão acabou em trauma e revolta para a família de Sérgio Coutinho. O homem de 43 anos alega ter sido agredido com soco inglês no Parque de diversões instalado na cidade na noite de sexta-feira (07/12). As agressões, segundo a vítima, partiram de funcionários do Parque e lhe renderam fraturas graves, que atingiram até a órbita que segura a visão. Além de fratura em outras regiões da face e no nariz. Foi necessária uma cirurgia em Divinópolis (MG) para tentar reverter o quadro. Ainda de acordo com o homem, a violência foi gratuita e na frente da sobrinha de 12 anos, que está traumatizada até hoje. O caso foi denunciado ao Ministério Público e uma audiência já foi marcada para esta segunda-feira (17/12). A direção do parque foi procurada pela Produção do DCB. Funcionários que estavam no recinto instalado à Avenida Edmundo de Assis Carvalho (próxima à UPA) alegaram que somente a direção pode se manifestar e que não teriam nenhum deles em Campo Belo no momento.

A produção do DCB esteve no local, mas funcionários disseram que somente o dono ou o gerente poderiam se manifestar.
O rapaz, que trabalha em São Paulo (SP), estava em Campo Belo passando férias e iria acompanhar a cirurgia de sua mãe, contou ao DCB que saiu para se divertir com a irmã e a sobrinha. Ele não imaginava que seria brutalmente atacado. “Nós saímos para nos divertir. Naquela noite encontrei no chão uma pulseira (bijuteria) e pedi a minha sobrinha que a levasse a bilheteria para anunciar e encontrar o provável dono. Naquele instante fui abordado por dois funcionários alegando que sabiam a quem pertencia a pulseira. Eu insisti que deveríamos entrega-la na bilheteria. Eles saíram do local e de repente voltaram com mais quatro homens e começaram a série de agressões físicas. Minha sobrinha entrou em pânico. Minha irmã tentou entrar no meio para evitar que eu fosse ainda mais atingido e um funcionário a segurou. Todos que estavam no parque ficaram vendo aquelas agressões e rindo, como se fosse plateia. Ninguém nos ajudou ou prestou socorro. Depois que eu estava bem machucado, um outro rapaz de blusa social apareceu e disse : – pode sumir daqui vocês”, relembrou ainda emocionado, Sérgio.
Após ser violentamente agredido, Sérgio foi levado pela irmã e a sobrinha à UPA que fica há cerca de 500 metros do local da agressão. De acordo com o laudo emitido pelo dr. Harley Lasmar, ele fraturou complexo zigomatico orbital (que segura a orbita). “Trauma facial por agressão. Realizou tomografia. Fratura do assoalho da orbita e laminaspapiraceas à direita e dos ossos próprios do nariz. Enfisema na pálpebra e região da pálpebra maxilar à direita”, consta no laudo do médico, que também é legista.
A vítima teve que ser encaminhada para Divinópolis (MG) onde passou por procedimento cirúrgico. Além da fratura próximo a órbita, os médicos mexeram no nariz, recolocando-o no lugar.
Sérgio não entende porque os agressores não foram presos em flagrante. Para ele, que entende da legislação, foi uma tentativa de homicídio. “Minha irmã, após o socorro, voltou ao parque com os militares, mas os mesmos não deixaram que ela descesse para fazer o reconhecimento dos agressores. “Eles não deixaram a minha irmã descer da viatura. Disseram-lhe que por segurança dela mesma, era pertinente que permanecesse dentro da viatura Ninguém foi preso”, citou o rapaz.
Segundo a PM, provavelmente, não houve prisão pela dificuldade de identificar os agressores.
A produção do site foi ao parque. Estavam no momento alguns funcionários. Após a nossa identificação, eles nos responderam que a direção estavam viajando. Ao dizer sobre o assunto em pauta, eles relembraram do caso “Ah do agente, parece? Só com eles e estão viajando. Nós não resolvemos nada, somente o dono e o gerente”, alegou um dos três funcionários que estavam no local.
Testemunha
Uma moradora de Campo Belo após ler a reportagem também se manifestou. Ela confirmou as agressões e ficou estarrecida com as cenas que presenciou. Para Samyra Soares, o parque deveria ter a licença cassada. “Eles colocaram esses seguranças depois do fato ocorrido. Eu estava nessa noite no parque com minha família. Na hora do acontecido estava em um dos brinquedos e foi a cena mais horrorosa de se ver. Ficamos abalados e na mesma hora fomos embora. Foi muito covarde a atitude do funcionário do parque em espancar o rapaz e os outros funcionários também juntaram na hora. Espero que essa audiência de hoje sirva para expulsar este parque da nossa cidade. Levam o dinheiro da cidade e ainda cometem essa atrocidade. A justiça tem que ser feita. Eles tem que pagar uma indenização para as vitimas e o juiz expedir um mandato para que esse parque saia daqui. Um absurdo! Sem falar no tanto de gente que entra com garrafas de bebida de vidro o que se tornam risco para as crianças que ali estão. O que era pra ser um lazer só em Campo Belo vira ring. A população deveria ser solidária a esse pessoal e não ir mais nesse parque”, concluiu Samyra.
Trauma
A menina de 12 anos, que saiu para se divertir, não quer mais saber de parque de diversões. “Eu estou chocada até hoje. Eu gritei muito. Nunca presenciei cenas de tamanha violência. Todo mundo assistindo meu tio ser espancado e ninguém fez nada. É muito revoltante. Não quero mais saber de Parque de diversões”, contou a adolescente ao DCB.
