

A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) da comarca de Campo Belo foi palco da 1ª Jornada de Libertação com Cristo, entre os dias 22 e 25 de novembro. Um dos pilares da metodologia, a jornada tem como finalidade sensibilizar os recuperandos, por meio de mensagem do amor incondicional de Deus e da necessidade de experimentar o perdão.
Com o tema “Cristo Liberta de Todas as Prisões”, 91 recuperandos das Apacs de Campo Belo, Perdões, Arcos e Sete Lagoas, dos regimes fechado e semiaberto, vivenciaram quatro dias de reflexão com palestras, cânticos, reuniões de grupo e orações. O encontro se encerrou no domingo, com celebração ecumênica, entrega dos certificados e almoço em família.
O evento é fruto da parceria da Prefeitura de Campo Belo, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e das igrejas católica, evangélica e espírita. Além disso, 88 voluntários dedicaram tempo e fizeram doações para que o evento se tornasse realidade.
Durante o encontro, foi montada uma capela dentro da ala de regime fechado da Apac, onde católicos, evangélicos e espíritas puderam fazer orações e pedidos de intercessão pelos recuperandos e seus familiares.
Ao final do evento, recuperandos, funcionários da Apac, voluntários e familiares, muito emocionados, comprometeram-se ainda mais com a caminhada da entidade em prol da recuperação daqueles que cometeram crimes.
Espiritualidade
Para o juiz da Vara Criminal e da Infância e Juventude da comarca de Campo Belo, Leonardo Guimarães Moreira, “a espiritualidade é fundamental nesse trabalho de recuperação do ser humano, que um dia cometeu um erro. Nesse contexto, a Jornada de Libertação com Cristo provoca no recuperando essa necessidade imperiosa de sentir essa experiência com Deus, de proclamar a fé e saber que ele não está sozinho, pois toda a sociedade está de mãos dadas com ele nessa proposta de mudança de vida.”

O juiz Leonardo Guimarães Moreira (de pé no centro) defende que “a espiritualidade é fundamental nesse trabalho de recuperação do ser humano”
O magistrado foi convidado a apresentar a palestra “O mundo em que vivemos”, oportunidade em que levou a mensagem de que o mundo possui as belezas que Deus criou, mas que também existe o mal, cabendo ao recuperando escolher o caminho da luz, da honestidade e do respeito ao próximo.
Em companhia da esposa, o juiz assistiu à palestra do diretor executivo da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (Fbac), instituição que congrega as Apacs, Valdeci Antônio Ferreira, com o tema “O homem e a comunidade”.
Valdeci Ferreira, inspirando-se na frase de Santo Agostinho, levou a mensagem da esperança, que, segundo ele, tem duas filhas: a indignação e a coragem. A indignação para não aceitar as coisas como elas são e a coragem para mudar e fazer a diferença.
O promotor de Justiça da Execução Penal de Campo Belo, Rodrigo Fernandes Maggi, também esteve presente na jornada e deixou sua mensagem: “A Apac não é sinônimo de impunidade ou frouxidão da Justiça, mas da aplicação austera da lei penal com vistas à recuperação do ser humano que delinquiu, dando-lhe talvez a única chance de retornar ao caminho do bem.”
Já o defensor público da Execução Penal da cidade, Luis Gustavo Vitorino Alves, ressaltou o caráter gratificante do encontro, que contou contou com palestras e testemunhos emocionantes. “O encontro nos levou a crer na recuperação do nosso semelhante. Matar o criminoso e salvar o homem – esse foi o propósito da jornada e acredito que ela alcançou seu objetivo”, disse Vitorino Alves.
Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG
