Marco Antônio Silva (Buiu), de 32 anos, foi condenado a oito anos e 4 meses de prisão por tentativa de homicídio, em Campo Belo (MG), em 20 de novembro de 2015 no Bairro São Benedito. O Tribunal do Júri julgou o réu nesta terça-feira (18/04). Conforme a Justiça, “Buiu” é acusado de ter esfaqueado a esposa na presença das filhas à época com 11 e 13 anos. Embora tenha fugido do flagrante, o delegado do caso optou pela prisão temporária e depois preventiva do réu. A vítima foi atingida no ombro, na axila e também no pulmão. Foi encaminhada à UPA por vizinhos e transferida para a Santa Casa onde passou por procedimento cirúrgico e ficou internada por 5 dias.
Segundo consta nos autos, “Buiu” empurrou uma das filhas para cima do micro-ondas. Ele é considerado agressivo. As vítimas (mãe e filhas) estavam na pracinha do bairro, antes do crime. Ao irem pra casa chamaram o acusado, que estava no interior de um bar.
De acordo com o depoimento prestado à Promotoria, Gisele Souza Francisco de 30 anos chamou o marido para irem embora juntos, mas ele se recusou. “Com muita dificuldade ele foi embora, mas ameaçou a vítima de morte ao chegar em casa”, contou o promotor Carlos Eduardo ao corpo de jurados formado por 4 mulheres e três homens.
Durante o depoimento prestado no julgamento, uma das filhas contou ao juiz Dr. Alexandre de Almeida Rocha que eles chegaram em casa por volta das 21 horas e a discussão continuou. Uma das filhas disse que a mãe apenas empurrou o acusado por ele ter jogado uma das filhas em direção ao micro-ondas. “Ele nos agrediu com tapas na cabeça, antes de ser colocado para fora de casa pela minha mãe. Ele também jogou minha irmã contra o micro-ondas”, detalhou a menor.
Em razão desta agressividade, Gisele colocou “Buiu” para fora da casa. “Ela trancou a porta e meu pai esmurrou portas e janelas e nos ameaçou – ‘se ela não abrisse, ele a mataria’. Diante das ameaças ela abriu e o ele a esfaqueou na altura das axilas e no ombro. Eu pedi pra que ele parasse, mas foi inútil. Depois que ele esfaqueou a mãe, minha irmã se defendeu dando-lhe uma vassourada”, lembrou a estudante.
Ao ser ouvido, o réu confessou a autoria do crime e justificou. “No dia da tentativa eu estava alcoolizado e não tinha a intenção de matá-la”, defendeu-se.
O acusado foi denunciado em agosto de 2016 pela promotoria de justiça por tentativa de homicídio. Conforme posicionamento do Promotor, o crime não se concluiu por questões alheias. “A vítima foi atacada pelas costas impossibilitando a sua própria defesa. Ela só não morreu, pois foi socorrida por vizinhos. A vítima foi socorrida e levada à upa. Ficou por cinco dias. O acusado não foi preso em flagrante porque fugiu”, relembrou o Promotor, Dr. Carlos.
O promotor acredita na culpa do réu e expôs o pavor que a esposa e as filhas têm do mesmo. “Caráter perigoso e já tinha registros de violência doméstica. A autoridade policial entendeu necessário a prisão do autor, para que ele não terminasse o que começou. Ou seja, concluir o homicídio.
Ainda segundo a promotoria, o acusado agrediu com tapas as filhas com 11 e 13 anos. Para o promotor, tentativa de homicídio qualificada. “Numa atitude covarde, Marcos bateu nas filhas. Então a mulher os pós pra fora. Ele empurrou portas e janelas. A esposa abriu a porta e foi agredida pelo marido. Ela não esperava ser agredida pelo acusado. A surpresa impossibilitou a defesa da vítima. Com a qualificadora da surpresa, a pena será elevada.
