Manifestantes ficaram revoltados com os comentários feitos em uma entrevista concedida pelo vice-prefeito Adalberto Lopes à uma emissora de rádio na manhã desta quinta-feira (16/02). De acordo com o radialista Jota Diniz, aquele foi um movimento de meia dúzia, e que na verdade estaria mais pra sensacionalismo; “Tudo bem que não moro lá perto. Primeiro fizeram um movimento para uma manifestação que deu seis pessoas. Trouxeram uma equipe de TV, inclusive temos o áudio em que o repórter confessa que esperava mais gente. O cheiro, pelo menos à mim, não incomoda. Eu acho que não é por aí. Tem que tomar um cuidado, pois se a fábrica fechar, vai bater na porta de quem?”, posicionou o radialista. Se não bastasse ainda continuou: “Posso estar errado mas, se fizer uma pesquisa em Campo Belo, eu não acredito que a maioria do povo sinta este mau cheiro” completou. O vice prefeito, por sua vez, disse que a Prefeitura está tomando as medidas cabíveis, e que eles também querem o fim do mau cheiro, mas estão preocupados com os empregos que a empresa gera na cidade. São 100 postos de trabalho diretos; “Nós temos aqui, Waguinho que é morador de Campo Belo e que é sócio da fábrica. Mas nós estamos verificando tudo. A empresa foi criada em 2011 durante uma administração que Mauro Lopes (meu pai) não apoiava. Não vou pactuar com coisa errada, e sim, defender os empregos. Estamos cobrando, o prefeito Alisson já encaminhou um relatório ao Dr. Alessandro Ramos (promotor de justiça) sobre as nossas cobranças. A empresa está num local que a prefeitura cedeu, e não foi nossa administração. Quem fecha empresas é o meio ambiente, é o promotor. A Promotoria solicitou a presença de um agente sanitário para acompanha-los na inspeção e nós cedemos, apesar de não ser da nossa competência, mas do SIF (Serviço de Inspeção Federal)”, disse o vice respondendo ao posicionamento do radialista.
Recordando a polêmica: Na última terça-feira (14/02) um grupo, representando pelo menos mais de 200 pessoas que estão no grupo de whatsapp criado para fortalecer a causa, participaram de uma reportagem da EPTV Sul de Minas, no quadro “De olho na rua”. Alguns foram primeiramente à porta da empresa e depois acompanharam à equipe ao Ministério Público. A questão já está sendo avaliada pelo Promotor de Justiça. A fábrica existe e exala o mau cheiro desde 2013.
Para os manifestantes, o radialista foi infeliz e tendencioso em suas colocações. Primeiro; porque eles já repetiram centenas de vezes que não querem que a fábrica feche, o que eles querem é que os seus responsáveis mantenham as atividades sem poluir o meio ambiente além de atormentar os munícipes com o cheiro pra lá de insuportável. Segundo; porque as reclamações em relação ao mau cheiro não se limitam aos que se manifestaram, o número de pessoas é muito maior. De acordo com Willian, organizador da manifestação, a razão pela qual houve pouca gente deve-se basicamente a dois fatores: O horário e o medo de retaliação. Para os manifestantes não importa o número de pessoas, mas a importância da pauta pela qual estão lutando; “É direito nosso, de qualquer ser humano que se sinta lesado, não podemos aceitar esta situação. Não queremos desemprego, queremos que a lei seja cumprida. O mais estranho é que bastou uma equipe de TV vir aqui que o mau cheiro misteriosamente desapareceu! Porque não trabalham assim sempre?” questionou.
“Foi uma falta de respeito para com os campobelenses, e o direito à liberdade de expressão? Inclusive tenho uma filha com necessidades especiais e sou obrigada a ficar com a casa trancada nos dias em que a empresa exala o mau cheiro. Não queremos desemprego e sim um ar puro. Foi estarrecedora esta colocação que ouvi na emissora de rádio hoje. Queremos respeito”, citou outra integrante do grupo de whatsapp com mais de 200 participantes que também reivindicam o fim do mau cheiro.
“A luta continua, não vamos desanimar, podemos ser poucos mas representamos grande parte da população que se incomoda com o mau cheiro exalado pela fábrica de farinha ”, desabafaram os manifestantes que têm lutado para pôr fim no odor exalado nos 4 cantos da cidade.

7 Comments
eu ouvi também vai ver ele ta com o nariz entupido.
Com coisa que essa empresa da tanto emprego assim. Se jota diniz ganhar um dia p prefeito campo belo vai viras aquelas cidades do futuro cheias de poluição e lixo que vemos em filmes americanos onde mostram comunidades inteiras morando em galerias de esgoto.
Boa matéria, Kely! Não concordo com o radialista, creio que o mal cheiro esteja causando incômodo à maioria dá população! Tem que haver uma solução para esse odor. Caso não haja, infelizmente, impõe-se o encerramento das atividades.
Esse radialista está totalmente desinformado. O assunto é de suma gravidade, pois afeta o bem-estar do cidadão campobelense e dos próprios trabalhadores dessa empresa, há muitos anos sem solução. Inclusive, prejudica a imagem da cidade, para as pessoas que aqui desejam fixar residência e para novos investidores. Caso o assunto não seja resolvido, há que se ponderar sobre a aplicação de penalidades, como multas, e até o fechamento dessa fábrica, que não tem demonstrado preocupação com a cidade que a acolheu. Estou chocada também com o medo das pessoas em comparecer à manifestação. É um direito do cidadão manifestar-se em uma democracia.
Queria dizer ao ilustre vice que ele não mora aqui más gostaria de pedir quando chegar um caminhão de barrigada de porco podre fedendo , que passe em frente a sua humilde residência na hora do almoço,E fale a sua família vamos respirar tem 100 funcionários na quela empresa.Quanto a dizer que tinha poucas pessoas na manifestação e claro estávamos trabalhando. Peço que faça um abaixo assinado e terá a resposta de toda comunidade. Vale sol jardim América floresta e adjacências
A podridão dessa fabrica infelizmente, não está só no ar ,mas também em pessoas omissas que se vendem por tão pouco.
Fiquei indignado com a atitude de nossas autoridades em relação a essa fabrica que polui o meio ambiente e traz transtorno para muitos.
Moro próximo a Avenida Wanderley Luiz Maia, tem tardes e noites que o cheiro é insuportável.
Será que o Ministério do trabalho já verificou a qualidade de vida e de trabalho desses funcionários?
Sou técnico em Meio Ambiente e sei o que falta é investimento em filtros e lagoas para despejar os dejetos.
Não justifica falar em preservar empregos agredindo o meio ambiente, e a dignidade das pessoas.
Se isso não melhorar EU VOU ORGANIZAR UMA PASSEATA, vou colher assinaturas suficientes para dar um basta nessa fabrica e responsabilizar todos que não tomaram providências.
Vamos juntos coletar assinaturas, vamos juntos fazer uma grande manifestação.
Vamos convocar nossos deputados, os meios de comunicação de alcance nacional e mostrar que o povo unido tem força e quando quer mudar alguma coisa muda.
Se essa matéria for publicada.
Voltarei aqui e deixarei meu Email e meu contato