

Uma iniciativa da Prefeitura de Campo Belo (MG) direcionada ao Jardim de São Francisco (entidade protetora dos animais) surpreendeu à diretoria da ONG. No dia 13 de janeiro, através de um voluntário, os membros foram informados que a nova administração faria a retirada dos comedouros instalados em vários pontos da cidade para alimentar os cães abandonados nas ruas. A informação relatava que o pedido teria sido uma indicação da Promotoria Pública. Entretanto, ao procurarem o MP, para certificarem dos fatos, constaram que não havia por parte do órgão nenhum pedido relacionado à retirada dos comedouros. A Assessoria de Imprensa da Prefeitura adiantou ao Diário Campo Belo que a medida foi tomada após inúmeras denúncias passadas à ouvidoria em relação ao assunto. Elas apontavam, segundo à Assessoria, que os comedouros estariam sendo prejudiciais (atraindo pombos e ratos). O Projeto Barriguinha Cheia é uma iniciativa da entidade Jardim de São Francisco para fornecer um pouco de comida e água para cachorros de rua.
De acordo com a direção do Jardim de São Francisco, no dia 17 de janeiro membros da ONG entregaram um ofício ao Promotor. “Conversamos com ele a respeito do nosso trabalho. Ele está analisando ambos os lados e dará seu parecer em 39 dias a contar da data protocolada. Na oportunidade pedimos vista do ofício encaminhado pela Assessoria Jurídica do município que pedia autorização ao MP para a retirada dos comedouros, pois estariam atraindo pombos e ratos, ou seja não era o Promotor que estaria fazendo o pedido de retirada. O ofício enviado pelo município trata- se de pelo menos dez denúncias, feitas através da ouvidoria da prefeitura, recebidas pelo ouvidor Rodrigo Dias, que sempre foi contra a colocação dos comedouros”, explicou em nota a direção da ONG.
Ainda segundo a Organização, as denúncias são anônimas, não existe telefone, endereço, apenas relatos. “Estes fatos nos deixam duvidosos quanto a elas, já que após a colocação dos comedouros recebemos milhares de elogios todos os dias, basta olhar na página Jardim de São Francisco. Os pombos se alimentam especialmente de sementes e grãos em geral, podendo também ingerir, vermes e frutos em ambiente natural, sempre existiram, especialmente nas praças públicas, onde ficam os pipoqueiros e crianças comendo o tempo todo, os comedouros dos cães ficam distantes dos bancos e dos locais onde as pessoas ficam aglomeradas, de acordo com pesquisas algumas evidências mostram que os pombos são domesticados há mais de 12 milênios e os comedouros foram instalados a menos de um ano!”, questionaram.
A direção da Organização também não credita aos comedouros o aparecimento de ratos. “Eles costumam chegar até as casas por meio de esgotos, bueiros e enchentes e estão sempre em busca de alimento e abrigos para se reproduzirem, ou seja, é bem mais comum encontrarmos ratos em nossas próprias casas do que nas ruas”, acrescentaram.
A decisão do Prefeito Alisson de Assis Carvalho prevê apreensão e multa, caso os comedouros não sejam retirados. “Hoje recebemos uma notificação da Vigilância Sanitária pedindo a retirada em 10 dias sob pena. Só acataremos a determinação após a decisão do Ministério Público”, posicionou-se.
De acordo com Daniela de Paula (Assessoria de Imprensa da Prefeitura), a medida foi adotada após inúmeras denúncias terem sido feitas à Ouvidoria do Município. Instalaram o serviço no dia 06 de janeiro e dezenas de reclamações teriam sido em torno do assunto. As denúncias foram repassadas aos órgãos competentes, que emitiram parecer e laudo. Somente depois disso, as medidas foram tomadas pelo governo municipal.
A atitude da prefeitura causou discussões. E em questão de minutos muitas pessoas se manifestaram em redes sociais. Uma delas foi Ariela Donovan. “Tem gente que gosta tanto de aparecer que acaba ficando insuportável! Esse tal que fica postando o dia inteiro na internet, que é contra os comedouros, devia era procurar um serviço! Enquanto tem uns ocupados tentando ajudar, vem este ser desprezível atrapalhar. Deus há de fazer ele pagar por isso! Ajudar ao próximo creio que seja a principal missão de um líder! Quem acredita em Deus sabe que todos os seres merecem dignidade e respeito! Ninguém merece passar fome!”, posicionou-se.
A advogada Anna Cláudia Peixoto Moreira disse que tomará providências cabíveis.”Junto com a população (a maioria esmagadora apoia os comedouros) vamos manter e continuar com o projeto em prol dos animais de rua… o que me causa indignação e que em poucos dias sob o comando da cidade e diante de assuntos tão importantes e urgentes, como por exemplo a fábrica da carniça, que deixou a cidade famosa pelo mal cheiro, colocam como prioridade a retirada dos comedouros, custeados e mantidos por voluntários, isso é inadmissível”, disse.
Eliza Fernandes também está revoltada com a medida. Ela acredita em perseguição política. “Todos nós sabemos que o ouvidor sempre foi contra os comedouros e agora do nada, quase 1 ano depois aparecem denúncias contra o comedouros? Meio suspeito! Ouvidoria não é disque denúncia. Pra se haver crédito tem que se protocolar a reclamação e exigi nome. Acredito que ouvidoria é cargo para pessoa imparcial, que aceite críticas e meios de solucionar os problemas”, citou a moradora de Campo Belo.
Eliane Chaves concorda com a iniciativa da Prefeitura. Para ela, os comedouros eram utilizados para outra finalidade. “É um caso de saúde pública. Demorou aplicarem esta medida. As rações estavam servindo de alimentos para pombos e ratos também. Eu mesma presenciei tal atitude”, reforçou a moradora.
Jussara Santos Teofilo ponderou. “Talvez a medida tenha sido precipitada. Era preciso resolver o problema do canil primeiramente. Salvo engano, já houve um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) sobre isso. Será no que deu? Comedouros não são a solução para o problema. Não está de acordo com as regras da saúde pública a que todos têm direito. Ao meu ver, as melhores medidas seriam: canil, esterilização e as pessoas pararem de usar cães para ganharem dinheiro. Esterilizar não pode, mas, colocar para cruzar e lucrar com as vendas, sem se preocupar com os destinos dos filhotes, pode!”, analisou a servidora pública federal.
Para Lucas Lemos, a questão é polêmica e precisa ser bem analisada. “Os cães de rua tem sim necessidade de comer, mas não desta forma. Um comedouro sem a devida higiene pode sim tornar-se um meio de transmissão de doença como: leptospirose, salmonelose , bicho geográfico. Eu concordo que os cães não tem culpa. Mais daí colocar um tanto de comedouro no locais públicos é criar literalmente o cão de rua ? É isto não é o legal . Tem que criar o CCZ as feiras de adoção e as pessoas adotarem os cães . Falar em redes sociais é fácil, adote um cão! Peça a castração voluntária . E seja feliz com seu novo amigo peludo . Mais querer criar o cão na rua sem o verdadeiro cuidado, é errado, e sim, pode virar um caso de saúde pública – leishmaniose. Além de outras doenças. Ajuda a prefeitura, adote um cão”, sugeriu o veterinário.

1 Comment
Nem reparei comedouros na cidade e nem vou opinar. Qto. a ratos minha gente o problema é muito sério. Comeu o chicote de meu carro zerinho e tive que trocar. Pior é que a Toyota não arcou com o prejuízo de quase 3.000,00 e eu tive que pagar. Então acho que seria muito viável ao invés de propiciar a criação de ratos deveriam doar os cachorros e cada amante trataria do seu. Difícil não. Tenho três e minha casa.