Campo Belo: Acusados de matar casal em Cristais são apresentados pela polícia

Os delegados: dr. José Rubens e dr. Alessandro Gambogi concederam coletiva à imprensa. (Foto:diariocampobelo.com)

Crime aconteceu em 2015; a mulher teve o corpo carbonizado.

Uma mulher, o marido e dois irmãos dela foram acusados formalmente nesta quinta-feira (12/01/2017) pela morte do casal assassinado em setembro de 2015 na zona rural de Cristais (MG). Vanderleia Ricarte (37); Tiago Ricarte (33); José Mira Junior (36) e Luciano Francisco Rodrigues de 39 anos (marido da acusada) foram apresentados pela Polícia Civil de Campo Belo (MG), que conduz as investigações sobre o crime, como suspeitos de terem matado o casal Adilson Moreira Neves, de 37 anos, e Priscilla Alves Girardeli, de 34.  Em depoimento à imprensa, Vanderleia negou o crime e disse que estava em casa com os filhos e que os irmãos moram em casas separadas. Versão contestada pela polícia. Se condenados eles podem pegar até 30 anos de prisão.

Os acusados negaram à autoria do crime; Vanderleia disse que estava em casa no dia do crime. (Foto:diariocampobelo.com)

Segundo a polícia, a família será indiciada por homicídio duplamente qualificado. “Execução movida por paixão”, definiu o delegado responsável pelas investigações. Ainda de acordo com ele, Adilson (vítima) e Vanderleia (acusada) tiveram um relacionamento e ela não aceitava o fim dele. Mais de um ano se passou, e o caso do relacionamento de ambos chegou ao conhecimento da Priscila (vítima e mulher de Adilson) e do Luciano (acusado – marido de Vanderleia). Priscila então, segundo as investigações, reatou com o marido e mudaram para um apartamento longe da amante de Adilson. Porém, Vanderleia (que trabalhava na mesma confecção) perseguia Priscila e Adilson, conforme depoimentos de testemunhas prestado à polícia. Priscila teria dado um tapa em Vanderleia no meio da rua. Depois deste episódio, conforme as investigações, Vanderleia contou à família e eles planejaram o assassinato do casal. Adilson foi assassinado com três tiros. Priscila a perícia não precisou, pois teve o corpo carbonizado, restando apenas 15%. “Fizeram uma fogueira e queimaram a vítima. No quintal da propriedade havia marcas de sangue”, relatou dr. Neto.
Em 30 de novembro de 2016, a polícia já havia detido três dos suspeitos. Na semana passada, uma quarta pessoa foi presa, o Juninho (irmão da acusada). Ainda segundo a polícia, no dia do crime os suspeitos levaram a moto, cartão de crédito e aparelho celular de uma das vítimas para simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Linha de investigação descartada pela polícia, pois a moto teria sido jogada na ponte de Boa Esperança, o aparelho sumiu e o cartão de crédito nunca foi usado. Um terço semelhante ao que um dos acusados sempre usava também foi localizado na cerca da propriedade.

Em 26 de setembro de 2015, o operador de máquinas Adilson Moreira Neves, de 37 anos, e a funcionária de uma confecção Priscilla Alves Girardeli, de 34, foram encontrados mortos no sítio onde moravam, na Comunidade do Óleo, pelo pai do funcionário público. Priscila foi encontrada com o corpo carbonizado e Neves havia sido baleado com três tiros.
O caso era um mistério e abalou a cidade pela brutalidade. Após um intenso trabalho investigativo, em dezembro de 2016 o inquérito já apontava para homicídio motivado por vingança. Segundo a polícia, os quatro vão responder pelos crimes de homicídio por motivo fútil e destruição de cadáver.

De acordo com o delegado José Rubens Nogueira Neto, as investigações sugerem que o operador de máquinas tenha mantido um relacionamento com a mulher detida pelos policiais. O caso teria acontecido um ano antes das mortes e, ao descobrir o relacionamento, Priscila agrediu a suspeita. A mulher teria então contado a história para o marido e os irmãos, que são acusados de planejarem as mortes. “Ela sabia de detalhes sobre a propriedade que só seria possível para quem estivesse no local. Por exemplo: como era feita a cerca; disposição da residência; mas ao mesmo tempo dava a entender que não sabia como teriam sido assassinados. Tentando contar uma meia verdade”, comentou o delegado.

O caso sofreu uma reviravolta, pois no inicio era tratado como latrocínio. Depois a PC convenceu-se do contrário e concluiu-se que o motivo seria passional. “Porque se fosse um latrocínio, um roubo seguido de morte, os ladrões não teriam perdido tempo, precioso da fuga, para botar fogo em uma das vítimas. O fato de ter sido feita uma fogueira com uma das vítimas demonstra que foi um crime passional”, disse o delegado José Rubens Nogueira Neto.

Para o advogado de defesa é preciso mais provas para incriminar os suspeitos.

O advogado Santos Fiorini Neto (Netinho), que defende os quatro suspeitos, disse que eles ainda não foram ouvidos pela Justiça e por isso seria cedo para se fazer qualquer tipo de julgamento. O advogado ainda declarou que acredita na inocência dos clientes.

Vanderleia (à esquerda) disse ser inocente. Ela confirmou o relacionamento amoroso com Adilson, mas afirma que estava em casa com o marido e os filhos no dia em que o casal foi assassinado. Ela também não acredita que o seu envolvimento com Adilson tenha motivado o crime. “Eu acho que não foi por causa disso (referindo-se ao relacionamento amoroso com uma das vítimas). Eu não vou menti, tinha relacionamento com Adilson. Ela (Priscila) me deu um tapa e foi por isso que falam que eu a matei. Não trabalhávamos juntas. Eu era vizinha do casal. Nunca persegui Adilson ou Priscila. Estamos aqui e vamos ver o que dá. Eu não sei quem matou o casal. Não pedi e nunca passou pela minha cabeça esse crime. Como Jesus tudo vê e sabe (eu tenho filhos), eu não matei ou fui mandante deste crime”, declarou a acusada.

Prisão

Dois homens e uma mulher foram presos terça-feira (29/11/2016) em Cristais (MG) suspeitos de participar do assassinato de um casal na zona rural da cidade em 26 de setembro do ano passado. Adilson Moreira Neves, de 36 anos e Priscila Alves Girardeli, de 34 (era natural de Boa Esperança), foram encontrados mortos no sítio onde moravam, na comunidade do Óleo.
Conforme a polícia, o casal vivia junto há cinco anos. Adilson era operador de máquinas da prefeitura da cidade e a mulher trabalhava em uma confecção de roupas.

Priscila e Adilson haviam reatado o casamento e mudaram-se para a zona rural, segundo à polícia, para fugir das perseguições de Wanderleia.

Os três suspeitos foram levados pela equipe de investigadores da Polícia Civil para a delegacia de Campo Belo (MG). O delegado responsável pelo caso informou que irá se manifestar sobre o fato apenas após a conclusão do inquérito.
Uma família foi acusada formalmente nesta quinta-feira (12) pela morte do casal assassinado em setembro de 2015 na zona rural de Cristais (MG).
Relembre o caso

Local onde o corpo de Priscila foi queimado. (Foto: diariocampobelo.com)

Homem de 37 anos e mulher de 34 foram achados mortos pelo pai do rapaz. O corpo da mulher foi queimado. Levaram a motocicleta da vítima.
Um casal foi brutalmente assassinado em uma área rural de Cristais (MG). Eles foram encontrados pelo pai de uma das vítimas. Segundo a polícia, a suspeita é de que o homem e a mulher tenham sido mortos durante um latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Adilson Moreira Neves, de 37 anos e a mulher Priscila Alves Girardeli, de 34, foram assassinados em um sítio onde moravam há pelo menos um ano.

O pai de Adilson que encontrou o casal.

Foi o pai de Adilson da Patrol (como é conhecido – ele era operador de máquinas da Prefeitura da cidade) que encontrou o corpo das vítimas. Helvécio Moreira (Dico) assustou com a demora do filho para realizar um serviço que haviam combinado e foi busca-lo. Ao chegar ao sítio assustou com a cena que presenciou: um corpo carbonizado na entrada da casa. A última vez em que eles foram vistos foi por volta de 22h00 de sexta-feira (25), quando Adilson foi até a cidade comprar um lanche para ele e a esposa. Os corpos foram trazidos par o IML de Campo Belo (MG). Segundo a Polícia Militar, no corpo já carbonizado havia pedaços de madeira e vestígios de colchão.O corpo de Adilson estava no quarto com um corte de aproximadamente dois centímetros no dedo médio da mão direita, um na boca e outro no rosto do lado esquerdo. O pai contou à reportagem que foi ao sítio buscar o filho para uma tarefa. Ao chegar viu algo semelhante a um braço na entrada, não quis acreditar e seguiu adiante. Abriu a porta da sala e encontrou o filho morto. Adilson levou dois tiros.
Desesperado, Helvécio voltou e observou que aquela primeira imagem era na realidade parte de um membro de sua nora. O corpo de Priscila havia sido queimado na entrada da propriedade. “Ele estava demorando, iríamos cortar mourão. Eu vim atrás e encontrei meu filho morto. Na hora me desesperei, subi na moto e fui à Cristais buscar ajuda”.

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