A fratura, segundo exames de imagens, é na bacia. Com ajuda de uma moradora de Campo Belo a saída do Presídio já está autorizada. O jovem aguarda agora a vaga para a realização do procedimento, que pode ser feito pelo SUS.
Um jovem campobelense de 21 anos, que está preso em Divinópolis (MG) – ele ainda não foi julgado, está com uma fratura na bacia e há sete meses aguarda por um procedimento cirúrgico. De acordo com a família, a perna do lado da fratura já diminuiu 17 cm. A FLORAMAR (presídio onde ele está detido) não havia liberado o detento para ser transferido, conforme declarações de familiares. Uma ex-vereadora e o diariocampobelo.com entraram em contato com a direção da cadeia e a promotoria criminal de Divinópolis. Após este procedimento, a questão jurídica fora resolvida, porém Pedro Henrique Oliveira Silva permanece detido. O motivo da demora, segundo o sistema prisional divinopolitano, é uma vaga no SUS (Sistema Único de Saúde).
A família está indignada com a demora na transferência e a maneira como o detento teria sido isolado. A direção da FLORAMAR se defendeu argumentando que todos os procedimentos foram adotados; O rapaz tem recebido assistência médica, porém a demanda do SUS é imensa e o município (Divinópolis) não teria condições de realizar a cirurgia. A diretora do Presídio, após saber que Campo Belo é referência (a Santa Casa mantém um convênio com o estado – rede resposta) e recebe em média R$ 300 mil mensalmente para tal, segundo a Secretaria de Estado, solicitou a vaga, que foi negada. A justificativa é que a cidade não teria estrutura para tal procedimento. Esta semana surgiu novidade no caso. A cirurgia será realizada em Divinópolis mesmo. De acordo com informações passadas à família, nestas condições será o primeiro caso no município.
De acordo com Salime Lasmar (ex-vereadora), ela mesma conseguiu falar com o Promotor Criminal da Comarca de Divinópolis, dr. Marco Aureliano. O promotor ao tomar conhecimento da situação de Pedro emitiu à justiça o parecer favorável à liberação do detento para a realização do procedimento médico adequado ao estado de saúde do mesmo. Após a parte burocrática ter sido resolvida, iniciou-se a batalha pela busca de uma vaga.
Para Amanda Miriã (companheira de Pedro Henrique), uma batalha longa e finalmente uma posição confiável. “Vou a Itapecerica levar uns papeis para o Juiz, o que adiantará mais a cirurgia. Após o envolvimento da Salime e da imprensa no caso, o Pedro tem recebido a assistência digna agora. Depois de muito tempo o encaminharam para uma consulta esta semana. Informaram-nos que chegou uma equipe ortopédica em Divinópolis e o caso dele será o primeiro. Tenho certeza que tudo isso só aconteceu porque nós (família) divulgamos o caso. O sistema prisional, a justiça estavam errados. O Pedro tem que pagar pelo seu erro, mas pagar com dignidade e não isolado como estava”, desabafou Miriã.
A prisão

A perna encolheu mais de 17 cm e ate hoje, pelo menos que temos ciência só o levaram para fazer um raio x.
Segundo Amanda Miriã, a situação em que Pedro estava na prisão era revoltante. Ele não conseguia andar, ficava pulando de um lado para o outro. Não saia da cela, e estava muito magro. “No inverno não conseguia encolher a perda”, ilustrou a companheira.
Pedro, de acordo com Amanda, sofreu um acidente durante uma fuga da polícia (ele estava entre os fugitivos de um assalto ocorrido em Camacho no ano passado) e quebrou o fêmur, além de uma parte da coxa. Foi preso e transferido para o presídio de Divinópolis. “Está longe da família, minha sogra sofre demais por ver o filho sem tratamento médico adequado. Ela chora por isso, não e justo. Apesar de ter errado, ele merece operar. Pedro é um ser humano!” avaliou.

Na cela 28, Pedro não conseguia andar no começo. Ficava pulando de um lado para o outro. (Fotos: cidadedivinopolis.com.br)
Ainda segundo ela, Pedro foi preso em flagrante e os outros conseguiram fugir.“Ele assumiu toda a culpa e o juiz ainda recusou a domiciliar dele antes da audiência. Nos dois primeiros meses ele nem se levantava, por isso digo que é Deus. A perna dele foi toda mal costurada, apresentou queloide horrível e o osso havia colado totalmente errado. A perna encolheu mais de 17 cm e até há uma semana (quando mais pessoas foram envolvidas no nosso dilema), pelo menos que temos ciência, só o levaram para fazer um raio x. A primeira pericia indicou que a cirurgia era uma medida urgente, mas nada foi feito”, detalhou.
