
De Campo Belo para o mundo: “Falar antes de fazer é fácil. Espero atitudes e não palavras”, disse a atleta de ouro, que aguarda valorização e ações para o esporte campobelense.
Talento, carisma e humildade são adjetivos que definem a atleta criada em Campo Belo (MG), Francielle Gomes da Rocha, ou simplesmente Fran, da Seleção Brasileira feminina de handebol. A jovem de 24 anos, única mineira na Seleção brasileira, brilha na quadra e fora dela. Ouro em Toronto (Canadá) em 2015, a campeã atuou com garra e persistência nas Olimpíadas do Rio 2016. Fran é exemplo pra cidade. Sempre após as competições, a campeã que sofreu muito – principalmente pela falta de incentivo para chegar no patamar em que está- visita a cidade montesa. A família que é seu refúgio e sua segurança, foi pilar para que a jovem se consagrasse. Os pais foram assistir a filha brilhar nas Olimpíadas e se emocionaram. Após a disputa, Fran retornou à sua “Terrinha” e prestigiou alunos das escolas da rede pública e privada. Os conterrâneos se sentiram lisonjeados com a visita ilustre.
Na terça-feira (22), Fran da Rocha visitou várias instituições escolares. Entre elas, a Escola Infantil “Aquarela”. Para os professores, a direção e os alunos foi momento ímpar. Mesmo com a agenda completa, nossa atleta olímpica concedeu entrevista ao diariocampobelo.com.
Ao site a campeã contou a experiência de ter participado de uma competição mundial em seu próprio país. “Em casa é completamente diferente dos outros campeonatos. Jogar em casa com a torcida a nosso favor foi único”, definiu a jogadora.
Durante a participação na Aquarela, Fran foi entrevistada pelos alunos. Um deles perguntou como é ser celebridade. E a resposta foi surpreendente. “Não me sinto uma celebridade. E se for mais conhecida também não quero me sentir assim. Prefiro ser conhecida. Temos que ser povão. Não tem que esquecer das origens. Lógico que tenho meus momentos de privacidade, mas o legal é ser da galera!”, acrescentou a campeã.
Com aproximadamente 50 medalhas, Fran reportou aos pequenos que começou no basquete. Chegou a jogar handebol, mas não sabia muito sobre a modalidade. “Minha irmã que me levou”.
Sobre a Praça de Esportes, Fran tem suas colocações. “Até quando eu fui atuar fora, a Praça já estava sem incentivos. Vê-la como está agora é triste. Existem crianças talentosas. Seria fácil implantar um projeto social lá. Eu tenho vontade de fazer algo pro esporte, mesmo morando fora,” revelou nossa campeã.
Para Fran, é hora de ação em Campo Belo na área esportiva. “Desde Toronto no ano passado o pessoal disse que teríamos mais incentivos. Falar antes de fazer é fácil. Espero atitudes e não palavras. Queremos que atuem. Não gosto e nem quero que me procurem para falar de algo. Tem que valorizar os atletas que usam o espaço agora. Não vivo a realidade de Campo Belo, da Praça de Esportes, eu estou longe. Tem que fazer,” alertou a atleta que venceu com o apoio da família e com o seu talento.
Na opinião da campeã, têm vários professores atuando em Campo Belo e são bons. Ela lembrou que a cidade é um celeiro de atletas. Precisa mesmo é de valorização. “Tenho vontade de vir para a cidade e fazer um projeto social”, declarou a atleta do handebol.
História de uma vencedora

Os pais usaram a reserva que tinham para custearem a viagem à São Paulo, no inicio da carreira da consagrada Fran.
Dona Eliene Barbosa Gomes se recorda dos primeiros passos para alavancar a carreira da filha. Hoje a campeã mundial, é atleta profissional de handebol da equipe de Guarulhos e da Seleção Brasileira. Segundo a dona de casa, o começo foi difícil. Sem incentivos, a mãe convenceu o pai a usar a reserva que tinham para pagarem a passagem e levar a futura campeã para a sua consagração. Francille tinha 14 anos e há um ano treinava em Campo Belo. Começou na quadra da Escola Estadual Miguel Rogana e depois atuou na Praça de Esportes da cidade. “Vamos realizar o sonho da nossa filha e leva-la para São Paulo”, contou dona Eliene.
Eliene tem orgulho de mostrar 50 medalhas que a filha conquistou na carreira. Nas Olimpíadas, foram presenciar a filha em quadra. “Sensação enorme. Experiência sem explicação. Ve-la de perto e ao mesmo tempo longe, sem poder abraça-la”, ilustro dona Eliene.
Fran da Rocha, de acordo com a mãe, é atleta nata. “ Treina desde os 13 anos. Foi pra São Paulo aos 14 anos”, completou.
Toronto
A campobelense, de sorriso fácil e muito cativante, estava em quadra com a equipe de Handebol Brasileira buscando o Penta Campeonato em 2015. Aos 23 anos, Franciele Rocha (Fran da Rocha) brilhou mais uma vez. Com 1.66 de altura e 56 kg, Fran compensa a falta de tamanho (perto da outras jogadoras da seleção) com as habilidades. E foi com um sorriso emocionante, que ela comemorou a vitória do grupo Penta campeão em Toronto. Mais um título para a carreira desta “mineirinha” (nascida no Norte de Minas e criada em Campo Belo) que começou a brilhar na quadra da Escola Estadual Miguel Rogana em Campo Belo (MG) e teve como técnico, Joel Moreira.
Os campobelenses aprovaram a atitude da campeã. “Atitudes como essa da Fran da Rocha mostra que atleta não faz bonito só dentro de quadra”, escreveu Wagner Rocha.
Ele não foi o único. Elias Eliazar também enalteceu o carisma de Fran. “Quero parabeniza-la e agradecer por tudo que você faz na Seleção Brasileira de handebol, por nos representar tão bem.
Agradecer ainda pela simpatia de pessoa que você é; pela humildade. Você é um exemplo que deve ser seguido pelos jovens atletas. Parabéns pela dedicação e peço para que Deus esteja sempre honrando-te e protegendo-lhe. Desejo muitas conquistas e conte sempre com meu apoio, admiração e torcida. Você merece todo reconhecimento. Obrigado por toda atenção!”.
