

“Respeito às decisões da parturiente e à fisiologia do parto”.
Por: Carol Carvalho
Até pouco tempo, falava-se apenas em parto normal e cesariana. O primeiro, realizado por via vaginal e o segundo, através de uma incisão no abdômen. O nascimento pela via cirúrgica é bastante similar para todas as mulheres e, em cerca do 30 minutos, o bebê já foi extraído do útero e encaminhado para o berçário, enquanto a mãe passa pelos procedimentos finais da cirurgia. O parto normal, por sua vez, varia muito, tanto em sua duração quanto nos acontecimentos. Algumas mulheres têm seus bebês em 30 minutos, outras ficam 3 dias tendo contrações espaçadas, até que o bebê nasça.
Infelizmente o sistema de saúde muitas vezes desconsidera que cada mulher e cada parto são únicos e, numa busca por uniformizar e acelerar os nascimentos, adota intervenções de modo rotineiro. Quem já deu entrada num hospital em trabalho de parto sabe muito bem disso. Logo ao ser admitida, uma enfermeira ofereceu um sorinho para o parto andar mais rápido, depois ficou deitada, teve a bolsa rompida pelo médico, recebeu um corte na vagina para aumentar a abertura, teve a barriga empurrada para “ajudar o bebê a sair”, o bebê foi levado para o berçário e voltou algumas horas depois, entre outros procedimentos. Na maioria dos casos, quem passou por isso acredita que seja é tudo normal e que realmente precisa ser assim. Não sabem que, como pacientes, elas possuem o direito de aceitar ou recusar procedimentos e que alguns deles são desnecessários e até prejudiciais. Em geral, é essa mecanização que tem levado muitas mulheres a buscar outras alternativas para o nascimentos de seus filhos. Nessa busca, retomam seus papeis como protagonistas e definem o que desejam para seus partos. Humanização do parto é isso: respeito às decisões da parturiente e à fisiologia do parto.
Mas eu posso decidir? Não é só o médico? Os médicos possuem muitos conhecimentos e buscam proteger a vida da mãe e do bebê. Mas, muitas vezes, por questões práticas, financeiras ou até mesmo por estarem desatualizados, acabam realizando ações desnecessárias. Veja bem, um hospital é uma empresa. Mães em trabalhos de parto demorados estão ocupando leitos e quartos. Para o hospital é interessante que essas mulheres tenham logo seus bebês e liberem vagas para outras pacientes e, por isso, fazem o possível para acelerar o trabalho de parto. Para os médicos também é inconveniente ficar aguardando um trabalho de parto que pode levar horas, deixando de atender seus pacientes de consultório. Existe ainda a visão de que o parto é um sofrimento e que, ao fazê-lo acontecer mais rapidamente, a mulher estará sendo poupada. Mas um trabalho de parto artificialmente acelerado não significa alívio mais rápido para a mulher. Pode até significar mais dor e sofrimento.
No parto humanizado, são respeitados o tempo de cada mulher, suas escolhas e seus direitos. Para que seja humanizado, o parto não precisa ser na água, de cócoras, sem anestesia, em casa… O parto precisa, sim, ser do jeito que a gestante desejar, como ela se sentir mais segura. A mulher pode, por exemplo:
Essas e outras decisões, quando são respeitadas, tornam o momento do nascimento ainda mais satisfatório. Além da alegria por finalmente conhecer seu filho, a mulher vive a experiência do parto de forma plena.
Para que seja um nascimento humanizado, a mulher deve pensar no que se deseja para o seu parto e conversar com a equipe que irá prestar atendimento. Também é importante conversar com outras gestantes que foram atendidas por esses profissionais para saber se eles realmente permitem que as escolhas da gestante sejam atendidas. Felizmente, vários hospitais vêm se preparando para atender a partos humanizados e cada vez mais médicos praticam a boa obstetrícia, visando não apenas que mãe e bebê sobrevivam ao parto, mas que vivenciem este momento com todo afeto e respeito com que deve ser vivido.
Para saber mais sobre o parto humanizado, não deixe de participar dos encontros mensais da Roda de Mães. As datas são divulgadas pelo www.facebook.com/groups/rodademaes

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