
Carlo Mati fala sobre a Habitare
“Teve falhas na investigação. Os telefonemas interceptados, inicialmente parecia conversa entre bandidos, mas não era. Conversávamos sobre o casamento do meu filho e no final ficou explicado. O responsável pela CGU ficou decepcionado com o meu depoimento”, opinou Carlo Mati.
Na coletiva desta segunda-feira (20), Carlo Mati, secretário da Habitare (Associação de Moradores de Campo Belo e região), falou sobre sua ida à Varginha para depor na “Operação Farol 40” (uma alusão ao Artigo 40 da Lei 8666- lei de Licitação), desencadeada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) em Campo Belo, Lavras, Formiga e Belo Horizonte, na semana passada. A Operação investiga, segundo a Polícia Federal, suposta fraude no Projeto do Governo Federal “Minha Casa, Minha Vida”. Para ele, a operação teve conotação política (pelo fato da esposa ser vereadora) além de falhas na investigação. Os empreendimentos, segundo levantamentos da PF, podem ter chegado à R$ 240 milhões e a polícia quer saber quanto teria sido desviado do projeto em questão.
De acordo com Carlo Mati, a Policia Federal chegou em sua residência em Campo Belo MG às 6h15 da manhã de sexta (17), mas ele só teria tomado conhecimento da ação 2 horas e meia depois (quando prestou depoimento na sede da PF em Varginha). “Você conhece Antônio de Pádua Miguel; Cláudio Mário; Dávila Reis e outro nome que não me lembro. Eu respondi que, desses quatro conheço Toninho – amigo de infância. Cláudio conheço pouco tempo. Dávila Reis imagino que seja sócio do Cláudio, e outro não sei da existência. Ainda me questionaram sobre quanto ganhava; profissão; responsável técnico de algumas dessas empresas e eu afirmei que sim”, detalhou Carlo Mati sobre o depoimento.
Ao tomar conhecimento com propriedade daquela operação, Mati perguntou ao delegado se poderia contar o histórico do surgimento da Associação Habitacional dos Moradores de Campo Belo, que mais tarde seria alterada para abranger a região. “Sou marido da Vereadora Fátima Salume. A Associação nasceu em 2009 e Padre João trabalha com Habitação; Sem Teto; Sem Terra; Agricultura Familiar e nos instruiu que o “Minha Casa, Minha Vida” seria interessante para trabalhar em Campo Belo. Tínhamos o intuito de filar-se à Associação Habitacional de Alfenas, por se tratar de um CNPJ novo e não tínhamos condições de atuar em Projeto. Ela ficou parada até 14 de junho de 2012, casamento do meu filho. Neste encontro estava Toninho Miguel (amigo de infância e nossas mulheres companheiras de trabalho). Estavam também assessores do Padre João que trabalhava com a Associação. Ambos ficaram conversando por uma hora. Nesta conversa os assessores disseram ao Toninho: – ‘Você deveria fazer contrato com a associação?’ Toninho respondeu que com Associação não faria, por temer a idoneidade. ‘Com Associação eu não faço, pois não acredito no pessoal destas entidades. Pensa bem, num Projeto de R$ 2 milhões e esses caras derem uma banana para mim, eu quebro’, disse o empresário naquela conversa em 2012, segundo Carlo Mati informou no depoimento em Varginha.
No mesmo diálogo Carlo Mati teria perguntado à Antônio de Pádua Miguel (Toninho Miguel): “E comigo você faz? Porque nós temos uma associação parada. O assunto morreu naquele dia”, garantiu.
O primeiro telefonema na segunda, segundo Mati, teria sido do Toninho. “A Associação está parada, mas temos o CNPJ de 2009; Impostos em dia. Ele (Tonimho) me perguntou: – Carlos não tem como reativa-la para fazermos dois Projetos: em Dores do Indaiá (com meus parceiros) e um em Cristais com 51 casas? Para isso, tem que se modificar para Associação e Campo Belo e região”, Carlo declarou ao delegado Federal Dr. Thiago sobre a conversa telefônica de 2012.
O procedimento permaneceu e o interrogado foi questionado sobre Comissões. “Eu só soube que seria 2% da associação na assinatura do contrato dentro da Regional da Caixa Econômica Federal em Divinópolis”, assegurou Mati.
Segundo ele, o delegado disse que a Associação estaria inativa por não terem associados e Carlo teria rebatido. “CNPJ bom, todas as certidões, celebramos este contrato dentro da Regional”, acrescentou.
Dr. João Carlos Girotto (Delegado Federal)
Carlo então explicou á autoridade federal o motivo de não terem associados. “Não temos associados, mas temos inscritos. “Porque trabalhamos no ramo “Minha Casa Minha Vida” – Entidades”, justificou o 2º Secretário da Habitare.
Ele reconhece que a Associação deveria ter feito a licitação. “Neste ponto está o nosso erro, mas os superintendentes da Caixa poderiam ter nos questionado no dia”, completou.
Ele diz ter sido vítima de conotação política. “O operador do sistema como ex-presidente do PT de Campo Belo (marido da vereadora da cidade); imagine se houvesse uma corrupção? Seria uma bomba. A PF deu uma ‘varada na água’. Esse telefonema – quem ouve, inicialmente, pensa que são dois bandidos conversando. Esses caras tão falando que já deu certo o esquema, mas estávamos conversando sobre uma festa”, finalizou.
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