
Multidão derrubou muros e depredou residência durante a noite em Lavras.
A Mãe confessou à polícia que matou porque só podia ver a menina aos domingos.
Moradores revoltados destruíram na noite desta segunda-feira (14) a casa onde morava a mulher que matou a filha de 2 anos esfaqueada em Lavras (MG), na noite de domingo (13). Lídia Acsa da Silva Borges foi degolada pela mãe, Sabrina da Silva de 29 anos. Conforme a polícia, o motivo do crime foi uma desavença da mãe, que só podia ver a filha aos domingos, com o pai da criança.
Segundo a Polícia Militar, os moradores derrubaram os muros da casa e depois invadiram a residência. Tudo foi destruído. Os móveis já haviam sido retirados horas antes por familiares, sob escolta da polícia.
O crime
Uma criança de dois anos de idade foi assassinada no início da noite deste domingo (13/11) no bairro Fonte Verde em Lavras (MG). De acordo com a mãe da criança, o crime teria sido cometido por criminosos que tentaram assalta-la e mataram a menina com um golpe de faca no pescoço. Devido à gravidade do estado de saúde da criança, a mesma foi conduzida por militares à Unidade Regional de Pronto Atendimento (URPA), porém, a pequena não resistiu e morreu a caminho do atendimento médico. Segundo a polícia, ao relatar o caso, a mulher ainda tentou despistar, mas aos 45 minutos da madrugada desta segunda-feira (14/11/2016) ela assumiu ter cometido o crime por desavenças com o pai da criança. A mulher será indiciada por homicídio qualificado.
A criança de dois anos, identificada como Lídia, só não foi decapitada porque a cabeça ficou presa ao corpo pela coluna vertebral. O crime bárbaro aconteceu na rua Ibrahin da Silva, no bairro Fonte Verde e a Polícia Civil pretende esclarecer o homicídio ainda nesta noite.
Conforme a PM, foi a mãe da criança quem acionou a polícia dizendo que ela e a filha haviam sido assaltadas na rua e que a filha estava ferida. De acordo com a Polícia Civil, em depoimento, a mulher afirmava que o crime teria sido cometido pelo assaltante, mas caiu em contradição ao ser questionada pelos policiais.
Dois delegados ficaram responsáveis pelo casos e trabalharam nele até a madrugada. Rafael Arruda (foto), da Delegacia de Homicídios e Tráfico de Drogas, e Alexandre Rezende Vieira, da Delegacia de Furtos e Roubos, estavam de plantão no domingo na Depol de Lavras, quando ocorreu o homicídio. Eles desvendaram o crime cerca de 6 horas após ter sido cometido: a mãe, Sabrina Silva de 29 anos, confessou ter matado a criança.
A princípio a mãe apresentou versão de que havia saído com a criança para ir à casa de uma amiga e que, no caminho, foi assaltada por um ladrão que pediu seu celular e R$ 200. Ela disse que não tinha e, segundo sua versão, o assaltante disse que não a machucaria, mas machucaria sua filha, para ele ter tempo de fugir. Ela continuou a versão dizendo que o suposto agressor cortou o pescoço da menina com uma faca, fugiu e ela voltou para sua casa com a filha gravemente ferida. Chegando em casa telefonou para seus familiares e a polícia foi acionada.

Dr. Rafael Arruda também trabalhou no caso. A mãe confessou o crime no inicio da madrugada. (Foto:Jornal de Lavras)
De acordo com os delegados foram encontraram inúmeras contradições na versão da mãe, dentre elas, que a perícia refez o trajeto apontado por ela e não encontrou sangue no caminho que a mãe disse ter percorrido de volta até sua casa. Também foi encontrada na residência, uma faca que aparentemente foi usada e limpa, mas que ainda tinha resquícios de material parecido com sangue. Foi encontrada, ainda, uma toalhinha também suja com material semelhante a sangue, abrindo a suspeita de que esta toalha foi utilizada para limpar a faca.
Outro ponto controverso foi o fato da perícia ter constatado que havia três cortes no pescoço da garota, dando indício de que o autor hesitou nas duas primeiras tentativas, o que levantou a suspeita de que o assassino tinha proximidade emocional com a vítima, e não conseguiu cortar seu pescoço na primeira vez.
Diante de todos os indícios e contradições em seu depoimento, Sabrina acabou confessando que foi a autora do homicídio. Ela disse que matou a filha com a faca, dentro de casa, a perícia constatou que o crime aconteceu no banheiro da residência. Ela justificou dizendo que decidiu acabar com o sofrimento de ter que ficar longe da filha, e que primeiro pensou em se matar, mas depois veio a ideia de matar a menina.
Sabrina não aceitava a ideia de perder a guarda da criança e isso foi constatado pela perícia quando encontrou, dentro de sua bíblia, anotações que remetiam à esta situação.
A mãe é dependente química, por isso, a justiça entregou a guarda da pequena ao pai. Segundo relatos de fieis que fazem parte da mesma Igreja, Sabrina não é natural de Lavras. Participou certo tempo a Assembelia de Deus Ministério de Madureira. “Ela desviou novamente, se envolveu com drogas. Chegou a ir para uma casa de recuperação; Teve uma nova oportunidade, passou a ter a guarda compartilhada. Mas, como o juiz devolveu a criança ao pai, ela perdeu a cabeça”, disse uma pessoa que conheceu a mãe de Lídia.
Durante o velório da criança, os parentes estavam inconformados.
‘Uma criança inocente’, diz tio durante velório de menina morta em Lavras
Criança de apenas 2 anos foi esfaqueada pela própria mãe neste domingo.
Mulher ainda disse para a polícia que havia sido um ladrão o autor do crime.
A menina de apenas 2 anos que morreu após ser esfaqueada no pescoço pela própria mãe foi enterrada em Lavras na manhã de segunda-feira (14). Durante a cerimônia, amigos e parentes ainda tentavam aceitar o que tinha acontecido. “Não dá para acreditar. Uma criança inocente, que não fez mal para ninguém. Graças a Deus, só trouxe alegria pra gente. E ter um fim trágico desses”, disse o tio da menina, Márcio Silva Borges.
Na casa dela, a polícia encontrou marcas de sangue no banheiro e também a faca usada pra cometer o crime. A vizinhança ficou assustada. Segundo os policiais, a mãe havia perdido a guarda da filha por causa de problemas com drogas. Ela foi presa logo depois de prestar depoimento. “Era usuária de drogas, passou por uma internação no Rio de Janeiro, por um período de três meses”, afirmou o delegado.
