

Apesar do padrasto apontar locais, o corpo de menina desaparecida ainda não foi encontrado. A população se mobilizou e uma multidão gritou por “justiça” na porta da delegacia da cidade.
Gritando por justiça, moradores de Carmo da Mata (MG) se reuniram na noite de quarta-feira (16) em frente à delegacia de Polícia Civil (antes estavam em frente a casa onde a menina morava) da cidade a procura da verdade sobre o caso de Ana Clara Pereira Gonçalves, de cinco anos, que está desaparecida desde sábado. A pequena Carmo da Mata com 11.500 habitantes está toda mobilizada para tentar encontrar a criança. Um grupo de voluntários, que começou com 30 integrantes e já somam 70 pessoas, está envolvido nesta incansável busca. Delegados e investigadores percorreram locais apontados pelo padrasto durante toda a tarde e à noite como pontos onde a menina poderia estar. As buscas se estenderam até às 23h30 e a menina não foi encontrada. Elas serão retomadas nesta quinta-feira (17). De acordo com informações, o depoimento do padrasto foi muito contraditório. A mãe da garota, segundo vizinhos, teria apresentado à polícia uma nova versão nesta quarta. Ela teria confessado que era agredida pelo companheiro. Um homem, que é usuário de drogas, também foi levado à delegacia e ouvido nesta quarta-feira. Houve tumulto com a chegada dele, que foi escoltado por policiais. Em depoimento, o acusado, que teve a prisão temporária decretada por 30 dias, teria citado o nome do usuário, motivo pelo qual a polícia procurou pelo homem e o levou ao departamento policial.

Os moradores não cansaram e ficaram na rua até às 23h30, horário em que as buscas se encerraram. (Foto:diariocampobelo.com)
Em entrevista, o delegado Regional, dr. Egmar Geraldo da Silva, contou que os trabalhos nesta quarta teve a participação de três delegados, um de Carmo da Mata e outros dois de Campo Belo. “As buscas consistiram em visitas a vários pontos apontados pelo padrasto como possíveis locais onde o corpo poderia estar”, acrescentou.
As buscas serão retomadas nesta quinta-feira, mas a cada dia a população teme pela vida da menina. “A cada dia as chances de encontrá-la com vida diminuem. Percorremos vários lugares desde o desaparecimento. Cemitério, lotes, áreas rurais, rios e nada!”, disse um voluntário.
O pai biológico da menina desaparecida, Crispim Gonçalves Viana Neto, tem ajudado nas buscas. “Onde tiver pistas, a gente vai atrás. É isso. Já fomos à lagoa e olhamos”, disse.

A mãe, que antes havia dito que o relacionamento entre criança e o padrasto era amigável, voltou atrás.
Mãe
Segundo depoimentos de vizinhos, nesta quarta-feira a mãe da pequena Ana Clara teria mudado a versão apresentada anteriormente à polícia. Antes ela dizia que o relacionamento da filha com o padrasto era amigável. Mas agora teria confessado que tanto ela quanto à Ana eram vítimas de violência doméstica. Conforme depoimentos, o padrasto batia na mãe. “Uma ex-companheira do acusado convenceu Marciana a falar a verdade. Disse que quando eram companheiros ela também apanhava. Diante disso, Marciana apresentou outros fatos aos policiais”, contou uma vizinha à reportagem do diariocampobelo.com.
Comportamento de Ana Clara
A pequena Ana Clara era a alegria da rua. Mas esta mesma alegria contagiante, esconderia um cenário de sofrimento passado no interior da residência. Com o desenrolar dos fatos, a população descobriu que toda aquela espontaneidade escondia sofrimento. Ao entrarem na residência, vizinhos viram que não havia alimento suficiente para a família e que o irmão de Ana Clara de apenas 8 meses estava sobrevivendo de água com maisena. Ele também estava com bastante assaduras. “Super descontraída, falante, brincava com todo mundo que se aproximava da fachada da residência. Brincava de pentear o cabelo de uma idosa que morava na mesma rua. Era meiga, doce. Mal sabíamos que lá dentro era diferente”, comentou uma moradora de Carmo da Mata.
Padrasto

câmeras de segurança registraram o momento em que o padrasto saiu de casa. Depois disso, Ana Clara não foi mais vista.
Apesar da PC não confirmar, o padrasto teria confessado à equipe que a criança estaria morta e que o corpo estaria enterrado. Um depoimento cheio de contradições. A população fez vigília na porta da casa onde a menina morava e em frente a delegacia. Um homem de 39 anos, conhecido por envolvimento com consumo de drogas foi ouvido sobre o assunto no departamento policial. Ele disse aos investigadores em depoimento que não viu o carro do suspeito no dia do fato.
O acusado de 27 anos é considerado frio, calculista, e o depoimento foi cheio de contradições e mentiras sobre o fato.
Tumulto
Enquanto moradores aguardavam em frente à delegacia mais informações sobre as buscas, uma mulher passou mal e foi levada desmaiada à Santa Casa de Misericórdia da cidade.A multidão se exaltou ainda mais quando um homem de 39 anos (conhecido como Paulão) que conhece o padrasto da menina foi ouvido na delegacia sobre o desaparecimento. Ele disse aos investigadores em depoimento que não viu o carro do suspeito no dia do fato. Uma cópia deste relato foi mostrado à imprensa.
Enquanto ele depunha, várias pessoas forçaram os portões para tentar entrar na delegacia, mas foram barradas por policiais civis e militares. O homem convocado para depor foi liberado por volta das 23h00 de quarta. Apesar de o padrasto ter citado vários locais por onde teria passado e a Polícia Civil considerar que a criança possa estar em algum desses pontos, os relatos do suspeito ainda não entram nos autos como uma confissão, de acordo com o delegado.
Justiça decreta prisão de padrasto de menina desaparecimento em Carmo da Mata (MG)
A Justiça decretou no início da tarde desta segunda-feira (14), a prisão temporária do jovem de 27 anos que é padrasto da menina de cinco anos que desapareceu em Carmo da Mata (MG) no último sábado (12/11) naquela cidade. Na manhã de terça-feira (15/11) ele já havia sido detido após ter apresentado uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsa durante depoimento sobre o desaparecimento da criança. Ele é o principal suspeito no caso. A delegacia regional de Campo Belo (MG) é a responsável pela investigação deste desaparecimento.
De acordo com a Polícia Civil, o carro do padrasto foi periciado e os objetos encontrados no veículo foram encaminhados a Belo Horizonte para análise. O Conselho Tutelar da cidade acompanha o caso.
Também durante a tarde de segunda, a equipe do Corpo de Bombeiros de Oliveira que foi enviada para a região para procurar pela menina voltaram para a cidade de origem. Mas um grupo de voluntários continua as buscas.
Desaparecimento
A menina de cinco anos sumiu de casa no sábado (12). Segundo a Polícia Militar (PM), aos policiais a mãe da criança, de 23 anos, disse que a viu pela última vez por volta das 15h00, sentada no sofá da sala. A jovem ainda contou que na residência estavam ela, o padrasto, a criança e um bebê de oito meses. “Fui ao quintal lavar roupas e meu companheiro foi atrás de mim e disse que ia sair. Então voltei para dentro de casa e acabei não sentindo falta [da menina]. Horas depois percebi que minha filha não estava em casa. Nesse momento fui até a vizinha procurá-la,” disse Marciana Pereira da Cruz, mãe de Ana Clara de apenas 5 anos.
Quando voltou da casa da vizinha, Marciana ligou para o companheiro, que havia saído e informou sobre o desaparecimento da filha. Os dois começaram a procurar pela criança. A PM foi até a residência deles, registrou o caso e conduziu os dois à delegacia de Polícia Civil de Campo Belo para prestarem informações. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Douglas Camarano, o padrasto entrou em contradição durante o depoimento.
A mãe destacou que ele sempre teve um bom convívio com a filha e, portanto, não acredita que tenha envolvimento no desaparecimento. “Ele gosta muito dela e ela dele. Não tem nada confirmado. Enquanto isso estamos procurando e eu já não sei mais onde buscar. Acredito que alguém possa estar com ela”, concluiu.
