
Trata-se de um quadro viral; aumento da área cardíaca. “Não é H1N1. É viral, com poder de alta agressividade, transformando o músculo cardíaco em uma espécie de ‘gelatina’ “, acredita o médico que atendeu Lorena na unidade intensiva.
A morte precoce da jovem Lorena Miranda de 16 anos na quinta-feira (31) na Santa Casa de Misericórdia São Vicente de Paulo de Campo Belo (MG) abalou a cidade. Lorena teve complicações de uma gripe que começou apresentar sinais no domingo (27), com febre alta. Foi atendida no Pronto Socorro da Santa Casa e na manhã de quinta-feira a transferiram para o no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do hospital. De acordo com o médico que a atendeu na unidade intensiva, ela teve uma miocardite – provavelmente, viral.
Dr. Lázaro Henrique foi um dos últimos médicos a avaliar Lorena. Segundo ele, a adolescente foi recebida no CTI em uma situação de emergência para tratar de um estado de choque (aparentemente cardiogênico) confirmado. O médico se deparou com as possíveis lesões apresentadas, o que o levou à um suposto diagnóstico hipotético (quase que certeza) de miocardite – com origem, provavelmente, viral. “Não é H1N1. É viral, com poder de alta agressividade, transformando o músculo cardíaco em uma espécie de “gelatina”. Ele perde a sua função de bombear o sangue e o paciente fica sem pressão”, explicou o médico.
De acordo com ele, todos os protocolos foram seguidos. “Fizemos as manobras cardiopulmonar e cerebral, além dos limites previstos nos protocolos, mas ela não apresentou resposta”, afirmou dr. Lázaro.
O caso comoveu o sistema, de acordo com o médico. “Os colaboradores e médicos ficaram consternados com a situação, que fugiu do nosso potencial de ação, uma vez que a lesão foi irreversível”, disse o profissional.
Ainda de acordo com ele, o material para possíveis exames foram colhidos. “Normalmente, todo paciente que chega ao CTI os exames são feitos. Quando há indícios de qualquer suspeita (material é colhido) e encaminha-se para análise. Foi colhido material para exames de hemograma, de secreção, para ter um diagnostico definitivo. Mas neste caso não havia lesão pulmonar que justifique a preocupação para o H1N1”, confirmou.
Exames como eletro e raio-x foram realizados. “O raio-x foi o exame que primeiro indicou diagnóstico da miocardite, pois apresentou um aumento da área cardíaca, incomum na idade dela. Porém, o pulmão não tinha lesão, imagem que sugerisse qualquer doença pulmonar”.
Ele também falou sobre a questão da alteração da área cardíaca e a relação com o vírus, que pode ter sido o fator agravante do quadro da jovem. “Normalmente o processo inflamatório no músculo, ele reage como uma forma de edema e o coração não foge à regra”, avaliou.
Até o presente momento não tem-se casos de H1N1 na Santa Casa. “Não há casos confirmados. Existem sim, casos de pneumonia, ataque cardíacos, mas especificamente sobre Influenza não há confirmação no momento”.
Lorena era a filha caçula de André Miranda (Stratus) e Vera Ruth. O casal teve três filhas e tem um neto. Uma família linda e unida. Rayssa Miranda sempre mostrava em redes sociais o carinho que tinha com a caçulinha da família, com quem Rayssa (carinhosamente) tratava como: “Meu bebê cresceu”, a universitária sempre escrevia em redes sociais a publicitária.
Os bons morrem cedo. Mais um anjo se juntou a constelação. Você ficou entre nós e só nos deu alegrias. Meiga, doce, inteligente, culta e linda. Você estava linda no sábado (radiante); parece que até se despedindo. Deus conforte seus pais e irmãs, cunhados. A nós ficou a saudade. Vá em paz, linda! Lorena é aluna do Dom Cabral .
“A morte é uma pétala que se solta da flor e deixa uma eterna saudade no coração”, descanse em paz e que a família posso com o tempo amenizar esta dor”.
Confiram a entrevista concedida pelo dr. Lázaro Henrique ao diariocampobelo.com
