

Delegados Josias Moreira Giffonni (esquerda) delegado Regional de Lavras e Pedro Paulo Uchoa Fonseca Marques, delegado-chefe do 6º Departamento de Polícia Civil, na coletiva realizada na manhã desta quarta-feira. (Jornal de Lavras)
Um suspeito de integrar uma organização criminosa de pornografia e exploração sexual de crianças foi detido em Lavras (MG), em uma operação da Polícia Federal e a Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira (25). O homem de 34 anos foi levado à delegacia após os policiais encontrarem materiais pornográficos durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Agentes da Polícia Federal e das polícias civis de quatro estados brasileiros – Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul – realizaram a mega operação policial, onde foram cumpridos 225 mandados de busca, apreensão e prisão de pessoas envolvidas com o crime de pedofilia. Em Minas Gerais foram cumpridos mandados em Lavras, Belo Horizonte e Santos Dumont.
Segundo as investigações, o suspeito, que é técnico em construção civil, acessava comunidades anônimas na internet para compartilhar imagens pornográficas de crianças. Ele foi abordado pela polícia quando saía para trabalhar, para cumprimento de mandado na casa dele.
O homem foi levado à delegacia de Lavras, onde deve prestar depoimento. A polícia vai analisar o caso para prisão em flagrante. O suspeito, preso em Lavras, mora com os pais e a PC encontrou com ele imagens pornográficas envolvendo crianças e adolescentes, inclusive uma imagem comprovadamente produzida por ele, de uma menina de aproximadamente 7 anos, que nadava nua e jogava bola apenas de calcinha. Ele alegou que as imagens eram de uma criança de sua família e negou que ela teria sido repassada a outros criminosos.
Com ele, a Polícia Civil apreendeu computador, pen drives, equipamentos de reprodução de imagens e foi encontrado em seu computador, um aplicativo que permite a navegação em uma rede de internet que veicula imagens de pornografia infantil e infanto-juvenil. S
Segundo os delegados Pedro Paulo Uchoa Fonseca Marques, delegado-chefe do 6º Departamento de Polícia Civil, e o delegado regional da 1ª Delegacia de Polícia Civil, com sede em Lavras, Josias Moreira Giffonni, o suspeito não tem ficha criminal.
A operação, uma das maiores já realizada no Brasil, envolveu 1.170 policiais civis e federais, 302 viaturas em 85 municípios dos quatro estados: São Paulo, onde teve início às investigações em 2018, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em 2018, a Polícia Civil de São Paulo, através de uma ronda virtual, chegou até um homem que pretendia levar sua sobrinha para a Disney e vende-la para abusadores russos, depois alegaria que a menina havia desaparecido em um dos parques de Orlando.
Diante desta descoberta, deu-se início a uma grande investigação, que descobriu que se tratava de uma organização criminosa com tentáculos na Rússia, que tinha indícios de uma estrutura piramidal, com distribuição de tarefas, moments chats. A Polícia Federal com a Polícia Civil de São Paulo infiltraram agentes em 20 comunidades na Deepweb, onde foram encontrados mais de 10 mil e-mails, também foram localizadas 5 nuvens onde eram veiculadas exclusivamente imagens de abuso infantis, abrigadas em países do Leste Europeu.
Foram encontradas pessoas que compravam e vendiam imagens de abuso infantil, sequestro e tráfico de crianças para serem abusadas por pedófilos.
Em 2019 foi localizado pela investigação, o “nick name” de um provável chefe da organização criminosa, que mora no Brasil e diziam que apenas um presídio na Rússia, na divisa com o Cazaquistão, onde abriga somente criminosos de altíssima periculosidade e que cumprem prisão perpétua, o presídio é denominado Black Dolphin Golfinho Negro, poderia segurá-lo. As investigações conseguiram pegar conversas em que ele dizia “que estavam protegidos pelo anonimato e que as leis brasileiras são ridículas”. Na conversa foram detectadas também críticas aos sistema brasileiro, onde ele afirmava que no Brasil não tinha prisão para segurá-los.
Investigações
Segundo a polícia, as investigações começaram em em 2018, quando os policiais descobriram um homem que pretendia vender a sobrinha para criminosos na Rússia. Ainda de acordo com as investigações, o plano dele era levar a criança para a Disney e entregá-la aos criminosos na Rússia, em uma rede de exploração sexual, alegando que ela teria desaparecido no parque.
A partir do suspeito, os policiais começaram a monitorar a deep web, e descobriram uma rede de criminosos sexuais, principalmente infanto-juvenis, que produzem, vendem e compram vídeos de crianças em situações de vulnerabilidade sexual.
“Mais de 10 mil contas de e-mails brasileiras foram identificadas, participantes dessa prática de pornografia infantil, sendo essa operação deflagrada hoje em quatro estados”, explicou o delegado Pedro Paulo Marques.
“Black Dolphin” é o nome de uma prisão russa, considerada uma das mais temidas do mundo. Segundo a investigação, um dos chefes da organização dizia que as leis brasileiras são “ridículas” e no Brasil não haveria prisão para segurá-los, e apenas a “Black Dolphin” poderia detê-los.
Fontes: Jornal de Lavras e EPTV Sul de Minas
