


O médico intensivista que acompanhou a paciente disse que todo o quadro apresentado por ela indica dengue grave. (Foto: DCB)
Uma mulher morreu no domingo (05/01) na Santa Casa de Misericórdia de Campo Belo (MG) com suspeita de dengue grave, conhecida popularmente por dengue hemorrágica. O médico que cuidou da paciente na Unidade de Pronto atendimento informou que, Maria Aparecida Cardoso, de 46 anos, recebeu cuidados da equipe da sala vermelha da UPA, onde ficam os pacientes com casos mais graves, até a sua transferência.
Segundo a família, Maria deu entrada na unidade pela manhã de sábado (04/01) e foi examinada preliminarmente pelo médico de porta da Unidade de Pronto Atendimento. Assim que dr. Harley Lasmar assumiu o plantão da sala vermelha, ele a encaminhou à emergência. Apesar dos sintomas, a causa morte da paciente será investigada.
A Santa Casa solicitou a sorologia, o material é enviado à Fundação Ezequiel Dias e o resultado leva uns dias para ser liberado. De acordo com dr. Harley Lamar, a primeira avaliação da paciente indicou dengue com sinais de alerta. Ele disse que existem algumas classificações para dengue: antigamente chamado dengue clássico, dengue com sinais de alerta e atualmente dengue grave (anteriormente – dengue hemorrágica). “Quando o paciente está neste estágio e não conseguimos reverter esta situação de permeabilidade de vaso, ele passa a uma fase mais grave. A suspeita de sinais de alerta foi porque todo sintoma dela se encaixa nesta condição”, garantiu o médico.
Conforme dr. Harley detalhou, a paciente estava em choque, abdômen distendido, pressão baixa, confusa, pele fria. “Dados suficientes para classificá-la como um quadro de sinais de alerta. Só não foi classificada diretamente como dengue grave ou hemorrágica a principio, pois a mesma não apresentava hemorragias na quele momento. Ela entrou no protocolo de coleta de sangue, posteriormente para diagnóstico etiológico. O clínico e tratamento independem do diagnóstico com resultados de exames (sorologia)”, completou.
De acordo com ele, quando há suspeita de dengue há a notificação compulsória. “A Santa Casa colhe o material (sangue). Temos que entender que dengue faz parte da síndrome hemorrágica, existe outras também. Por fazer parte deste quadro, abre-se um protocolo para pesquisa etiológica da doença”, detalhou o médico.
Questionado sobre a demora ou não do atendimento, dr. Harley pontuou que ao assumir o plantão, prestou atendimento. “Ela foi a minha primeira paciente atendida fora da sala vermelha. Logo a trouxe, pois já estava em condições difíceis. Tanto que acabou evoluindo com a perda da vida”, contou até emocionado o médico.
A título de informação, o DCB também perguntou ao médico sobre os casos de dengue em Campo Belo. “Casos suspeitos existem. Estamos em um país tropical e qualquer febre sem um foco infeccioso, devemos pensar em dengue. A partir disso, paciente com febre e apresentando alterações de plaquetas, leucócitos, exame da prova do laço, cefaleia, dor nas articulações, são suspeitas de dengue. Colhe-se material e, posteriormente, averiguá-se se é dengue ou não”, orientou.
O médico acrescentou que paciente com suspeita de dengue em estágio grave até o momento foi somente dona Maria, mas há outros casos mais leves. “Tem casos com plaquetopenia, principalmente, pacientes cardiopatas, com problema renal e diabético, que sofrem mais”, pontuou.
Função
A função dos plantonistas, na visão do intensivista, é separar os pacientes que apresentam dengue clássico dos demais estágios. “O clássico pode ser tratado em casa. Já o caso grave ou sinais de alerta tem que ser internado, pois corre risco de vida”, alertou o médico intensivista.
Estágios da dengue
Na entrevista concedida ao site, dr. Harley explicou de maneira clara um dos estágios da doença transmitida pela picada do Aedes. “Tem uma fase do dengue que há uma alteração da permeabilidade do vaso. O próprio organismo do paciente, sistema auto imune tem uma preferência pela parede do vaso. Como consequência faz o vaso ficar relaxado, extravasa líquido pelas cavidades (dando derrame pleoral), ataca o miocárdio e às vezes o cérebro. O paciente passa a ficar sonolento, o paciente têm edemas pelo corpo, cresce o fígado, cai a plaquetas, aumenta o hematócrito”, explicou o médico.
Casos de dengue
Segundo a direção de enfermagem da UPA, de sexta a domingo foram registrados na Unidade 12 casos suspeitos; O número cresceu nesta segunda e até o momento em que a produção do site saiu da Unidade haviam passado pelo local 10 pessoas com suspeita da doença.
Confiram a entrevista esclarecedora que dr. Harley concedeu ao DCB.
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