

▶️ Quatro réus respondem pela morte de casal assassinado em 2015; crime teria motivação passional, aponta investigação
Uma mulher, o marido e dois irmãos dela começaram a ser julgados nesta terça-feira (05/12/2017) no Fórum de Campo Belo, acusados de envolvimento no assassinato de um casal na Comunidade do Óleo, zona rural de Cristais (MG), em 26 de setembro de 2015.

Foram levados a júri popular Wanderleia Ricarte (37 anos), o marido Luciano Francisco Rodrigues (39) e os irmãos Tiago Ricarte (33) e José Mira Júnior (36). O grupo havia sido formalmente acusado em janeiro de 2017, após investigações da Polícia Civil de Campo Belo.
As vítimas são Adilson Moreira Neves (37), operador de máquinas da Prefeitura de Cristais, e Priscilla Alves Girardeli (34), funcionária de confecção. Eles foram encontrados mortos no sítio onde moravam: ele com marcas de tiros, e ela parcialmente carbonizada.


Segundo a Polícia Civil, o caso se tratou de um homicídio duplamente qualificado, com motivação passional. O delegado José Rubens Nogueira Neto explicou que Adilson teria mantido um relacionamento com Wanderleia, que não aceitava o fim do envolvimento.

Ainda de acordo com o inquérito, o conflito entre as duas mulheres se intensificou após Priscilla, esposa de Adilson, descobrir o caso extraconjugal. Em um episódio relatado à polícia, Priscilla teria agredido Wanderleia em via pública. A partir disso, segundo a investigação, a acusada teria contado a história ao marido e aos irmãos, que passaram a planejar o assassinato.
“Fizeram uma fogueira e queimaram a vítima. No quintal da propriedade havia marcas de sangue”, afirmou o delegado durante a conclusão do inquérito.
A primeira linha de investigação considerou o crime como latrocínio (roubo seguido de morte), já que a moto, o celular e o cartão de crédito de uma das vítimas haviam desaparecido. Porém, essa hipótese foi descartada: a moto foi encontrada jogada de uma ponte em Boa Esperança, o cartão nunca foi usado e o celular sumiu. Para a polícia, o fato de Priscilla ter sido carbonizada indicava vingança e motivação passional.
Em novembro de 2016, três suspeitos foram presos preventivamente em Cristais. Dias depois, um quarto acusado, irmão da principal ré, também foi detido. Na época, eles foram levados para a delegacia de Campo Belo, onde negaram envolvimento no crime.
Wanderleia admitiu ter tido relacionamento amoroso com Adilson, mas negou perseguição às vítimas e alegou estar em casa com os filhos no dia do assassinato.

Na noite de 25 de setembro de 2015, Adilson e Priscilla foram vistos pela última vez ao saírem para comprar um lanche. Na manhã seguinte, o pai do operador de máquinas, Helvécio Moreira (“Dico”), estranhou a demora do filho e foi até o sítio da família.
Ao chegar, encontrou o corpo carbonizado de Priscilla próximo à entrada da casa e, dentro do imóvel, o filho morto com três disparos de arma de fogo. O crime abalou a pequena cidade pela brutalidade.

Publicado por Diário Campo Belo -Dezembro de 2016
