

▶️ A paciente ficou na recepção sentindo dores, com o caso se agravando, pressão e saturação caindo, usando fraldas, e não conseguiu ser avaliada na UPA
Uma moradora de Campo Belo (MG), de 50 anos, passou por momentos de dor e constrangimento na quarta-feira passada (30/4) na UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Com um quadro de diarreia, vômito, sudorese, pressão baixa, muita dor, desidratação extrema, procurou atendimento médico, mas não conseguiu ser avaliada sequer na triagem, mesmo aguardando mais de 45 minutos. Diante da demora e quase desfalecendo, ela foi levada pelo filho a um consultório e imediatamente encaminhada para o PA (Pronto Atendimento da Santa Casa). A equipe do Manchester ao se deparar com a paciente cianótica na recepção prestou o atendimento imediato. O caso era tão grave que a jornalista foi encaminhada a sala vermelha onde conseguiram estabiliza-la. Ela só foi encaminhada ao quarto a noite.
A jornalista chegou a UPA, que estava lotada, por volta das 8h10. Fez a ficha, sentou-se a cada minuto seu quadro piorava. “Eu fui ao banheiro, os sintomas eram cada vez mais frequentes, foi necessário pedir mais fraldas (meu filho levou), muita fraqueza, que até pacientes que aguardavam atendimento antes de mim, se solidarizaram. A moça dos serviços gerais me entregou um saco preto (caso eu não conseguisse ir ao banheiro), mas a triagem não aconteceu. Foram momentos tensos. Uma falta de humanidade. Não por mim, mas por qualquer pessoa naquela condição e as outras que também aguardavam atendimento”, descreveu Kelly.
Em um certo momento, segundo a jornalista, o nome dela foi chamado, porém, não era o Manchester. “A Salime por saber da minha condição ligou na UPA e tentou ajudar. Aliás, ajudar a todos que ali estavam e o serviço estava lento. Pediu atendimento mais rápido, sem sucesso”, relembrou.
Um morador da Vila Senhor Bom Jesus também chegou da paciente e disse que ela precisava ser atendida, que iria pedir prioridade. Com a demora, por volta das 09h08, o filho resolver tentar um outro recurso. Ele não aguentava ver o sofrimento da mãe. Foram então para o consultório do Dr. Harley Lasmar, que devido a gravidade do caso, encaixou a paciente. Ao se encaminharem para o carro mais uma cena chamou a atenção. “Enquanto a UPA estava lotada, duas enfermeiras padrão, estava do lado de fora da UPA conversando com a vereadora, enfermeira Wania Cordeiro (ex-chefe da UPA). “A UPA está um caos, embora sempre relate fatos de outros pacientes, desta vez senti na pele. O prefeito precisa se posicionar, realmente fiscalizar a UPA, sanar o problema. Será que vidas serão sacrificadas? A demora quando não há urgência é aceitável, mas em casos graves pode custar uma vida. Resolvi dar publicidade ao caso não por mim, mas pelos que não tem meios”, citou Kelly.
▶️ Atendimento PA
No Pronto Atendimento antes mesmo de finalizar a ficha, Kelly foi atendida. Juliana (enfermeira) abriu a porta para chamar uma criança que havia chegando antes, mas ao se deparar com a paciente cianótica, priorizou o atendimento. A pressão estava muito baixa, batimentos cardíacos acelerados, e a recarga capilar – quando se comprime o dedo para avaliar em quanto tempo o sangue está retornando (a demora indica uma possível diminuição do fluxo sanguíneo ou problemas de circulação). Deveria voltar em 2 segundo e da Kelly estava levando 6.
Com todos os cuidados intensivos, Kelly foi se recuperando.
Agradeço primeiramente Deus. Ao Dr. Harley pelo diagnóstico preciso e toda a equipe da Santa Casa que estava no plantão daquela quarta-feira:
Jaqueline, Poliana, Julliana, Giovana, Andressa, Gabriel, Adilson e Simone (Enfermagem)
Paulo Neto e Moisés (médicos)
Maicon (recepcionista)
Silvia (higienização)
Publicado por Diário Campo Belo – 08/05
