

“Pela segunda vez pegando um filho no caixão”, esse é o depoimento de Thais Moyses Cirino, de 25 anos, moradora do Bairro Vale do Sol, em Campo Belo (MG). Ela estaria completando seis meses de gestação. Preocupada por ser a 2ª gravidez (perdeu um bebê em 2015) fez uma ultrassonografia e constatado o problema (o colo do útero abre a medida que o bebê ganha peso) foi para a Santa Casa e de lá transferida para Belo Horizonte. Chegou ao hospital Sofia Feldman no dia 16 de setembro, fizeram o parto dois dias depois, mas a criança sobreviveu somente duas horas. Thaís garante que desde a primeira consulta na UBS no mês de abril de 2024, questionou acerca da sua primeira gravidez e levou o ultrassom realizado em 2015 e se certificou se não seria pertinente encaminha-la para pré-natal em centro especializado em gravidez de risco. “Segundo ela, a resposta foi: – uma gravidez não é igual à outra”.

Mayra Ires Maia Ferreira, enfermeira chefe da UBS do Jardim América garantiu que todo o Protocolo para atender a referida gestante foi seguido de forma adequada.
Abalada, Thais recebeu a reportagem do DCB em sua residência. Mostrou todos os exames, inclusive os realizados em sua primeira gravidez de 2015. “Ela já foi de risco”, relembra.

Descoberta
Em abril de 2024 descobriu nova gestação. Thais garante que iniciou o pré-natal com 01 mês 2 duas semanas. “Eu solicitei a enfermeira encaminhamento par local de gravidez de risco. A enfermeira disse que não era de risco”, acrescentou.
Ela continuou seguindo as datas do pré-natal e a última foi dia 04 de setembro, quando retornou a UBS do bairro e foi avaliada pela a médica. “Ficou de enviar pra obstetra do núcleo para avaliação. Se a obstetra fizesse observações eu seria avisada”, citou Thais.

No dia 16, de acordo com a gestante, foi realizado um exame morfológico de 2º trimestre, pedido da médica da UBS em sua última consulta. “O especialista observou que o colo do útero estava aberto e já me encaminhou a maternidade da Santa Casa. A plantonista alertou acerca de um procedimento chamado cerclagem e que deveria ser feito com três meses de gestação. Mas ninguém havia falado sobre feito, anteriormente”, garantiu.

Diante da constatação, a médica tentou fazer o procedimento, “mas sem sucesso”, contou Thais.
No mesmo momento, de acordo com a gestante, a médica do núcleo da mulher entrou na maternidade, examinou o ultrassom de 2015 e conferiu o atual. “Ela disse que era o mesmo problema de 2015”, pontua.
A Santa Casa conseguiu transferência para a capital mineira. “Em Belo Horizonte, na quinta-feira, dia 18 de setembro, outra equipe assumiu e começaram a aplicar medicação pra segurar o bebê”.
Na sexta havia dilatado 10 cm e fizeram o parto. “Foi pra UTI, mas duas horas e não resistiu”.
Outro lado
A referida paciente iniciou pré-natal na UBS Jardim América no dia 23 de maio deste ano com idade gestacional correspondendo a 6+6 dias de acordo com a data da última menstruação, na oportunidade foram solicitados os exames do primeiro trimestre e USG obstétrica. A paciente retornou para novo pré-natal em 26/06, sem queixas, apresentou nesse atendimento USG realizada no dia 23/05/24 com idade gestacional de 6 semanas e 3 dias (referente a data de realização do exame), sem descrição de alterações.

Novo pré-natal foi realizado no dia 10/07, também sem queixas, sem alterações nos exames laboratoriais e com desenvolvimento da gestação dentro do esperado, neste atendimento foi relatado abortamento anterior há 09 anos devido deslocamento da placenta. A paciente retornou para atendimento no dia 07/08, com idade gestacional de 17 semanas e 2 dias, novamente sem queixas e/ou intercorrências, desenvolvimento gestacional normal e BCF audível.

No dia 04/09 foi realizado novo pré-natal, paciente estava com idade gestacional de 21 semanas e 2 dias, sem queixas, evolução gestacional sem intercorrências aparentes.

Na oportunidade devido o histórico de abortamento anterior há 9 anos, foi realizado contato com a médica responsável pelo pré-natal de alto risco (PNAR) no CEAE, onde foi discutido o histórico da paciente e condições atuais da gestação, a médica da unidade Dra. Andréia foi orientada pela especialista que não havia necessidade de intervenções e encaminhamento naquele momento da paciente, com base no relato. Orientando a manutenção da paciente no pré-natal de risco habitual e monitoramento da mesma. Na época da consulta a gestante estava com USG agendada para os próximos dias, orientando retorno após realização do exame.
Sem mais,
Estamos à disposição para novos esclarecimentos.
Atenciosamente
Mayra Íris Maia Ferreira
RT UBS Jardim América
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Publicado por Diário Campo Belo
25/09/2024 – 19h52
