

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o número oficial de candidaturas LGBT+ para as eleições municipais. Segundo o levantamento, 3.045 candidaturas foram registradas, um crescimento significativo em relação às últimas eleições municipais, quando 556 nomes foram mapeados pela sociedade civil organizada. O avanço é um marco importante para a inclusão e visibilidade da população LGBT+ na política brasileira.
Em 2024, o Brasil registrou 454.689 candidaturas no total, número 18,5% menor em comparação às eleições de 2020. Embora os homens ainda representem a maioria, com 66% do total de candidaturas, a diversidade racial se destaca: 53,59% dos candidatos se autodeclaram pessoas não brancas.
No que diz respeito à identidade de gênero, 20,01% dos candidatos optaram por não declarar, enquanto 79,77% se identificam como cisgêneros e 0,21% como transgêneros. Dentre as candidaturas de pessoas trans, 62,05% são de indivíduos que se autodeclaram pretos e pardos.
A orientação sexual também foi outro campo importante do levantamento, com 68,41% dos candidatos optando por não declarar. Entre os mais de 143 mil que se manifestaram, 98,27% se declararam heterossexuais, 0,72% gays, 0,44% lésbicas e 0,31% bissexuais. Assexualidade e pansexualidade somam 0,18% dos declarantes.
Gui Mohallem, diretor executivo da ONG VoteLGBT, celebrou a divulgação oficial das candidaturas LGBT+ pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), chamando o momento de histórico. Desde 2014, a organização vem trabalhando para aumentar a representatividade LGBT+ nos espaços de poder político.
“É um passo muito importante em direção à cidadania plena das pessoas LGBT+ nesse país. É a primeira vez que somos contados oficialmente por algum órgão público e é muito significativo que tenha sido o TSE, a partir de uma provocação da VOTELGBT, da ANTRA e de vários parlamentares da bancada LGBT+, como o senador Fabiano Contarato e as deputadas Daiana Santos, Duda Salabert e Erika Hilton. Para nós, ter acesso a esses números, a esses dados, é um sonho de muito tempo”, afirmou Mohallem.
Apesar do avanço, Mohallem ressalta que esse é apenas o primeiro passo. “Conseguir entender quais desafios específicos essas lideranças LGBT enfrentam e como criar mecanismos para poder superar esses desafios, tanto desde um apoio da sociedade civil, quanto pensar políticas públicas de garantia de direitos. Como é que você protege essas lideranças políticas de violência, por exemplo? De cara, a gente começa com um número histórico de mais de três mil candidaturas e ainda deve aumentar. Então, é uma alegria muito grande saber que tem tanta gente nossa disposta a disputar a arena política. Sem diversidade, não há democracia.” concluiu.
Esta matéria foi adaptada do TSE / Jornal de Brasília.
Foto: Canva Pro
Publicado por Diário Campo Belo
06/09/2024 - 12:06
