


“Uma situação onde não pegamos um diagnóstico e sim, um decreto de morte. Na associação encontrei ajuda financeira e psicológica”. Esse é o relato de dona Raimunda, diagnosticada com câncer em 2016, e é uma das assistidas pela Associação Túlio Miguel de Combate ao Câncer (AACVE). A Associação, que leva o nome do ex-prefeito de Campo Belo (MG), Marco Túlio Lopes Miguel, completa 10 anos de sua fundação e atualmente atende há mais 30 assistidos. Um trabalho voluntário que vai além de oferecer estrutura aos pacientes diagnosticados com câncer: oferecem afeto, carinho e atenção. Um trabalho que cuida do equilíbrio emocional, necessário em momentos perturbadores.

Para dona Raimunda, um lugar onde pacientes encontram muito apoio. “Uma instituição que não pode parar”, incentiva a assistida.

Raimunda não é a única. Dona Rita Casimiro Fernandes, de 76 anos, também define a associação como uma terapia. Ela foi diagnosticada com câncer há 5 anos. Provavelmente, em junho terá alta após a consulta com a oncologista. “Passei por um câncer no estômago, afetou o baço, foi extraído uma parte do estômago e pâncreas e Deus me deu mais uma chance. A convivência na associação nos ajuda muito na recuperação”, contou a assistida.

Gleide Aparecida também faz parte do grupo da Associação e também está em tratamento. O caso dela é genético. “Há quatro anos foi diagnosticada com câncer de mama. Em 2023, o médico suspeitou de metástases, mas graças a Deus não se confirmou. Mas o acompanhamento é permanente, pois há a genética. Em janeiro deste ano fiz duas cirurgias, ovário e mama, mas a biopsia foi negativa. A oficina de artesanato da associação é uma terapia”, resumiu Gleide.

Dona Silvia, que chegou a ser entubada logo após a cirurgia para retirar um câncer de ovário, a convivência e troca de experiência na Associação Túlio Miguel é significante. “Muito bom! Tive dois cânceres no ovário, em 2022 e desde então Jesus me abençoou. Estou aqui. Essa convivência com outras pessoas diagnosticadas nos ajuda e muito”, citou Silvia.

Toninha é voluntária na oficina de artesanato da Associação. Para ela, há uma troca. “Sou uma facilitadora. Compartilhamos conhecimentos, história de vida, aumentamos o vínculo afetivo. Tiramos as pessoas do tempo ociosos, da depressão. Um momento nosso”, concluiu.

A presidente Débora Retori diz que o objetivo da Associação é ajudar as pessoas. “Seguindo a passos lentos, mas com o propósito de fazer o bem para as pessoas”.


Segundo Débora, as doações podem ser feitas através do pix, conta de água mensalmente, e duas contas em bancos distintos: Sicoob Credibelo e Banco do Brasil.

Lenir define o trabalho na Associação como gratificante. “Completamos 10 anos de uma caminhada cheia de desafios, mas gratificantes. Campo Belo tem características de filantropia. Contamos com o apoio, pois vivemos de doações”,
Ela ressaltou as emendas impositivas destinadas a AACCV. “Duas ações que foram benéficas ao projeto. Primeira ação partiu do Prefeito Alisson em permitir o cadastramento dos doares da Associação através das contas do DEMAE. A outra foram as emendas impositivas da Câmara de vereadores”, enfatizou.

Bruna trabalha na Associação há 8 meses. “Estou na gestão técnica dos projetos desenvolvidos na associação, no artesanato e também nas ações encaminhadas através das emendas impositivas. Projetos geridos para que consiga chegar mais recursos aos pacientes, como medicamentos. O acolhimento necessário pra enfrentar essa doença que não é fácil, mas com apoio, a jornada é mais fácil de ser enfrentada”, detalhou Bruna.

Elizangela faz parte da equipe desde a sua fundação. “Auxiliar administrativo e primamos pela transparência. Toda a população está convidada a conhecer e acompanhar o nosso trabalho”, acrescentou.

Carol Bernardes é psicóloga e explica o trabalho realizado na Associação. Ela costuma ir ao encontro dos pacientes. “Pacientes e familiares necessitam de apoio. Muito importante passar por esse processo com mais amor, acolhimento. Trabalhar o sentimento, as emoções, visa a qualidade de vida”, resumiu a profissional.

Flávia Mendes cita momentos marcantes desta caminhada. “O retorno no momento de um contato telefônico para mostrar o trabalho da Associação é gratificante. Precisamos deste retorno. É através da doação que conseguimos ajudar o próximo”, explicou.

Túlio Miguel
Marco Túlio Lopes Miguel, natural de Campo Belo, e na época prefeito municipal, paciente oncológico que sabia dos desafios e dificuldades no tratamento e na luta contra a doença, deixou este legado, e uma missão a todos que compõe a equipe da Associação Túlio Miguel de Combate ao Câncer.

Faleceu em 18 de maio de 2015, aos 47 anos, mas com a certeza de que a semente iria florescer, como até hoje, com ajuda e assistência a pacientes oncológicos e suas famílias, do município e entorno.
