

A família do ex-detento, Marcelino Ribeiro Santana, de 37 anos, que morreu no sábado, 16 de março de 2024 na UTI da Santa Casa de Campo Belo (MG) acredita que houve demora no encaminhamento do preso para atendimento hospitalar. Segundo Jussara Aparecida Alexandre, foi apresentado um lado médico emitido por um cardiologista apontando os riscos de o interno permanecer no presídio, poderia contrair uma bactéria. Mas foi negado.” Estávamos aguardando alvará de soltura para a prisão domiciliar”. Marcelino estava preso havia 9 meses, de acordo com familiares.

Jussara acredita em negligência por parte do presídio. “A assistência social do presídio não estava acompanhando direito. Eu pedi o número do contato da assistência e não me passaram. Enviei mensagens pro presídio e não obtive resposta sobre a falta de medicamentos ou não. Eu estava comprando os medicamentos e simplesmente eles pararam de me responder. Com o passar do tempo, o menino enviou uma carta relatando dores e que poderia passar mal a qualquer hora. Ele ficava sem alimentar e tomar água”, detalhou Jussara.
Marcelino usava marcapasso. “Ele precisava sair do presídio para fazer a troca do equipamento. Eles não quiseram autorizar. Quando o quadro piorou eles me pediram remédios. Eu enviei, mas o marcapasso não aceitava mais os medicamentos atuais,” acrescentou.

Quando a situação piorou, de acordo com Jussara, Marcelino foi encaminhado pra UPA. Em 10 de março foi a última vez que ele teria ido a UPA. No dia seguinte já foi internado na UTI. “Eu fui na portaria do presídio, mas eles me esperaram sair pra retirá-lo, colocá-lo na ambulância e leva-lo pra unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele tomou uma injeção na veia e voltou pra o presídio. Porém, no dia seguinte (11 de março) ele teve outra crise e já foi levado para o CTI da Santa Casa,” recorda-se.

A companheira do paciente disse que faltou muitas informações a família enquanto Marcelino esteva preso. “Eles entraram contato comigo e disseram: – se vc quiser descer para acompanha-lo, pode! Eu então perguntei onde e eles não responderam. Por conta própria fui para a Santa Casa sem tem conhecimento da gravidade. Ao perguntar, a recepcionista confirmou a internação dele, mas disse que estava no CTI. Foi um choque!”, relembrou a mulher de Marcelino.
Mesmo fora do horário, o hospital liberou a entrada de Jussara na UTI. “Entrei e ele estava em gritos, sentindo muitas dores. Tentou a conversar comigo. Nos dias seguintes eu fui e no último ele estava muito fraco. Faleceu no sábado, dia 16”, disse.
“Acredito em negligência sim. Eu prometi no velório, juntamente com o filho dele, que vou buscar respostas”, finalizou Jussara.
Nota
Através de e-mail a ASCOM/SEJUSP respondeu sobre o caso.
“Quando ocorreu a morte, nesse sábado (16/3), o paciente mencionado já havia sido desligado do sistema prisional mineiro. Ele possuía problemas de saúde (problemas cardíacos e utilização de marcapasso) e por isso foi solicitada a prisão domiciliar. Na segunda-feira (12/3) ele recebeu alvará de soltura expedido pela Justiça.
Enquanto estava no Presídio de Campo Belo o detento recebeu atendimentos da equipe de saúde da unidade, além de passar por atendimento na UPA municipal nos dias 8, 9 e 10 de março. No dia 11 foi transferido para internação na Santa Casa local.
Não houve mortes no presídio este ano, até o momento. Em 2023, ocorreram duas mortes”.
