

“No último trimestre de 2022, as investigações indicaram que o PCC elaborou uma lista de pessoas que estariam marcadas para morrer”, disse o promotor.
15 pessoas, entre elas, duas mulheres, foram presas na Operação “Escritório do Crime” deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, núcleo Varginha, nesta quarta-feira (10/05/2023). A operação foi destinada a desmantelar organização e associações criminosas atuantes em Campo Belo (MG) e outras cidades do Estado, dedicadas ao tráfico de drogas e seu financiamento, tortura, receptação qualificada e tráfico de armas. A investigação apontou que o líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) atuava em Campo Belo. A associação criminosa, conforme a investigação (que durou 8 meses), estava por trás dos homicídios de 2022. Já foram oferecidas 2 denúncias contra 10 pessoas pela prática de 17 crimes. De acordo com o Ministério Público, foram cumpridos 34 mandados em Campo Belo, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo, Uberlândia, Divinópolis e Natal, no Rio Grande do Norte.

De acordo com o Coordenador do Gaeco (núcelo de Varginha), Dr. Igor Serrano Silva, quatro pessoas foram presas em Campo Belo, 01 em Santana do Jacaré, duas em Uberlândia, uma em Natal, duas em Santo Antônio do Amparo. As outras pessoas já estavam presas. Totalizando 16 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e 8 mandados de prisão temporária. “O Ministério Público deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) uma operação de combate a facções criminosas, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes correlatos. A ação é realizada em conjunto com as polícias civil, militar, penal, rodoviária federal e acontece em todo o país, inclusive no Sul de Minas”, explicou o coordenador do Gaeco.
Na coletiva, o Coordenador do Gaeco de Varginha, Dr. Igor Serrano Silva, explicou detalhes da “Operação Escritório do Crime”. Ela ocorreu a nível nacional. No total foram cumpridos 451 mandados judiciais, sendo 228 de prisão e 223 de busca e apreensões. Mais de mil policiais (militares, civis, penais e rodoviários federais) participaram da operação, além de mais de 40 promotores de justiça dos GAECOS de três estados da federação. “Nas cidades de Campo Belo, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo, Uberlândia, Divinópolis e Natal, no Rio Grande do Norte foram cumpridos mandados de prisão”, declarou o coordenador.

Ainda segundo ele, um líder do PCC foi descoberto em Campo Belo. “Era responsável pelo tráfico de drogas local, além do financiamento do tráfico, receptação de veículos clonados, sequestros, torturas e tráfico de armas. A apuração inicial deu conta da existência de disputas entre grupos rivais na cidade de Campo Belo o que resultou em uma série de homicídios e em consequência deles, como uma vingança. A partir daí foi possível vislumbrar a atuação desse líder, extremamente capilarizada juntamente com outros integrantes”, acrescentou o coordenador.

O promotor de justiça da Comarca de Campo Belo (MG), Dr. Nielsen de Aguiar Rocha, acredita que o êxito da operação se deve ao trabalho integrado entre os diversos órgãos que compõem o sistema de percepção penal visando o combate ao crime organizado. “Em Campo Belo já atravessamos no passado e vivenciamos novamente essa rivalidade entre facções ligadas ao tráfico de drogas que se valem de violência, crueldade, de graves ameaças, emprego de armamento pesado, que tem gerado uma série de crimes na nossa cidade. As instituições têm trabalhado de forma integrada e harmônica para que os responsáveis por tais atos sejam devidamente responsabilizados nos termos da lei e para que esta situação tenha um desfecho favorável a sociedade”, pontuou o promotor de justiça.

De acordo com o delegado, Dr. Pedro Paulo Marques (integrante do Gaeco), na Operação “Escritório do Crime” foram presas 15 pessoas e apreendidas armas de fogo, diversas munições e calibres, dinheiro proveniente do tráfico de drogas, aparelhos celulares (que serão examinados) e drogas. “Em Uberlândia em sua maioria foram apreendidas drogas sintéticas e também drogas fabricadas. Na casa de um dos investigados havia carregamento de balas (jujubas) e elas continham drogas em seu interior”, informou o integrando do GAECO.
Investigação

Conforme dr. Nielsen (promotor da Comarca), a investigação se iniciou por conta dos homicídios de 2022. “No decorrer dos trabalhos, foi apurada a acentuada atuação do líder de uma facção criminosa na cidade, responsável pela organização de planos de vingança e pela articulação de uma série de ações criminosas, dentre elas tráfico de drogas e seu financiamento, sequestro, receptação de carros clonados e tráfico de armas. A partir dali foram apurados os crimes pela Polícia Civil em procedimentos apartados (muitos deles já receberam denúncia) e prosseguimos com as investigações em relação a atividade da organização criminosa em si que estava subjacente a esses homicídios que era o mais importante. Atuamos na investigação das causas. Houve efetivamente a responsabilização desses indivíduos pela prática de uma série de crimes e também pelo fato de integrarem organizações e associações criminosas”, esclareceu o promotor de justiça. Campo Belo e região, por causa de disputas entre traficantes pela hegemonia criminosa local.

Segundo Major da PMMG, Marcos Paulo Abranches Teixeira, nesta operação no Sul de Minas, foram empregados 75 policiais militares, 21 policiais civis, 30 viaturas e uma aeronave. “Ela trará tranquilidade principalmente na cidade de Campo Belo considerando que muitos dos indivíduos presos hoje são integrantes de organizações criminosas, tem participação ativa em diversos crimes cometidos aqui. Desde do ano anterior, inclusive homicídios recentes com participação de pessoas envolvidas nessas organizações. A partir deste momento termos a certeza que levaremos mais tranquilidade à população”, garante o comandante da PM em Campo Belo.
Homicídios

Segundo o promotor de justiça, Dr. Nielsen, em meados de 2022 teve o primeiro homicídio em Campo Belo, onde a vítima seria ligada ao PCC. Posteriormente, no início de setembro de 2022, registrou-se o segundo homicídio. O indivíduo também seria vinculado a facção criminosa, apontou a investigação. “Essa segunda baixa teria sido o estopim para que a Organização Criminosa praticasse atos de retaliação a esses homicídios”, disse.
No último trimestre de 2022, as investigações indicaram que o PCC elaborou uma lista de pessoas que estariam marcadas para morrer. “Houve sequestro de adolescente, tortura. Em retaliação, propriamente dita a esses crimes, em setembro ocorreu uma dupla tentativa de homicídio em Campo Belo. Já na cidade de Perdões registrou-se um assassinato (era um dos alvos que configurava na lista elaborada pela organização). Uma adolescente de Campo Belo foi sequestrada e encontrada em Perdões sem vida (com sinais de ter sido assassinada). A principio a investigação demonstra homicídios de pessoas vinculadas ao PCC e em retaliação indivíduos de Campo Belo e que se refugiaram em cidades vizinhas (cientes da retaliação) também assassinados pela organização”, detalhou.

O promotor explicou a linha de atuação da facção. De acordo com as investigações, inicialmente esse líder do PCC, que atuava em Campo Belo, foi o responsável por obter do comando do PCC a autorização para matar as pessoas que supostamente teriam assassinado os integrantes da organização anteriormente. “Usando a sua influência ele conseguiu o suporte humano e material para a execução: armas, carros e pessoas”, ressaltou Dr. Nielsen.

Segundo o coordenador do Gaeco, falou sobre o “Escritório do crime”. “Paralelamente, descobriu-se que a atuação não se resumia ao tráfico de drogas ou na vingança dos homicídios. Se dava em angariar junto a outras pessoas da sociedade o financiamento da atividade criminosa, tráfico de arma e receptação de veículos clonados no estado de São Paulo. Foi verificada uma enorme gama de crime, além dos crimes já mencionados, praticados por esses indivíduos. Por isso, que aqui em Campo Belo era considerado um verdadeiro “Escritório do Crime” com a mais variada atuação dentro da seara criminosa”, afirmou o coordenador.
Ainda segundo ele, a pessoa presa em Natal morava em Campo Belo, mas tinha relação íntima com o chefe do PCC. “Ela foi presa no norte do país, porque no período em que estava em Campo Belo atuava também no tráfico de drogas e no auxílio inestimável em toda essa atividade narrada até aqui”.

Durante a coletiva o delegado, integrante do Gaeco, Dr. Igor, disse que a mulher presa em Campo Belo é acusada de tráfico de drogas. “Em contextos diferentes”.
Custodia dos presos

Washington Fonseca Borges, diretor da 6ª Regional de Polícia Penal, também participou da coletiva realizada nesta quarta-feira. Ele completou que a polícia penal integra as ações do GAECO, juntamente com a PM e PC, no que compete a custódia dos presos. “Eles serão encaminhados ao sistema prisional da região. Aqueles que foram contidos em cidades relacionadas a Campo Belo permanecerão aqui. Já os contidos em Santo Antônio do Amparo a custódia será em Oliveira. Todos eles serão avaliados criteriosamente para que seja efetivado o índice de complexidade prisional dele. Os que tiverem alto índice de capacidade criminal ou alto índice de envolvimento e articulação dentro do crime organizado possivelmente não permanecerão na cidade de prisão e serão recambiados para a penitenciária de Três Corações que é o estabelecimento prisional do sul de Minas com a maior capacidade de segurança prisional. A unidade de Campo Belo é indicador de segurança 1, Oliveira indicador de segurança 3. Todos aqueles que excederam esse indicador serão remanejados para unidade com porte compatível”, explicou.
Resultado
Ao todo são 16 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e 8 mandados de prisão temporária, sendo:








