
Aparentemente era um serviço normal e legalizado para advogados habilitarem. Representar um suposto vendedor na venda de terrenos. Porém, o valor estipulado pelos imóveis chamou a atenção da Dra. Andrea Fabiana Cândido e a mesma começou a desconfiar da negociação que seria realizada em Campo Belo (MG). Ela chegou a proceder todas as etapas para a venda, inclusive, reconhecimento a principio de uma escritura pública em cartório com sede na cidade. A negociação teve inicio em abril deste ano. Mas com o andamento do processo, a advogada foi perspicaz e descobriu que a documentação (procuração pública) era falsa. O comprador evitou um prejuízo de R$ 150 mil reais e o verdadeiro dono do terreno foi salvo de um golpe. Ela não foi recompensada, mas se sente aliviada por ter evitado prejuízo e dor de cabeça a ambos.
Ao DCB Dra Andrea disse que tudo começou com um telefone do suposto vendedor dizendo que morava em São Paulo, não poderia vir a Campo Belo e pediu a mesma para realizar o procedimento de venda de dois lotes no Jardim Brasil Vilela (bairro nobre) na ordem de 150 mil. Alegou que os mesmos estavam em uma imobiliária, mesmo assim queria o acompanhamento da advogada. Ela pediu então que o mesmo lhe enviasse a documentação necessária. Os documentos foram enviados pelo correio. Mas foram identificadas pela advogada algumas falhas na procuração supostamente verdadeira e ela pediu novamente o reenvio. Com a 2ª postagem via correio, ela estranhou. “Era necessário apenas uma retificação, mas o mesmo enviou outra procuração. Foi levado ao cartório de Campo Belo e nada de irregular até o primeiro momento fora constatado”, relatou Dra. Andrea.
Para surpresa da advogada, alguns documentos pessoais enviados pertenciam mesmo aos verdadeiros proprietários. Mas, Andrea continuou desconfiada e a conversa foi toda por aplicativo de mensagem.
Acreditando que aquela negociação havia algo de errado, a advogada disse ao corretor que só faria a transação no cartório de título e documentos e com a presença de todos: comprador, corretor e ela.
No dia da negociação final mais um alerta surgiu. O suposto proprietário disse para fazer deposito dividido: uma pequena quantia R$ 15.000,00 na conta dos verdadeiros proprietários (cônjuges), e o restante na conta de uma empresa que ela desconhece a existência.
Andreia foi persistente e solicitou ao cartório de Campo Belo que verificasse melhor sobre o cartório de origem da procuração pública enviada a advogada. Foi neste momento que identificaram a fraude. “Suspeitei desde o inicio sobre esta negociação. Com o passar do tempo elas aumentaram. O cartório existe, mas a documentação era falsa. Nunca partiu daquele órgão. O negocio não foi realizado. Vivemos em um momento complicado, principalmente pela pandemia, temo que muitas pessoas possam ter sido vítimas de fraude semelhante”, contou a advogada campobelense.


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