


Uma moradora de Campo Belo (MG) levou ao conhecimento de autoridades municipais a situação, na visão dela, humilhante, vivenciada por familiares de detentos do Presídio Adalmo Passos Lopes nos dias de visita. A moradora, integrante do movimento “Mães que Oram pelos Filhos”, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, ficou sensibilizada com o relato da mãe de um detento e foi com a senhora para tomar conhecimento da real situação e tentar contribuir para melhorias no atendimento aos familiares. Há relatos de mães que ficam de 5 horas da manhã até o meio dia, sem nenhum suporte.
De acordo com Lilian Neves, que resolveu pedir socorro pelos familiares dos presos, são horas e horas debaixo de sol e chuva, algumas pessoas dormem na porta do presídio para conseguir senha de acesso, sem água, sem banheiro, sem proteção, além da demora para serem chamados. “Uma senhora idosa, obesa e com problemas na coluna, com dificuldade pra se sentar no degrau e aguardando um tempo inadmissível para ser chamada”, indignou-se Neves.
Ela se emocionou com as dificuldades enfrentadas pelos familiares, que aguardavam a vez para serem chamados, e acionou o vereador José Maria Junior e o Prefeito de Campo Belo, Alisson de Assis Carvalho. Como resposta à sua reivindicação, a moradora disse que a assistência social do município havia sido informada da situação e que medidas seriam tomadas.
Lilian acredita que a solução seria a construção de um refeitório. “A solicitação veio através do Movimento Mães que oram pelos filhos, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo. É importante salientar que o banheiro químico e uma torneira com água potável é URGENTE. E a solução definitiva é a construção de um refeitório com banheiro, lavatório, banco e mesa. As pessoas ficam expostas ao sol e chuva. Outra medida importante é abrir a porta e acolher os familiares lá dentro”, sugere a integrante do Movimento católico.
Na semana seguinte à denúncia, a situação já era outra, segundo a moradora. Não houve demora para serem chamados. Porém o número de visitantes era menor.
No último fim de semana, dia 31 de agosto, conforme relatos enviados ao DCB, a situação também se mostrou diferente. Apesar de não terem sido instalados banheiros químicos do lado de fora do prédio e tendas como prometido, o trâmite para chamar as famílias estava mais ágil. “Embora a situação fosse semelhante a que vi a 14 dias atrás, percebo que o acolhimento aos familiares está mais rápido”, contou a moradora, que continua lutando pelas mães que vão visitar os filhos.

“É preciso dar condições mínimas para aqueles familiares que visitam os recuperandos no presídio municipal. O Estado não pode dar às costas à essa situação.” (Foto: Arquivo pessoal)
A mãe que revelou à situação precária à Lilian já observou melhoras no atendimento, depois que a moradora levou ao conhecimento das autoridades tal situação. “Cheguei quase 13 horas. Ao chegar no portão, o agente abriu a porta de acesso e ainda brincou comigo. Alguma coisa já deu resultado. Estamos sendo tratados como gente”, citou uma mãe à integrante do grupo “Mães que Oram pelos Filhos”.
O vereador José Maria Junior protocolou na Câmara de Campo Belo o pedido para instalação de banheiro químico e torneira de água nos arredores do presídio da cidade
O parlamentar apresentou como justificativa os relatos passados à ele por Lilian. “Assim, com pedido de origem da da moradora, solicito ao Prefeito que intermedeie junto ao Estado, para criar condições mínimas à família dos recuperando, como a instalação de torneira para água e um banheiro provisório/químico ao redor do presídio, para estes dias. É preciso dar condições mínimas para aqueles familiares que visitam os recuperandos no presídio municipal. O Estado não pode dar às costas à essa situação. Mesmo sendo domínio estadual, junto como prefeito Alisson De Assis Carvalho que está sensível à essa atuação, e esperamos que tenhamos êxito nesse suporte àqueles que precisam”, entende o vereador, que fez uma postagem sobre o assunto em sua página no facebook.
