


Professores da Escola Miguel Rogana lecionam na APAC. A educação ajudando a transformar vidas.
Um projeto inovador e que visa à valorização da vida. Assim o professor de história e ex-diretor da Escola Estadual Miguel Rogana, em Campo Belo (MG), apresentou a proposta educacional à direção da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC) – instalada na comarca. No projeto, professores da escola vão à instituição e lecionam aos assistidos. O projeto foi tão significativo que existem muitos internos terminando os cursos: fundamental, 2º grau. Alguns foram além e estão cursando o ensino superior.
A direção da APAC abriu as portas ao diriacampobelo e a reportagem da 98 FM para mostrar o projeto, a rotina dos reeducandos e os trabalhos realizados na instituição e que estão ressocializando vidas.
De acordo com Luiz Alberto (ex-diretor do Miguel Rogana), o projeto teve inicio em 2017. Parceria firmada com o atual diretor da APAC, juntamente com Marco Aurélio (ex-diretor da SEAP). Eles tiveram total apoio da Superintendente da Educação, Sueli Tavares. Há alunos cursando AITEC, Inglês sem fronteiras, ENCEJA, ENEM. No curso superior existem seis alunos em graduação. “Nós, professores, acreditamos na recuperação dos internos através da educação. O projeto está somando e fazendo a diferença na APAC”, concluiu o ex-diretor e professor Luizinho, como é conhecido.

Os professores mostram com orgulho o resultado do Projeto social: reeducando finalizando ensino médio e 2º grau.
Duany Eugênio está cursando comunicação social, habilitação em publicidade e propaganda, pela UNIFRAN. “Sempre gostei da área de publicidade e propaganda (ensino á distância). Uma funcionária da APAC, que já cursava nesta universidade, me orientou, e eu passei no vestibular!, contou o futuro publicitário.
O curso tem gerado ao reeducando muitas expectativas. Ele reforçou que sempre é levado pelo juiz em eventos para ministrar palestras sobre suas experiências.
Para Valquiria Alvarenga, a APAC transforma vidas. “O objetivo é dar oportunidade para que o recuperando queira mudar de vida. O método tem 12 elementos que trabalham a espiritualidade, valorização humana, relação com a família, trabalho, estudo. São vários fatores que tentam cercar os possíveis problemas que o recuperando terá quando chegar á rua e se deparar com: droga, problemas familiares, com a carência até alimentar. Preparamos os reeducandos para a vida em sociedade”, frisou a funcionária da Associação.

Ela acrescentou sobre o suporte que o juiz da vara de execuções penais e o promotor têm oferecido à instituição. “Dr. Leonardo e o dr. Rodrigo Maggi conseguiram direcionar para a APAC um recurso que investimos na montagem de uma padaria aqui na Associação. Iremos oferecer cursos de padeiro e confeiteiro para profissionalizar o reeducando para que ao retornarem à sociedade tenham uma profissão, que ela seja rentável, garantindo o sustento familiar”, esclareceu Valquíria.

A capela é um espaço reservado para reflexão dos reeducandos.
A assistente administrativa da APAC, Thaynara Lauany Bastos Souza Gibram mostrou à reportagem um espaço criado na instituição para um momento de reflexão dos reeducandos. “Diferente do sistema comum, a APAC traz outra visão para o recuperando. No sistema convencional identificam como latão (castigo). Na APAC, o castigo é uma reflexão com Deus. A APAC é uma obra de Deus, fundada por Mauro Otobonni. Agora temos como presidente Valdeci. Todos fiéis a Deus. Acreditamos que sem Deus esta obra não avançaria. A capela é um momento de reflexão. Se ele ( recuperando) sair sem perspectiva de vida, não permanecerá na sociedade, e voltará ao sistema privado de liberdade”, explicou à assistente.
Antônio Pimenta disse que na APAC são 80 recuperando. Na instituição que recentemente inauguraram novas celas, os assistidos trabalham, tem aulas de informática, oficinas de artesanato, música, prestam serviços para empresas privadas, prestam manutenção em aparelhos eletrônicos e fazem diversos cursos. “À medida do possível oferecemos estrutura, trazendo cursos para os recuperandos, para que eles ao terminarem a pena, sejam reinseridos à sociedade como pessoas habilitadas ao trabalho”, pontuou o presidente da Associação.
ARTESANATO
“MÃOS QUE FAZEM ARTE”.

O Projeto desenvolvido na APAC viabiliza a exposição e comercialização das peças artesanais produzidas pelos reeducandos nas oficinas laborativas de artesanato da instituição, a fim de levar a arte ao conhecimento do público.
São verdadeiras obras primas, palito de picolé, e arte com reciclagem que ficam a venda. Toda a renda arrecadada com a venda das peças é revertida para o reeducando responsável pela arte confeccionada.

Verdadeiras obras de arte, o artesanato produzido pelos recuperandos.



