


Luziana ainda têm manchas vermelhas pelo corpo. O exame comprovou que ela realmente contraiu a dengue.
Moradores de Cristais (MG) estão preocupados com a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana. Luziana Paiva, moradora da rua Francisco Eliazar foi diagnosticada com a doença. Na rua onde ela mora pelo menos mais 4 pessoas também foram contaminadas. A filha da costureira, de 5 anos, também já está com manchas vermelhas pelo corpo, um dos estágios da doença. Luziana diz que o caso na cidade é preocupante, e não tem visto medidas sendo tomadas pelas autoridades sanitárias para conter esta proliferação e mostrar aos moradores a real situação. O DCB tentou contato com a Vigilância Epidemiológica de Cristais, mas a coordenação está em Divinópolis realizando um curso. Portanto, a produção do site não teve acesso aos dados oficiais da cidade.
Na rua onde a costureira mora há alguns terrenos baldios, onde o DCB flagrou a presença de vasilhas com água acumulada, o que pode ser um criadouro do mosquito. Há ainda uma casa abandonada, segundo a mãe da costureira, a residência está tomada pelo mato (como mostra as imagens) e é uma porta aberta para a proliferação do transmissor da dengue.
De acordo com Luziana, na semana passada ela trabalhou sentindo um cansaço atípico. Chegou em casa e começou a limpeza diária, mas percebeu que o cansaço e a dores pelo corpo só aumentavam. Por apresentar um quadro febril, ela ingeriu 50 gotas de dipirona. Foi neste instante que o seu estado de saúde piorou. “Fui levada para o hospital, me aplicaram soro, estava com ataque cardia pela ingestão de alta dose de analgésico antitérmico. A sorologia indicou plaquetas baixas, indicação da dengue”, contou a costureira.
Quase uma semana depois, Luziana ainda apresenta manchas vermelhas pelo corpo . A filha dela também está com dengue e a amiga de trabalho apresentou alguns sintomas da doença.
Um casal, vizinho de Luziana, também teve dengue. Segundo ela, há uma proliferação da doença na cidade e as autoridades sanitárias não tem se manifestado. “Estamos preocupados. Tive que ficar internada. É uma dor intensa, não desejo a ninguém. Há muitos terrenos baldios sem limpeza no nosso bairro. Não há uma atuação da vigilância epidemiológica. Queremos uma solução. É preocupante a situação”, alertou.

A sorologia também comprovou os vizinhos da costureira também tiveram dengue. Na rua foram pelo menos 4 casos, segundo eles.
A vizinha de Luziana, dona Neusa Maria de 55 anos e o marido, também pegaram dengue, comprovada no exame de sorologia. A outra vizinha, que cuida do marido acamado, também teme que o mesmo possa contrair a dengue. “A prefeitura precisa limpar estes terrenos. Estamos exposta a contrair dengue desse jeito”, citou a vizinha da costureira.
Casos de dengue
A Secretaria de Estado de Saúde divulgou um novo balanço da dengue no estado na segunda-feira (25/03). De acordo com o boletim, Passos teve o primeiro caso de morte em decorrência da doença.
A cidade tem ainda o maior número de casos suspeitos na região, com mais de 1,5 mil. Além de Passos, outras cinco mortes foram confirmadas até aqui em Minas Gerais, nas cidades de Arcos, Betim, Uberlândia e Unaí (duas).
Ainda conforme o boletim, no Sul de Minas, são 4.447 casos suspeitos.
Confira as cinco cidades com mais ocorrências:
►Passos: 1.584 casos prováveis; 1 morte
►São Sebastião do Paraíso: 1.408 casos prováveis
►Três Pontas: 207 casos prováveis
►Nepomuceno: 190 casos prováveis
►São Tomás de Aquino: 122 casos prováveis
Mosquito
Em média, cada Aedes aegypti vive em torno de 30 dias e a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos. Se forem postos por uma fêmea contaminada pelo vírus da dengue, ao completarem seu ciclo evolutivo, transmitirão a doença.
Os ovos não são postos na água, e sim milímetros acima de sua superfície, principalmente em recipientes artificiais. Quando chove, o nível da água sobe, entra em contato com os ovos que eclodem em pouco menos de 30 minutos. Em um período que varia entre sete e nove dias, a larva passa por quatro fases até dar origem a um novo mosquito: ovo, larva, pupa e adulto.
O Aedes aegypti põe seus ovos em recipientes artificiais, tais como latas e garrafas vazias, pneus, calhas, caixas d?água descobertas, pratos sob vasos de plantas ou qualquer outro objeto que possa armazenar água de chuva. O mosquito pode procurar ainda criadouros naturais, como bromélias, bambus e buracos em árvores.
A transmissão da dengue, bem como da febre amarela, depende da concentração do mosquito: quanto maior a quantidade, maior a transmissão. Esta concentração está diretamente relacionada à temperatura e pela presença das chuvas: mais chuvas, mais mosquitos.
