Mototaxistas que trabalham na Rua Floriano Peixoto ficaram revoltados com a interdição do ponto na tarde desta segunda-feira (18/02). Uma equipe da Prefeitura, escoltados pela Polícia Militar, esteve no local e lacrou o estabelecimento. De acordo com um dos coordenadores da equipe, o mototáxi citado estaria irregular. Eles não teriam participado da licitação que ocorreu no dia 19 de janeiro, que disponibilizou 103 concessões e apenas 54 foram preenchidas. A medida também teria sido uma determinação do Ministério Público para regularizar a questão do transporte na cidade.
No ponto interditado existem 14 pais de família trabalhando. Após a interdição, um grupo de profissionais foram à Prefeitura e se reuniram com o assessor jurídico, Dr. Geovani Freire. Apesar de não ser sua competência, o advogado disse que iria conversar com o Prefeito Alisson de Assis Carvalho (PSB) para dar um tempo maior para que os trabalhadores regularizem a situação.
A medida, mesmo tendo amparo legal, revoltou os trabalhadores. Segundo eles, vários pontos estão irregulares na cidade. “Ponto da Cardosão, por exemplo, está aberto e eles não tem alvará. Mesmo assim, a prefeitura disse que eles podem funcionar”, declarou Cleide.
Para ela, foi uma injustiça. “Ainda terá a segunda chamada e esta interdição só nos prejudicou. Os que estavam neste ponto (empresa do meu marido) participaram da licitação, depois saíram daqui e montaram na Cardosão. Falaram que ficariam aqui e desistiram. Esta turma que está aqui hoje participará da 2ª chamada. No edital está claro que pode aguardar 60 dias e não querem aguardar”, desabafou Cleide, que trabalha há anos com o mototáxi.
Preocupados com a forma como iriam sustentar seus compromissos, os motaxistas foram para o prédio da Prefeitura buscar uma resposta. “Como vamos pagar as contas?”, questionou um moto-taxista.
Outro mototaxista contou ao DCB que há anos a classe sofre com mudanças neste setor. Ele trabalha a 8 anos nesta área e acredita que sempre são prejudicados. “Toda vez a prefeitura arruma uma coisa para tentar acabar com a profissão de mototáxi. Cada ano é uma nova situação. Taxa na prefeitura, adequação de moto (plotagem-verde). Eles falam e temos que acatar. Discordo desta licitação nos comparando a taxistas. Deveria deixar da forma que estava”, desabafou outro mototaxista que se preocupou com a nova determinação.

Dr. Geovane Freire se comprometeu a conversar com o Prefeito e tentar uma alternativa até a próxima licitação.
►O outro lado
O assessor jurídico explicou ao grupo que esteve no prédio do Executivo que no ano passado foi lançado um edital divulgado site da prefeitura. Foram divulgados a concessão de 103 permissões aos mototaxistas. Deste total, de acordo com o assessor, 54 lugares foram ocupados e terá uma segunda chamada (edital ainda será lançado) para compor as 49 vagas ainda existentes para o transporte de passageiros.
Com relação ao ponto interditado, eles não teriam participado da licitação que ocorreu há três semanas. A fiscalização adotada pela equipe da prefeitura é para proibir a permanência dos pontos irregulares. “A partir de agora os mototaxistas não precisarão pagar diárias aos donos de pontos. Não existe mais donos. As concessões pertencem aos próprios trabalhadores. O mototaxista pode operar na prestação de serviço de transporte individual remunerado de passageiros. Neste caso específico, me comprometo a verificar com o Prefeito e o Secretário (não posso tomar decisões por eles) para encontramos uma saída até que vocês possam participar do próximo edital”, garantiu dr. Geovani Freire.
