
Seu José saiu de casa em 1994 e foi considerado morto. Foi localizado a mais de 2,4 mil quilômetros de distância. “Estou emocionada até agora, não vejo a hora de ver ele. Pra abraçar, dizer que amo ele. Porque é um pedaço da minha vida”. A espera da dona de casa Rosângela Santiago pelo irmão desaparecido durou 24 anos. Ao lado dos outros cinco irmãos, ela já havia desistido de encontrar o seu José Antônio Santiago. Mas em uma história cheia de reviravoltas, o reencontro aconteceu na noite de terça-feira (27/11), na cidade da família, Santana do Jacaré (MG).
Seu José sumiu de casa em 1994, durante uma crise de esquizofrenia. Por anos, foi procurado pela família. “Procuramos muito, até que teve que desistir. Deu como se ele tivesse morto. Procurei em Formiga, não encontrei ele onde ficavam os andarilhos”, conta o irmão Alencar Santiago.
Sem chances de ser localizado, surpreendeu os irmãos ao ser encontrado a mais de 2,3 mil quilômetros de distância. José estava às margens de uma rodovia em Campina Grande, na Paraíba. Foi encontrado desorientado, fraco, com fome e sem muitas lembranças, por policiais rodoviários em julho de 2018. Levado ao hospital de Campina Grande, seu José ficou internado por quatro meses, até se lembrar do nome da mãe e da cidade de onde veio. Quando ganhou alta, recebeu o carinho da equipe do hospital na despedida.
Seguiu rumo ao Sul de Minas, para o esperado reencontro. O momento foi acompanhado pela equipe da EPTV, Sul de Minas, afiliada da Rede Globo. Os seis irmãos não conseguiram segurar a emoção. “A maior alegria da vida de todos os irmãos. Principalmente minha também. Porque é uma coisa que a gente pensava que tinha perdido e Graças a Deus está de volta”, comemorou Alencar Reis Santiago.

Na noite de terça-feira (28), irmãos aguardavam volta de homem desaparecido há 24 anos — Foto: Reprodução/EPTV
Os assistentes sociais de Santana do Jacaré acompanharam toda a viagem e o reencontro. “Ele desenvolveu essa característica, de ficar mais isolado, por esse histórico, de ser um andarilho, de ter a esquizofrenia. Então contribuiu muito pra esse isolamento”, explica a assistente Rosiane Irias da Silva. Motivos para celebrar não faltam. Seu José fez 50 anos no dia 12 de novembro. A manhã desta quarta-feira (28), a primeira dos irmãos unidos novamente, foi de muita conversa e alegria. “Daqui uns 15 dias, tudo normalizando, vamos fazer uma festinha pra ele”.
A mãe do José, dona Perciliana, sempre dizia que o filho estava vivo. Falecida em 2017, ela tinha esperança do reencontro que os irmãos vivem agora. “Agora é só alegria. E Deus me dá força para cuidar dele”, comemora a irmã Rosângela.
Fonte: G1/EPTV Sul de Minas
