Um adolescente, detido na terça-feira (13/11) em Ingaí – Distrito de Lavras (MG) por suspeita de roubar carros de luxo em São Paulo, também passou a ser investigado por possível participação no assassinato do médico Roberto Kikawa na capital paulista em uma tentativa de assalto. Kikawa é idealizador do projeto da Carreta da Saúde e deixou um grande legado na saúde pública e no atendimento a pessoas carentes. A informação foi confirmada pelo delegado que investiga o caso, Wilson Roberto Zampieri, titular do 17º Distrito Policial (DP), Ipiranga. “O menor de idade tem 15 anos e foi apreendido pela polícia mineira depois que a imprensa divulgou vídeos da ação de assaltantes de carros de luxo em São Paulo”, afirmou Zampieri.
Através das imagens de cinco câmeras que chegou-se a identificar os marginais. uma denúncia anônima chegou até a polícia paulista: um dos supostos criminosos havia embarcado de São Paulo para Lavras. A polícia paulista entrou em contato com a Polícia Civil de Lavras e passou as informações sobre o suspeito. A PC encontrou o suposto criminoso em Ingaí, ele tem 16 anos e é muito violento. Ele negou que tenha participado da morte do médico Roberto Kikawa, mas confessou que faz parte da quadrilha que assalta motoristas de carros importados naquela região, inclusive a polícia de São Paulo tem imagens dele cometendo um assalto a um motorista e seu acompanhante. Segundo o delegado a prisão aconteceu no Sul de Minas. “Ele fugiu da capital paulista e foi detido em Lavras”.
De acordo com o delegado, fotos do adolescente foram mostradas na tarde de terça a duas testemunhas que presenciaram o crime contra o gastroenterologista na noite do último sábado (10/11), na Zona Sul de São Paulo. Câmeras de vídeo gravaram a ação criminosa.
O médico de 48 anos estava dentro de seu carro, um Jeep Compass branco, avaliado em R$ 100 mil, estacionado na Rua do Manifesto, no Ipiranga, quando foi abordado por dois sujeitos armados. Dentro do veículo também estavam sua secretária e a filha dela.

O médico gastroenterologista Roberto Kunimassa Kikawa — Foto: Renato Stockler/CIES Global/Divulgação
Os criminosos acharam que Roberto era policial e atiraram, segundo testemunhas. O médico também não conseguiu destravar o cinto para deixar carro. E em seguida um dos ladrões atirou duas vezes na vítima, que morreu depois no hospital. As mulheres não se feriram. Os bandidos fugiram sem levar nada. “Apuramos se os dois ladrões que abordaram o médico pertencem a uma quadrilha de roubos de carros de luxo”, falou Zampieri.
Ainda segundo o delegado, o garoto apreendido no Sul de MG confessou ter participado do roubo a carro de luxo em Diadema, na Grande SP, na sexta-feira (09/11) passada. O outro comparsa fugiu e é procurado. Esse assalto também foi filmado por câmeras de segurança. “Mas, de acordo com a polícia mineira, ele negou ter roubado e atirado contra o médico”, disse Zampieri.
A polícia paulista continua analisando câmeras de seguranças para tentar identificar mais suspeitos pelo assassinato do médico. “O crime é de latrocínio, que é o roubo ou a tentativa de roubo seguida de morte”, falou Zampieri.
A Polícia de São Paulo ainda pedirá que o garoto detido em Minas seja transferido para a capital paulista. Como é menor de idade, ele deverá receber alguma medida sócio-educativa na Fundação Casa.
Fonte: G1
Inspirado pelo pai, médico assassinado dedicou carreira a pacientes pobres
“Queria que você fosse médico, mas médico de verdade, não esses médicos que não têm coração, mas que atenda bem o doente, um médico amoroso”. Roberto Kunimassa Kikawa, de 48 anos, ouviu essa frase do pai há mais de 20 anos e nunca deixou de repetir. Em entrevistas, costumava lembrar que a morte prematura do progenitor, de câncer, lhe inspirou a levar atendimento humanizado aos pacientes mais necessitados.

Kikawa costumava dizer que o atendimento deveria ser feito com o “DNA do amor”. Segundo relatos, no lugar dos 15 minutos costumeiros em muitas clínicas e postos de saúde, o médico costuma passar muito mais tempo nas consultas. Kikawa foi o criador do programa carreta da saúde (Alexandre Rezende/Folhapress)
“Dr. Roberto”, como era chamado, criou instalações móveis de atendimento gratuito à população em situação de vulnerabilidade, conhecidas como Carretas da Saúde, e que depois deram origem à Van da Saúde e ao Box da Saúde. O trabalho foi realizado pela organização não governamental (ONG) CIES Global, que começou com apoio privado e depois passou a firmar parcerias com o setor público. A unidade mais nova havia sido inaugurada na quarta-feira, em São José dos Campos, no interior paulista.
Gastroenterologista, o médico costumava ressaltar que o projeto era “replicável” e de fácil adaptação, pois somente precisava de uma área plana e com acesso a um ponto de água, outro de eletricidade e mais um de esgoto. “Minha missão pessoal é que menos pessoas atingissem o estágio que o meu pai ficou, estágio avançado, sem ter chances de uma condição melhor de tratamento”, declarou, em vídeo de divulgação do CIES.
Quando jovem, chegou a estudar Teologia e pretendia ser um médico missionário na África. Os planos foram deixados de lado, contudo, ao fazer um atendimento voluntário na zona leste de São Paulo. “Ali descobri uma África em São Paulo e que a gente não estava vendo”, declarou anos atrás, também em vídeo da CIES.
Em dez anos, a ONG atendeu a mais de 2 milhões de pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo e no interior. O projeto também ganhou espaço no exterior, com unidades no Paraguai, na Colômbia e nos Estados Unidos. Kikawa vivia desde 2016 em Atlanta, com a mulher, a oftalmologista Mirna, e os filhos Daniel, de 15 anos, e Ana, de 13. O médico também chegou a trabalhar também nos hospitais Sírio-Libanês e São Camilo. Além disso, criou instrumentos e métodos para reduzir sangramentos e diminuir erros durante cirurgias.
Fonte: Veja
