Um detento que teria sido torturado dentro da Penitenciária de Três Corações (MG) por agentes penitenciários foi agredido porque não teria contado que estava preso por causa de um estupro. Segundo os promotores que apuram o caso, o preso foi submetido a pelo menos seis minutos de tortura.”Pelo que ficou apurado até o momento é que ele teria dois tipos de condenação: por crime sexual, estupro e outra por roubo e quando ele adentrou na penitenciária, ele teria citado apenas a prática do roubo e isso desagradou os agentes. Foi uma coisa rápida. Eles tiraram o preso do 2º andar do pavilhão, colocaram ele do lado de fora do pavilhão, onde não havia câmeras de segurança e durante seis minutos, possivelmente esses nove agentes desferiram chutes, socos, impropérios, alguns pisões nesse preso”, disse o promotor de justiça, Éric de Oliveira.
O fato deu origem a uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, na manhã desta quinta-feira (2). Ao todo, 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas dos agentes penitenciários e dentro da unidade.Imagens do circuito interno de segurança mostram quando o detento é retirado da cela e depois volta mancando.
Segundo o promotor Éric de Oliveira, as investigações levaram seis meses e começaram após uma denúncia feita pelos próprios presos. “Recebemos uma carta dos demais presos informando que um preso teria sofrido tortura por parte de agentes. Determinamos que o preso fosse conduzido até a sala de audiência, onde constatamos que ele realmente se encontrava lesionada e por isso demos início à investigação”, completou o promotor.
Nove servidores foram afastados das funções por ordem da Justiça. Eles devem ficar longe do trabalho até o julgamento do caso.

Circuito interno de segurança flagrou momento em que preso é retirado da cela em Três Corações (Foto: Reprodução EPTV)
“Serão agora analisados os dados extraídos desses aparelhos de telefonia celular que estavam sendo utilizados por eles para angariar mais provas. A pena prevista pelo crime de tortura é de até 8 anos de reclusão com aumento de até 1/3 por serem servidores públicos os denunciados, além disso há a previsão legal de perda do cargo público”, disse o promotor do Gaeco, Igor Serrano Silva. A expectativa é de que a perícia nos celulares dos agentes leve de três a quatro meses. Além deste caso, o Ministério Público apura a conduta de agentes que atiraram com balas de borracha em dois detentos para controlar um princípio de rebelião, no mês de junho. A Corregedoria da Secretaria de Estado de Administração Prisional acompanhou todo o trabalho na Penitenciária de Três Corações.
Fonte: G1/Sul de Minas
