

A Regional confirmou a notificação feita pelo setor epidemiológico de Campo Belo (Foto: Reprodução diariocampobelo.com)
A Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis (Setor de Epidemiologia) confirmou na manhã desta quarta-feira (24/01) que foi notificada pela Secretaria de Saúde de Campo Belo sobre o caso suspeito de febre hemorrágica. A vítima é um rapaz de 27 anos (morador do Voadeira/ Aguanil) que estava internado no CTI da Santa Casa de Misericórdia São Vicente de Paula. Ele estava internado desde o dia 21 e faleceu na terça-feira (23/01). Fizeram a notificação por Campo Belo porque o óbito foi registrado em hospital da cidade. A febre amarela não é contagiosa. Ela é transmitida pela picada do mosquito.
De acordo com a enfermeira da SMS de Campo Belo, Josélia Maria, foram enviadas amostras para exames à Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte e foi o primeiro caso suspeito neste ano de 2018. “O médico suspeitou de febre hemorrágica. Então abrimos protocolos para estudar todas as febres, que podem ser: dengue, febre amarela, leptospirose, febre maculosa (transmitida pelo carrapato). A FUNED está com uma demanda grande e, provavelmente, o resultado deve chegar em uma semana”, disse Josélia.

O rapaz estava internado no CTI da Santa Casa e a amostra foi encaminha à Belo Horizonte para investigação.
Ela ainda acrescentou que em Campo Belo não há nenhum caso ou suspeita da doença.
Segundo a enfermeira, os casos de febre amarela registrados em todo o Brasil são rural e não urbano. Além disso, as vítimas na maioria são homens.
A Secretaria de Vigilância Epidemiológica e Sanitária de Aguanil informou que a vítima tem imóvel na zona rural daquela cidade (Comunidade Voadeira) e que o local foi visitado no ano passado pela equipe da vigilância, mas os moradores não estavam na residência. Eles foram avisados sobre a importância da vacinação.
Imunização
Foi promovida uma campanha no ano passado em Campo Belo, conforme a enfermeira relatou a reportagem do DCB. “Foi realizado um monitoramento rápido de cobertura vacinal de febre amarela. A questão iniciou-se em 2016. Todos os moradores visitados estavam regulares com a vacinação. 100% de cobertura nesta amostragem, inclusive zona rural. Mesmo assim, fizemos uma intensificação vacinal”, garantiu.
A enfermeira informou que a última campanha nacional disponibilizada no município foi em 2008, mesmo assim, muitas pessoas estão retornando as unidades com o cartão de vacina para a imunização, mas houve modificações na aplicação da segunda dose. “No momento o Ministério da Saúde mudou a questão da imunização. Agora prevalece apenas uma dose e não de 10 em 10 anos. O usuário que possui o cartão de vacina está protegida, independente do ano que tomou”, enfatizou a enfermeira.
Ela falou da importância do cartão de vacinação. “As pessoas precisam guardar o cartão de vacinas, principalmente as que pretendem se deslocar para o exterior”.
Casos no estado.

A febre amarela é transmitida pela picada do mosquito. Não há casos urbanos no Brasil, apenas zona rural.
Até o momento, Minas Gerais já contabiliza 12 casos de febre amarela, sendo que 10 resultaram em morte. Foram confirmados óbitos pela doença em Brumadinho, na Grande BH, Carmo da Mata, na Região Centro-Oeste de Minas, e Barra Longa, também na Zona da Mata.
Até o momento, Minas Gerais já contabiliza 12 casos de febre amarela, sendo que 10 resultaram em morte. Foram confirmados óbitos pela doença em Brumadinho, na Grande BH, Carmo da Mata, na Região Centro-Oeste de Minas, e Barra Longa, também na Zona da Mata.
Transmissão
A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus.
Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano.
Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.
Perfil das vítimas
O Governo de Minas informou em fevereiro de 2017 que 90,3% dos pacientes que morreram são homens com idade média de 44,9 anos. Em relação aos doentes que foram diagnosticados com febre amarela, que são 234, 58% não foram vacinados nos últimos 10 anos e nem são imunizados. Outros 34 % não sabem se estão imunes e os 8% restantes disseram estar vacinados. Mas de acordo com a Ses, aqueles que alegaram estar vacinados não estavam realmente imunizados. Alguns deles tomaram apenas uma dose da vacina há mais de 10 anos, outros se vacinaram após o aparecimento dos sintomas e tiveram a febre amarela comprovada pelo vírus selvagem e ainda há casos em que os pacientes informaram que receberam a medicação, mas não comprovaram com o cartão.
Prevenção
Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes aegypti, a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Os mosquitos criam-se na água e proliferam-se dentro dos domicílios e suas adjacências. Qualquer recipiente como caixas d’água, latas e pneus contendo água limpa são ambientes ideais para que a fêmea do mosquito ponha seus ovos, de onde nascerão larvas que, após desenvolverem-se na água, se tornarão novos mosquitos. Portanto, deve-se evitar o acúmulo de água parada em recipientes destampados. Para eliminar o mosquito adulto, em caso de epidemia de dengue ou febre amarela, deve-se fazer a aplicação de inseticida através do “fumacê”. Além disso, devem ser tomadas medidas de proteção individual, como a vacinação contra a febre amarela, especialmente para aqueles que moram ou vão viajar para áreas com indícios da doença. Outras medidas preventivas são o uso de repelente de insetos, mosquiteiros e roupas que cubram todo o corpo.
