
A manchete destaca a atuação do médico: “Alex Sander José Miguel, o médico que realiza sonhos”.
É sempre um orgulho para a cidade acompanhar a atuação e o reconhecimento de conterrâneos. O médico Alex Sander José Miguel (irmão do ex-prefeito Túlio Miguel) foi destaque na edição de domingo do Jornal O DIARIO de Mogi das Cruzes.
Confiram a reportagem!
Fonte: http://www.odiariodemogi.net.br/alex-sander-jose-miguel-o-medico-que-realiza-sonhos/
Mineiro de Campo Belo, Alex Sander José Miguel ajuda, há 25 anos, casais de Mogi das Cruzes e Capital a realizarem o sonho de ter filhos. Descendente de imigrantes libaneses que vieram para o Brasil em busca de refúgio durante a guerra civil, ele é de família tradicional na política mineira, mas desde menino já tinha afinidade com a área de Ciências. Assim, depois do primário e ginásio no Colégio São José, dirigido por freiras, optou pelo Curso Científico do Colégio Dom Cabral, administrado por padres holandeses. Formado na turma de 1988 da Faculdade de Medicina de Barbacena, em Minas Gerais, fez residência no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. Já concursado na Prefeitura e atendendo em consultório em sua cidade natal, aceitou o convite do primo e também médico ginecologista, Péricles Bauab, e veio a Mogi para uma experiência profissional que de início deveria se estender por apenas seis meses, mas já soma mais de duas décadas. Além de atuar na clínica com o primo há 25 anos, ele trabalhou nos hospitais Santana, Ipiranga e na Santa Casa de Suzano. A dedicação à reprodução assistida começou em 2005, quando a mulher, a psicopedagoga Sada Sandra Gibran Miguel teve dificuldades para alcançar a segunda gravidez. Alex Sander fez pós-graduações em Reprodução Humana Assistida (Instituto Sedes Sapientiae) e começou a atuar na área, no Centro de Reprodução Humana Santa Joana, onde ainda trabalha, assim como na Maternidade São Luiz, ambos na Capital. Paralelamente, é médico concursado da Secretaria de Estado da Saúde, no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Jundiapeba; diretor técnico da Maternidade Mogi Mater; e foi reeleito recentemente para o segundo mandato como presidente da regional Mogi das Cruzes da Associação Paulista de Medicina (APM). Na entrevista a O Diário, o médico – que recebeu o título de Cidadão Mogiano da Câmara Municipal – fala sobre os avanços na área de reprodução humana, revela seus planos à frente da APM-Mogi e conta histórias vividas na Cidade.

Na entrevista a O Diário, o médico – que recebeu o título de Cidadão Mogiano da Câmara Municipal – fala sobre os avanços na área de reprodução humana, revela seus planos à frente da APM-Mogi e conta histórias vividas na Cidade. (Foto: Eisner Soares)
Quais as recordações da infância em terras mineiras?
Sou de uma cidade pequena, Campo Belo, distante 220 quilômetros de Belo Horizonte e atualmente com 55 mil habitantes. Meu avô paterno era libanês e veio com 14 anos para o Brasil fugindo da guerra civil que existe até hoje no Líbano. Ele e meu pai (Jorge Miguel) tiveram uma fábrica de pregos e grampos nos anos 60 e 70 e desde cedo trabalharam e venceram com a força do trabalho. Foi uma infância simples, mas feliz, ao lado do meu pai, minha mãe (Magali Lopes Miguel), que era supervisora de ensino, e dos meus irmãos (Marco Túlio, que foi prefeito de Campo Belo e morreu em 2015, e Maria Letícia, dentista e moradora de Mogi). Não nos faltava nada em casa.
Onde o senhor estudou?
Estudei o primário e ginásio no Colégio São José, dirigido por freiras, e o Curso Científico no Colégio Dom Cabral, administrado por padres holandeses, ambos em Campo Belo. No último ano, paralelamente fiz o cursinho, mas eram poucas as faculdades de Medicina e o acesso pelas estradas também não era fácil. Fui aprovado no vestibular da Faculdade de Medicina de Barbacena, onde me formei na turma de 1988. Depois, foram dois anos de residência no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte. Comecei como médico na minha cidade natal, mas por ser um município pequeno, não conseguia atuar como ginecologista como gostaria. Era mais um clínico, atendia em consultório e era concursado pela Prefeitura.
Como foi a vinda para Mogi das Cruzes?
Meu primo, o médico Péricles Bauab, que também é ginecologista, ia viajar para Israel e precisava de alguém para ficar em seu consultório, então, me convidou. Vim provisoriamente, para trabalhar apenas seis meses aqui, mas acabei ficando e estou em Mogi até hoje.
Qual sua primeira impressão da Cidade?
No início, a adaptação foi difícil, fazia muito frio e lembro que tive dificuldade para conseguir alugar um apartamento porque não havia disponibilidade. O ritmo da Cidade era diferente, ainda estava sendo concluída a construção do Shopping e a qualidade dos serviços, de modo geral, não era tão boa, mas resolvi ficar e passei a atender, além da clínica, nos hospitais Santana e Ipiranga e na Santa Casa de Suzano.
Quando a família se mudou para Mogi?
Um ano depois, trouxe minha mulher, que também é de Campo Belo, e meu primeiro filho, que nasceu em Minas, hoje está com 26 anos e também se formou em Medicina. Já a caçula, atualmente com 15 anos, é mogiana, nasceu no Hospital Santana, e está cursando o Ensino Médio. Minha esposa é psicopedagoga, há anos foi aprovada no concurso e atua na Prefeitura de Mogi. Aqui criamos raízes e gostamos muito da Cidade, que é um lugar de pessoas acolhedoras.
Por que a escolha pela área de reprodução humana?
Entre o nascimento do Guilherme e o da Isabelle houver um intervalo de 11 anos, porque minha mulher teve dificuldade para alcançar a segunda gravidez. Então, em 2005, fiz a pós-graduação em Reprodução Humana Assistida e comecei a trabalhar nesta área, primeiramente no Centro de Reprodução Humana Santa Joana, onde ainda atuo, e depois na Maternidade São Luiz, ambos na Capital.
Hoje, quais as principais dificuldades enfrentadas para alcançar a gravidez?
Nas últimas décadas, houve uma mudança no perfil reprodutivo. Antes, esta fase começava precocemente e terminava aos 35 anos. Hoje, as mulheres se casam mais tarde, porque priorizam a carreira profissional. Então, pensam em ter filhos após os 35 anos, mas aos 37, já passam a perder a reserva ovariana, os óvulos vão envelhecendo e aumentam os fatores de infertilidade. Ao contrário dos homens, as mulheres têm prazo de validade.
Como a medicina reprodutiva pode contribuir nestes casos?
A medicina reprodutiva consegue a biópsia de embrião e o seu congelamento, assim como dos óvulos, mas a técnica mais utilizada hoje e que teve grande avanço nos últimos anos é a vitrificação de óvulos, que permite adiar a capacidade reprodutiva da mulher, com as mesmas possibilidades do momento em que se vitrificam os óvulos.
Houve evolução nesta área de reprodução humana assistida?
Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, Louise Brown, em 1978, na Inglaterra, cuja mãe tinha as duas trompas obstruídas, houve avanço significativo nesta área. Em 1993, a técnica ICS (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides), que injeta o espermatozoide no óvulo, passou a atender até quem tinha vasectomia. A fertilização convencional não conseguia ajudar os homens com problemas mais graves. Atualmente, 20% dos casais têm dificuldades para engravidar, sendo que 30% dos casos estão relacionados a fatores masculinos, 30% a problemas femininos, 30% à associação dos dois fatores e 10% à esterilidade sem causas aparentes. Dois avanços significativos foram o congelamento de embriões e a análise dos embriões, que pode ser feita por toda paciente após os 38 anos de idade para avaliação cromossômica destes embriões antes da transferência ao útero. A tecnologia, assim como exames de ultrassom e ressonância magnética, nos permitem o diagnóstico mais ágil e correto. Há ainda as cirurgias por vídeos e muito menos invasivas. Mas não se pode perder a humanização, o contato com o paciente, que garante 70% do sucesso no tratamento.
E quais os principais fatores que interferem nestes casos?
Nas mulheres, 30% dos casos correspondem a fatores tubários, 30% a problemas ovulatórios, 30% a causas como endometriose e outros 10% a fatores endócrinos, como o hipotireoidismo, por exemplo. É importante, na consulta de abordagem, a informação da idade em que a mãe desta paciente entrou na menopausa, porque geralmente 13 anos antes desta fase, a mulher perde a qualidade dos óvulos. Isso porque, um óvulo saudável compensa um espermatozoide com problemas. Na reprodução assistida, uma das maiores dificuldades também é o grande grau de ansiedade, que se assemelha ao de pacientes oncológicos. Por isso, a parte psicológica precisa ser bem acompanhada, porque o paciente pode fazer um tratamento de alto custo e não alcançar a gravidez. E aí existe uma sobrecarga grande que exige boa estrutura para ser superada.
Qual a faixa etária da maioria das pacientes?
A maioria tem 35 anos ou mais. Nos Estados Unidos, a cada cinco mulheres, 4 não têm filhos porque protelaram a gravidez. O Brasil acompanha bem as inovações tecnológicas e tem taxas de gravidez semelhantes às da Europa e EUA, com excelentes centros de reprodução humana assistida.
Há casos em que a mulher faz tratamento para engravidar e algum tempo depois do nascimento do bebê alcança a gravidez espontânea. Por que isso acontece?
Estudos mostram que isso pode acontecer com 10% destas mulheres, porque estes tratamentos resultam em grandes estímulos para a gravidez. Em pacientes com até 35 anos, só é permitido transferir dois embriões. Acima dos 37, podem ser três e depois dos 40, até quatro. Isso reduziu a probabilidade de gravidez múltipla para 30%. De modo geral, com o tratamento, a taxa de se alcançar a gravidez é de 35% a 40%, mas na época em que nasceu a Louise Brown, isso era 5%. Já na fertilização in vitro, quando o espermatozoide é injetado no óvulo em laboratório e forma-se um pré-embrião para o útero materno, e na inseminação artificial, isso fica em torno de 10%. Estes procedimentos são indicados para casos mais graves de fatores masculinos, obstrução tubária, endometriose avançada ou infertilidade após os 35 anos.
Atualmente, apesar das dificuldades do acesso ao atendimento gratuito e de custeio do tratamento particular, as pessoas buscam mais este tipo de serviço?
A informação é muito ágil e há mais facilidade de acesso aos tratamentos. Nos Estados Unidos, a maioria dos hospitais arca totalmente com estas despesas. No Brasil ainda são poucos, mas temos o Hospital Pérola Byinton, na Capital, que atende pessoas de todo o Brasil, e a Fundação do ABC. Atualmente, cerca de 3 milhões de crianças nascem por ano, no mundo, por reprodução assistida, quando até há 10 anos, fazíamos 18 mil ciclos por ano. Isso aumentou muito, principalmente porque os preços, ainda que altos, são mais acessíveis do que antes, assim como as formas de pagamento. No entanto, os convênios médicos não cobrem estes tratamentos.
Quando é realmente necessário procurar tratamento para engravidar?
O tratamento deve ser procurado quando a mulher tem menos de 35 anos de idade e já fez um ano de tentativas de engravidar. Acima desta idade, a orientação é, depois de seis meses tentando a gravidez espontânea, já procurar um especialista.
Há uma discussão na Cidade sobre a necessidade de implantação de mais maternidades, já que existem apenas duas em Mogi. Qual sua avaliação sobre este assunto?
Em Mogi temos a Mogi Mater, onde sou diretor técnico, e a Santa Casa de Mogi, mas a sobrecarga está no setor público. No segmento privado não existe esta necessidade de mais maternidades, mesmo porque, para se viabilizar, ela precisa ter no mínimo 200 partos por mês, já que o custo é alto para manutenção e estamos entre os 10 países com mais partos prematuros, entre 24 a 28 semanas, com taxa de mortalidade mais alta, além dos casos de gravidez de alto risco e abortos de repetição. O grande desafio é aumentar a complexidade e sempre melhorar a estrutura hospitalar. Meu sonho é que Mogi possa se transformar em um centro regional de saúde, porque a Cidade tem potencial para isso, embora a proximidade com a Capital atrapalhe um pouco nisso. Mas nos EUA, os grandes centros de saúde são descentralizados.
Nestes quase 30 anos de profissão, quais casos ficaram marcados?
Há vários, mas alguns sempre ficam na memória, como o caso de uma paciente que após quatro abordos conseguiu, com tratamento, realizar o sonho de ter um bebê. Assim como o de outra mãe que, aos 50 anos de idade e na menopausa, conseguiu engravidar com a medicina reprodutiva. Houve uma paciente em São Paulo que, casada há 19 anos e após duas fertilizações in vitro, teve um casal de gêmeos. A realização profissional nestas situações é muito grande, porque sinto satisfação em poder ajudar estes casais que querem ter filhos. É gratificante. Mas de outro lado, quando o tratamento não surte o resultado desejado, a frustração também é grande.
Quais os planos para a regional de Mogi da APM?
A APM São Paulo é a maior associação do País, com 33 mil médicos. Na primeira distrital, temos 512 profissionais entre ativos e inativos. Nossa meta é concluir a sede para que possa ser um centro de encontro de médicos, de formação de opinião e de defesa profissional. Também queremos criar um núcleo para atrair os jovens médicos.
O que o senhor faz quando não está trabalhando?
Gosto de leitura, música e gastronomia. Também não abro mão de ir aos cultos todos os domingos, porque acredito que somos instrumentos de Deus e é preciso cuidar da parte espiritual, porque um médico, sem Deus, não é nada. Vivemos em um mundo muito conturbado, então precisamos ter fé e esperança para conseguir superar as dificuldades. Já joguei futebol, mas hoje minha atividade física é fazer caminhadas.
