
A morte de uma jovem de 18 anos na semana passada abalou a cidade e deixou os pais inconformados. Iara Ferreira Messias faleceu às 13h40 de quarta-feira (04/10/2017) na UTI da Santa Casa de Misericórdia São Vicente de Paulo, depois de idas e vindas à UPA de Campo Belo (foram três vezes). O atestado de óbito apontou como causa morte: infecção urinária complicada, choque séptico, insuficiência cardíaca aguda. Segundo a família, a saga de Iara começou na quinta-feira (28/09) quando foi levada à Unidade de Pronto Atendimento pela primeira vez com febre alta, dor nas costas, na cabeça e vômitos. Inicialmente ela teria sido diagnosticada com dengue pelo médico que fez a primeira avaliação, conforme afirmam os pais, José Maria Messias e Eliane Ferreira das Graças, ambos de 37 anos. Iara deixou um casal de filhos de 1 ano e 5 meses (uma menina) e um recém-nascido com pouco mais de um mês de vida (Maria Gabriela e Luiz Felipe). O bebê também está tomando antibiótico. Os avós pagaram uma consulta na rede privada e foi diagnosticado infecção urinária.
De acordo com o pai, Iara sempre foi uma pessoa saudável, teve o segundo filho no dia 27 de agosto de 2017. Um mês depois começou a apresentar dores e um caroço no abdômen. Os sintomas apareceram depois que Iara tirou os pontos da cesariana. “Na primeira vez que a levamos a Upa eles sequer pediram exames. Diagnosticaram com dengue e passou remédio (paracetamol) e liberaram”, contou o senhor José Messias.
Como não teve melhora no quadro, no domingo um familiar retornou com Iara à Unidade de saúde. “As dores aumentaram e a febre também. Voltamos com minha filha a UPA, mas novamente o mesmo atendimento, falaram que era sinusite, porém sem um exame. Fomos liberados”, relembrou em lágrimas o pai da jovem.
Sem o diagnóstico correto o quadro da jovem mãe, que estava amamentando, piorou. Foi levada pela terceira vez a UPA e então ficou internada. Pela primeira vez, conforme relatos do pai de Iara, o médico da sala de emergência que avaliou a jovem e pediu exames. “Mas o quadro era quase irreversível. Pressão muito baixa e batimentos cardíacos descontrolados. Dr. Harley (primeira vez que a avaliou) pediu exames e disse à família que o caso era gravíssimo e teríamos que aguardar vaga na UTI. Minha filha entrou na UPA conversando e saiu entubada, sedada para a Santa Casa. Tudo porque não pediram exames antes. Foi negligência sim, porque não fizeram como este médico? Porque não descobriu que era infecção de urinária antes? Na terça-feira quando ela foi transferida já era tarde”, desabafou José Maria Messias.
Segundo ele, os exames indicaram infecção generalizada. “O estado era gravíssimo e o médico nos disse que tínhamos que esperar até o dia seguinte. Ele também acrescentou que havia uma chance, opera – lá. Nós permitimos, agarrados na única esperança que tínhamos”, disse o pai de Iara.
De acordo com o senhor José, o cirurgião disse que o procedimento havia sido um sucesso. Eles saíram do hospital com muita esperança. Mas a expectativa durou pouco. Na quarta-feira (04/10) foram para a UTI no horário de visitas e já acharam estranho a demora para atendê-los. “A recepcionista nos disse para descermos que o médico estaria nos aguardando. Na porta da Unidade de Tratamento Intensivo ninguém apareceu. Depois de um tempo veio a enfermeira e disse que o médico iria conversar conosco. Naquele momento nosso coração ficou apertado. O cirurgião nos disse que fez de tudo, mas ela não resistiu. Nosso chão caiu! ”, declarou.
A família de Iara busca pela verdade. “Queremos saber o que houve com nossa filha. Se foi erro médico ou não. Porque na 1ª, 2ª consulta, o médico não pediu um exame? Alguns médicos da upa não dão a devida atenção. Estamos divulgando este caso para evitar que outras famílias passem pelo mesmo sofrimento que o nosso. A tristeza é grande, perda inexplicável”, concluiu José Maria Messias.
“O OUTRO LADO”
A produção do DIÁRIO procurou a direção da UPA para apurar o caso da jovem Iara. Os diretores administrativo e de enfermagem não se manifestaram. Buscamos informações na Secretaria de Saúde, que se manifestou através da assessoria de Imprensa. Segundo a Assessora Daniela Rodarte, a paciente procurou a Unidade de Pronto atendimento queixando-se de cefaleia (dor de cabeça), o que confirma um dos sintomas apresentados pelos pais ao site. A assessora ainda acrescentou, que de acordo com a direção da UPA, Iara não havia apresentado outra queixa.
Segundo Daniela, o caso será apurado pela Secretaria e pelo comitê de municipalidade materno infantil para descobrirem o que realmente aconteceu com Iara.
