
O pai de uma criança de 3 anos diagnosticada com pneumonia, em reportagem ao Diário Campo Belo relatou que na sexta-feira (29/09) chegou na UPA com sua filha que apresentava febre e vômitos, e após uma hora aguardando atendimento a criança foi chamada para avaliação médica, porém, Bruno Cesário relata que um vereador teria sido atendido antes da sua filha.
Bruno disse que o quadro da criança se agravou e ela foi transferida para UTI pediátrica em Alfenas e está entubada sem previsão de alta, e está indignado; “Eu falei com a enfermeira sobre a gravidade do quadro clínico da minha filha durante a triagem e ela disse que eu teria que esperar. Mas o vereador chegou depois de mim, passou na nossa frente e na frente dos outros que também aguardavam atendimento. Quando a médica foi atender minha filha, ela pediu que eu esperasse, pois avaliaria o vereador primeiro. E o caso da minha filha é tão grave que a encaminharam para a Santa Casa e de lá foi transferida imediatamente para Alfenas. Ela está na UTI, é grave. Esta internação deve durar de 2 a 3 semanas, e ele, como está? Deve estar em casa tranquilo! Após o atendimento ele entrou no carro e foi embora. Se o caso dele realmente fosse urgente, seria compreensível, mas, vimos o contrário”.
Bruno explicou a evolução do caso da pequena Maria Cecília. “No raio X que fizeram na UPA, o pulmão da minha filha estava 0.5% prejudicado. Hoje, dos 2 pulmões ela só tem 1/3 sadio. Precisamos de orações”, completou o pai da criança .
Minutos antes desta publicação a equipe do Diário foi informada que o sedativo da criança começou a ser retirado.
O OUTRO LADO
A direção da UPA, entretanto, disse que não houve atendimento preferencial, inclusive no prontuário consta que o vereador chegou às 11h43 e a criança às 12h31, e sequer foram atendidos pelo (a) mesmo (a) médico (a). Ainda segundo a direção, inicialmente ambos foram classificados como “verde” pelo protocolo de Manchester. Com o passar do tempo, a criança foi reavaliada e a indicação foi para a cor “amarela” (urgente) atendimento em 60 minutos, com base no protocolo.
O vereador Gerson Vilela, por sua vez, disse que estava se sentindo muito mal, e não foi passado na frente, foi avaliado pela classificação do protocolo de Manchester. A criança, segundo ele, também não estava na UPA quando o mesmo deu entrada. “Falta de ar, sem oxigenação. Estava mal. Fiquei até as 6 seis horas da tarde no hospital. Depois da medicação que comecei a melhorar. Não usei meu cargo para tirar benefícios. Em hipótese alguma faria isso e condeno este tipo de atitude”.
Ainda segundo o vereador, ele estava no local como cidadão, e não vereador; “Quando cheguei a menina não estava no local. Se eu tivesse com a saúde perfeita jamais estaria ali. Tive um processo alérgico grave”.
Ele ainda garante que jamais teve privilégios na UPA, e jamais aceitaria tê-los, justamente por ser um legislador (representante do povo). Ele também disse que está à disposição da família da criança para ajudá-los em quaisquer circunstâncias
Protocolo de Manchester
O Manchester classifica, após uma triagem baseada nos sintomas, os doentes por cores, que representam o grau de gravidade e o tempo de espera recomendado para atendimento. Aos doentes com patologias mais graves é atribuída a cor vermelha, atendimento imediato; os casos muito urgentes recebem a cor laranja, com um tempo de espera recomendado de dez minutos; os casos urgentes, com a cor amarela, têm um tempo de espera recomendado de 60 minutos. Os doentes que recebem a cor verde e azul são casos de menor gravidade (pouco ou não urgentes) que, como tal, devem ser atendidos no espaço de duas e quatro horas.
COMO FUNCIONA?
A Classificação de Risco é realizada com base em protocolo adotado pela instituição de saúde, normalmente representado por cores que indicam a prioridade clínica de cada paciente. Para tanto, algumas condições e parâmetros clínicos devem ser verificados.
A classificação de risco deve ser executada por um profissional de nível superior, que geralmente é o enfermeiro que tenha uma boa capacidade de comunicação, agilidade, ética e um bom conhecimento clínico.
O paciente que chega à unidade é atendido prontamente pelo enfermeiro, que fará uma breve avaliação do quadro clínico do paciente utilizando o protocolo de Manchester, depois encaminha o mesmo para o local de atendimento. A classificação é feita a partir das queixas, sinais, sintomas, sinais vitais, saturação de O2, escala de dor, glicemia entre outros. Após essa avaliação os pacientes são identificados com pulseiras de cores correspondentes a um dos seis níveis estabelecido pelo sistema.
A cor vermelha (emergente) tem atendimento imediato; a laranja (muito urgente) prevê atendimento em dez minutos; o amarelo (urgente), 60 minutos; o verde (pouco urgente), 120 minutos; e o azul (não urgente), 240 minutos.
