

A pauta também chamou a atenção da equipe da EPTV Sul de Minas, que esteve em Campo Belo nesta segunda-feira (04/09) e fez uma reportagem sobre
Projeto COHAB está prestes a ser iniciado em um terreno anexo à escola estadual Padre Alberto Fuger (Polivalente). De acordo com informações apuradas, como o terreno está sem uso há mais de 30 anos, o Estado decidiu criar o projeto da COHAB que poderá entregar cerca de 95 moradias. A construção vai abranger uma área de 5,4 mil metros quadrados, e a prefeitura garante que não irá prejudicar o espaço físico da escola. Segundo alguns moradores das redondezas e estudantes ouvidos pelo Diário Campo Belo, além do terreno estar sem uso já foram registrados inúmeros boletins de ocorrência no local. “Desde que não prejudiquem o nosso espaço, será muito útil”, citaram duas estudantes do Polivalente.

“Até hoje ele está servindo de rota de fuga para indivíduos que utilizam este espaço para atos ilícitos, então é um problema”, disse Angelina Silva
Em maio deste ano, o Estado pediu um levantamento do déficit habitacional do município, que apontou uma demanda de pelo menos 3,4 mil pessoas. Com isso, a própria COHAB teria feito um estudo do terreno ao lado da escola pra construção do conjunto habitacional. O projeto já está pronto, com três prédios e 16 apartamentos em cada. A prefeitura também cedeu um funcionário (Rodrigo Bruno), que fez cursos de capacitação em Belo Horizonte, para trabalhar em parceria com a COHAB no município.

Para entender o Projeto e saber a maneira correta de executá-lo, Rodrigo Bruno (foto) participou de treinamento em Belo Horizonte. (Foto: Facebook arquivo pessoal)
O executor do projeto é Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais e o financiamento da Caixa Econômica Federal (a caixa que fará o processo de seleção). Segundo ele, o projeto faixa 2 é apenas da COHAB. “A prefeitura aderiu ao programa e não terá gasto nenhum. Apenas cedeu um funcionário para tomar conta da ficha e projeto. A caixa que é responsável pela seleção e não tem sorteio. Os critérios são: ter renda acima de R$1300,00, não pode ter imóvel registrado no nome, e não pode ter participado do “Minha Casa, Minha Vida”. Quando Caixa chamar a pessoa para entrevista, ele terá que apresentar os documentos e certidão. Não pode ter restrições no nome como SPC e Serasa”, explicou o funcionário designado pela administração para acompanhar o Projeto em Campo Belo.

A criação gerpu polêmica e um grupo se uniu para mostrar que não seria viável a construção naquele local. (Foto: reprodução EPTV)
Porém, a iniciativa gerou certa polêmica, inclusive alguns moradores que desaprovam a ideia criaram um movimento contra o projeto que leva o nome de “Pro-Polivalente”. Eles se reuniram com o prefeito e já procuraram a direção da COHAB-MG. A prefeitura já até havia anunciado o período de inscrição dos interessados, mas diante da polêmica, suspendeu até o dia 11/09 (quando terá um movimento na Câmara de Vereadores). A comissão elaborou um abaixo assinado encabeçado por professores, estudantes e cidadãos das adjacências, e já se reuniram por duas vezes com o vice e com o próprio prefeito no sentido de escolher outro local para este conjunto.

Foram feitos um abaixo-assinado e uma ação popular no Ministério Público, alegando desvio de função, já que o terreno foi doado ao Estado apenas para fins escolares.
De acordo com os membros da comissão Pro-Polivalente, eles não são contra uma pessoa ter moradia própria, mas lutam pela preservação da instituição educacional. “Não somos preconceituosos como alguns espalham por aí. É preciso preservar o Polivalente para a educação, pois no decreto lei de 1972 está explícito que a doação é para a construção de um colégio, o Polivalente. Não foi realizada nenhuma pesquisa com os moradores sobre a possível instalação deste conjunto. E a questão do abastecimento de água, será que o fornecimento não será comprometido? Neste local em época de seca os moradores têm problemas seríssimos com relação ao fornecimento ao ponto do caminhão da DEMAE abastecer as residências”, alertou um dos membros da comissão. Ainda segundo ele, existem advogados, funcionários públicos e comerciantes dispostos a defender um colégio. “Ali tem uma área que futuramente poderia servir para uma faculdade, para um CEFET etc. Isto é uma obra eleitoreira para 2018. O colégio hoje tem cerca de 1300 alunos que vão ficar ao lado de blocos de concreto para atender cerca 148 apartamentos, e pelo que estamos vendo, já todos direcionados e com carta marcada”, frisou.
Um outro membro, o aposentado Dirceu Alvarenga, conta que já foram feitos um abaixo-assinado e uma ação popular no Ministério Público, alegando desvio de função, já que o terreno foi doado ao Estado apenas para fins escolares. Ainda segundo ele, o movimento não é contra as moradias, mas os membros acreditam que a obra pode trazer problemas para o bairro e para a escola. “Hoje já vivemos com esse transtorno, falta água nas nossas torneiras, o bairro é carente de água. E se não bastasse, o que é mais importante que nós estamos preocupados, a escola que hoje está funcionando, os alunos serão diretamente prejudicados, porque 148 apartamentos no entorno de uma escola, vai faltar luminosidade, vai faltar ambiente para um professor proceder os seus ensinamentos, passar para os alunos os seus ensinamentos”, alega Dirceu.
Em contrapartida, outros moradores da cidade também criaram um movimento para defender a construção naquele local. A pauta também chamou a atenção da equipe da EPTV Sul de Minas, que esteve em Campo Belo nesta segunda-feira (04/09) e fez uma reportagem sobre.
Para Angelina de Oliveira Silva, mãe de uma ex-aluna, aquele local gera perigo pra vizinhança. Angelina é a favor da construção do conjunto habitacional e acredita que além de moradia própria, a construção valorizará a escola; “Até hoje ele está servindo de rota de fuga para indivíduos que utilizam este espaço para atos ilícitos, então é um problema. Está vago, sem contar o lixo que acumular, vira espaço escuro demais, então quando você passa aqui à noite representa um sério perigo”, ressaltou Angelina. “Além de oferecer oportunidades para aqueles que precisam e que se classificam na aquisição desses imóveis, ele (o projeto) vai utilizar esse espaço para atender a própria comunidade, a própria população de Campo Belo. Então foi uma decisão acertada um projeto desse. Ele vale a pena, vai ter mais segurança para o local, haverá mais moradores aqui”, completou Angelina.
COHAB
Em resposta o presidente da Cohab de Minas Gerais, Alessandro Marques, confirmou que o processo seletivo foi suspenso até que o município promova a discussão sobre a utilização do terreno. Segundo Marques, a Cohab utiliza alto padrão de qualidade na construção de suas moradias e o local foi escolhido por já ter infraestrutura e proporcionar menos custos aos futuros moradores.

1 Comment
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