A ausência de pediatra na UPA tem deixado várias pessoas revoltadas. Uma mulher relatou que levou a filha doente na UPA e se deparou com dezenas de crianças na mesma condição, e não havia atendimento especializado (pediatra). O caso foi registrado no começo desta semana. A produção do DIÁRIO CAMPO BELO entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Município, o secretário quem atendeu a ligação e sugeriu que a reclamação fosse protocolada na Ouvidoria da Saúde. A marcação pelas Unidades Básicas de Saúde é burocrática, conforme relatos dos usuários. O clínico avalia e só depois é que concede o encaminhamento ao pediatra, e a população já não suporta mais este “jogo de empurra-empurra”.

A resposta da assessoria de Imprensa informa que a contratação de um pediatra deve ser uma ação do gestor municipal. No site do MS, uma das normas para o funcionamento da Unidade é contar com o especialista no quadro dos profissionais.
O Ministério da Saúde também foi procurado, e em nota a Assessoria de Imprensa informou que “o município não é obrigado a oferecer o especialista na Unidade”, e que “se trata de uma medida que depende do prefeito”. Mas os munícipes, em sua maioria, discordam da falta de especialistas, pois na administração passada, as pediatras Dra Viviane Rossi e Ana Luísa atendiam prontamente as urgências. Vale lembrar que as normas que regularizaram o funcionamento da UPA estabelece a existência do especialista (no caso pediatra), como mostram as informações encontradas no site do próprio MS.
De acordo com o Ministério da Saúde, a UPA de Campo Belo está classificada no Porte II e recebe anualmente uma verba de R$ 3.600.000,00 para o funcionamento. Conforme o posicionamento do Secretário Municipal, os usuários devem procurar a Ouvidoria da Secretaria, que funciona no prédio da Policlínica, e protocolar a insatisfação que as medidas serão tomadas. E nas Unidades Básicas de Saúde a dificuldade em encontrar uma vaga com especialista ao que parece continua complicada nesta gestão. “Ou seja, a demora é a mesma. Estou com consulta agendada para a minha filha para o dia 19 de abril. Farei este procedimento, e somente depois tentarei conseguir um atendimento pediátrico”, detalhou Fernanda, mãe de uma outra criança.
Para Neia, a mãe da criança que precisou de atendimento na Unidade de Pronto Atendimento, a situação é um descaso para com a população. “Pessoal estou aqui na UPA com minha filha, isso aqui é uma vergonha, não tem nenhum pediatra, mesmo estando cheio de crianças aguardando atendimento. Até quando?”, questionou.
Uma outra campobelense, Rosana, citou outras burocracias das UBS. “Este não é o único problema, tem sido uma verdadeira burocracia para conseguir marcar médico, tem quer ir às 07h00 da manhã, e, olha lá se conseguir vaga. Pegar encaminhamento para pediatria é uma vergonha, até pra criança é tudo regulado. O que era ruim, piorou”, pontuou a moradora.
UPA – UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO (Funcionamento, de acordo com a legislação)
Fonte: http://www.pac.gov.br/infraestrutura-social-e-urbana/upa-unidade-de-pronto-atendimento
“Funcionar 24 hs/dia, 7 dias por semana e poder resolver grande parte das urgências e emergências, como pressão e febre alta, fraturas, cortes, infarto e derrame. Com isso, ajudam a diminuir as filas nos prontos-socorros dos hospitais. A UPA inova ao oferecer estrutura simplificada, com raio-X, eletrocardiografia, pediatria, laboratório de exames e leitos de observação. Nas localidades que contam com UPA, 97% dos casos são solucionados na própria unidade. Quando o usuário chega às unidades, os médicos prestam socorro, controlam o problema e detalham o diagnóstico. Eles analisam se é necessário encaminhar a um hospital ou mantê-lo em observação por 24 horas.
As UPAs fazem parte da Política Nacional de Urgência e Emergência, lançada pelo Ministério da Saúde em 2003, que estrutura e organiza a rede de urgência e emergência no país, com o objetivo de integrar a atenção às urgências.
São três portes de UPA:
Porte I: tem o mínimo de 7 leitos de observação. Capacidade de atendimento médio de 150 pacientes por dia. População na área de abrangência de 50 mil a 100 mil habitantes.
Porte II: tem o mínimo de 11 leitos de observação. Capacidade de atendimento médio de 250 pacientes por dia. População na área de abrangência de 100 mil a 200 mil habitantes.
Porte III: tem o mínimo de 15 leitos de observação. Capacidade de atendimento médio de 350 pacientes por dia. População na área de abrangência de 200 mil a 300 mil habitantes”
