
Voz dos Bairros – “Não aguento mais ter que entrar dentro da própria casa com medo de pisar no chão”, comentou a moradora da Vila Senhor Bom Jesus.
Um, dois, três, nove, dezenas de escorpiões. Esta é a rotina de alguns moradores do bairro Senhor Bom Jesus em Campo Belo (MG). Todos os dias, segundo eles, os bichos são encontrados no interior das residências. Uma dessas moradoras é Fernanda Ribeiro. O temor de Fernanda aumenta, pois ela tem uma filha com apenas dois anos de idade. De acordo com a moradora, no cemitério Senhor Bom Jesus há uma infestação de escorpiões. Segundo a Vigilância Epidemiológica, tem que haver uma conscientização popular que ajudará no combater ao aparecimento bicho. Iniciará no município também uma campanha de combate ao escorpião e caramujo africano. O contato da Vigilância para notificações desta natureza é 3831-1249.
Fernanda Ribeiro não é a única que sofre com o dilema. Gleice (morava do Ouro Verde I) foi orientada pelo servidor da Vigilância Epidemiológica – Otacílio José, a mudar de sua residência (era imóvel alugado). Otacílio foi ao local e verificou a infestação do animal.
Já Fernanda ( à direita) diz que o imóvel é próprio e não tem condições de mudar-se.
“Não aguento mais ter que entrar dentro da própria casa com medo de pisar no chão. Tenho uma filha com dois aninhos e na minha casa já encontramos nove escorpiões. Meus vizinhos também vivem nesse medo constante. Ir à prefeitura não adianta, pois eles falam que a prefeitura não arca com esse veneno por ser muito caro”, relatou Ribeiro.
Ela mora ao lado de dois lotes vagos e já falou com o proprietário para fazer a limpeza e foi ignorada. “Ele nem me deu ouvidos”, ilustrou.
No cemitério Senhor Bom Jesus, conforme as declarações de Fernanda, também é um poço de infestação de escorpiões. “No cemitério está cheio e é bem perto de nossas residências. Agora lá é responsabilidade da prefeitura e eles não tomam atitudes. Já achei até debaixo do berço da minha filha, agora imagina o perigo!”, preocupa-se.
Eles tomarão outros caminhos. “Então quando achamos mais um decidimos que, infelizmente, não terá jeito, procuraremos à justiça”, adiantou.
Segundo Otacílio Rodrigues, as ações feitas em cima de futuras campanhas anti-escorpiões tem que ser educativa. O governo federal não dispensa verba aos municípios para estas campanhas. “Se isso ocorrer os municípios podem trabalhar com produtos químicos, porém no controle de escorpião praticamente não é aconselhável o uso dos mesmos”, alertou.
O escorpião, de acordo com Otacílio, é um animal que sabe se proteger de tudo que venha agredi-lo. “Se aplicar o produto químico desordenadamente não vai conseguir pegá-lo. Ele tem uma proteção por cima do corpo. Quando o produto cai em cima, ele sacode o corpo jogando-o pra fora. Se jogar no solo, o animal não encosta no mesmo”, explicou.
Quanto as notificações que estão aparecendo relacionadas ao aparecimento do bicho, segundo Otacílio, o Secretário de Saúde Israel Alves está preocupado. “Estou assumindo a questão do escorpião e caramujo africano. Através dos meios de comunicação a população pode nos informar também. Nosso telefone de contato é o 3831-1249, pode entrar em contato conosco”, afirmou Otacílio.
Confira as dicas:
– Mantenha limpos os locais próximos a residências evitando acúmulo de lixo, entulhos e materiais de construção;
– Mantenha a casa livre de baratas, que são um dos principais alimentos dos escorpiões nos centros urbanos.
– Não coloque mãos e pés dentro de buracos, montes de pedras ou lenhas;
– Use sempre calçados e luvas nas atividades rurais ou de jardinagem;
– Sacuda e examine calçados e roupas antes de usar;
– Use telas e vedantes em portas e janelas;
– Use ralos protetores;
– Mantenha as camas a uma distância mínima de 10 cm das paredes.
Se um acidente com escorpiões ocorrer, primeiro deve-se evitar o pânico, lavar o local com água e sabão, aplicar compressas de água fria e procurar um médico. O ser humano, após ser picado, pode ter hipotermia ou hipertermia, sudorese profunda, visão embaçada, náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, arritmias cardíacas, choque, taquipnéia, edema pulmonar agudo, agitação, sonolência, confusões mentais e tremores, além de inchaço e vermelhidão no local da picada.
O tratamento consiste na aplicação local da ferroada de um anestésico (lidocaína a 2%) e soro antiescorpiônico (obtido de escorpiões vivos). O tratamento deve ser hospitalar, de preferência com a apresentação do escorpião para facilitar o diagnóstico e o tratamento.

2 Comments
Sabe , vejo muitos acontecimentos bacanas acontecendo em nossa cidade. Mas ao mesmo tempo, uma negligência enorme quando se trata da polêmica saúde da população. Espero mesmo que agora a frente dos trabalhos o Sr.Otacílio resolva os problemas com lotes abandonados, escorpiões e caramujos africanos. Já perdi as vezes de quantas denúncias fiz pelos lotes imundos e infestados de animais peçonhentos e caramujos africanos ao redor de minha residência. Não somos obrigados a conviver com isso. Entendo perfeitamente que a prefeitura não tem responsabilidade sobre lotes sujos, mas uma vez que estes estão causando problemas de saúde pública cabe a este órgão fiscalização e punição com multas aos proprietários como acontece em várias cidades mineiras. Uma picada de escorpião pode matar uma pessoa e não muito longe as cascas de caramujos viram depósito de água e proliferação do Aedes Aegypti….dezenas de pessoas já morreram por um mosquito!!! Ação imediata é o que precisamos!!!!
Boa noite! Na verdade é responsabilidade do município notificar o proprietário, estipulando prazo para a limpeza. Se ele não atender à notificação, deverá ser aplicada multa e cobrada a limpeza feita pelo município.