
Número de mortes cresce 50% na BR-354 entre Perdões e Campo Belo. Imprudências também são vistas na MG-369 sentido Oliveira: multa subiu de R$ 127 para R$ 927, com desconto de sete pontos na CNH.
Reformado, o trecho de 64 quilômetros da BR-354 que liga Perdões (MG) a Campo Belo (MG) se transformou em uma “pista de corrida” para muitos motoristas. Segundo um levantamento feito pela Polícia Militar Rodoviária, o número de acidentes fatais na rodovia cresceu pelo menos 50% durante o ano de 2014. Este índice aumentou em 2015. A pressa e manobras arriscadas e imprudentes de alguns motoristas são flagradas constantemente por outros condutores, que estão assustados com as medidas. Um risco á vida de quem precisa passar pela rodovia diariamente. No sábado (09) e nesta segunda (11) caminhoneiros tentaram ultrapassagens proibidas nas Rodovias 354 (sentido Perdões) e na MG-369 (sentido Oliveira). Um leitor do diariocampobelo.com (indignado com a situação) registrou as infrações e encaminhou as fotos ao site.
Flagrante na BR-369
Infelizmente, estas são situações comuns no trânsito brasileiro. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, ultrapassagens perigosas são responsáveis por 35% dos acidentes nas estradas do país. A maioria é resultado da imprudência dos condutores, que insistem em forçar manobras proibidas. Tentando coibir esse tipo de infração, o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) aprovou, desde novembro do ano passado, um aumento de 730% na multa por ultrapassagem em local proibido (de R$ 127 para R$ 927). O número de pontos descontados da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) também subiu: de cinco para sete.
Registros de acidentes na Rodovia 354 (considerada por muitos – a rodovia da morte).
Entre janeiro e novembro de 2013 a polícia registrou 95 acidentes no trecho. Já em 2014, até o dia 25 de novembro, foram registrados 113 acidentes, ou seja, 19% a mais do que no último ano. Em 2013 foram registrados seis acidentes com vítimas fatais e em 2014 foram nove. No inicio de 2015 as tragédias continuaram e em janeiro um casal de adolescentes de Taubaté (SP) perdeu os pais em um acidente depois do trevo de Candeias (MG), também na BR-354. Eles seguiam para Formiga (MG) onde passaria as férias m Furnas com o restante da família.
Aumento de Mortes
O número de mortes também aumentou no trecho. O levantamento da polícia aponta ainda que os caminhões e carretas estão envolvidos em pelo menos 60% das batidas. Na maior parte do trecho, a ultrapassagem é proibida, mas muitos motoristas ignoram a sinalização e em alta velocidade, aumentam as chances de acidentes na pista. “Muitos motoristas ignoram as placas e trafegam em velocidade elevada. As imprudências é que são as causas dos acidentes, principalmente depois que a estrada foi recuperada e reformada”, disse o policial Leandro Alexandre Campos.
Questionado, o chefe do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Divinópolis (MG) informou que será assinado um contrato que prevê a instalação de redutores de velocidade no trecho e a instalação de radares móveis.
Acidente em 2014 na 354
Caminhão atinge carro na contramão e mata professor de Campo Belo na 354
Jovem, trabalhador, dinâmico. Um vencedor, que infelizmente partiu precocemente e de forma trágica. Campo Belo amanheceu em luto! Chiquinho iria a Perdões-MG para ministrar mais uma aula. Era mestre em química, e muito querido pela comunidade. Ele tinha de 30 anos. Segundo polícia, caminhoneiro disse que veículo apresentou problema na suspensão.
Um professor morreu na manhã de terça-feira (25 de novembro de 2014) depois de ser atingido por um caminhão na contramão na BR-354, em Campo Belo (MG). Segundo a Polícia Militar Rodoviária de Lavras (MG), o motorista do caminhão perdeu o controle da direção e invadiu a pista contrária e atingiu o Fiat Uno onde estava o professor. Francisco Assis de Oliveira Junior (Chiquinho professor do Anglo) como era conhecido, morreu preso ás ferragens, às 06h30, no KM 569, próximo ao Povoado de Toscano de Brito, chovia na hora do acidente. Ele seguia para Perdões onde ministrava aulas, em um Fiat Uno azul, quando teve o veículo atingido por um caminhão, que estava em direção a Campo Belo, segundo informações apuradas.
Thiago Ferreira, motorista do caminhão com placa HBB 4432, contou a Policia Rodoviária Estadual, que perdeu o controle da direção em uma curva, atravessou a mão de direção contrária, colidindo lateralmente com o veículo conduzido pelo professor.
Ele alegou aos policiais que teve um problema mecânico na carreta, carregada de casca de arroz, e não conseguiu evitar a tragédia. Chiquinho é filho de Neusa Coutinho (professora), moradora da Aquiles Gambogi e primo da Agnes Coutinho, Superintendente Regional de Ensino. O corpo da vítima foi removido pela Funerária Nova Aliança, após autopsia, foi encaminhado à Capela Velório de Campo Belo, por volta das 14h00. O sepultamento aconteceu às 19h00 de terça-feira, no Cemitério Paroquial. O condutor do caminhão foi detido e encaminhado à delegacia de Campo Belo. Muito abalado disse à reportagem que queria estar no lugar da vítima.
Segundo a PRE, o motorista do caminhão alegou que a barra de direção quebrou o que fez com que ele invadisse a contramão. O corpo de bombeiros de Oliveira foi acionado e após duas horas, o corpo de Chiquinho foi liberado. Formou-se um congestionamento na pista, mas a polícia deu cobertura para que a perícia fosse realizada.
De acordo com o policial rodoviário, o trecho é extremamente perigoso. Quase no mesmo momento, há poucos quilômetros, registrou-se um acidente envolvendo outra carreta, porém sem vítima.
Amigos e parentes se emocionaram ao presenciarem a cena, no local do acidente. Francisco era muito querido pelos alunos e pela comunidade. Recentemente finalizou seu mestrado pela UFLA de Lavras. Primos da vítima se sentiram mal ao se aproximarem do local. “Não dá para acreditar nesta tragédia, ele era muito especial,” desabafou um amigo da vítima, que foi à rodovia, pois não acreditou na notícia.
Fotos: Diarioocampobelo.com
e leitor do site.

1 Comment
Eu acho que em casos de acidente com vítima fatal, o motorista que estiver errado e que foi o causador do acidente deveria responder por homicídio culposo. O que vemos aí, é que, nos últimos anos houve vários acidentes dessa natureza, e nenhum tipo de punição foi aplicado a parte culpada. Muitas vezes apenas se houve a versão do sobrevivente, sem apurar a fundo o que ocorreu, e quem perde a vida acaba ficando sem justiça.